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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Você sabe o que é DETOX DIGITAL?

Olá amigos, vamos conversar hoje sobre intoxicação digital?




Para fins profissionais, atualmente a tecnologia é indispensável. Não existe profissão ou pessoa que não necessite da ajuda de dispositivos móveis para a comunicação ou produção de bens e serviços. Não é o caso, evidente, de abrir mão da internet, mas aprender a usá-la a seu serviço – e não ficar à disposição dela ininterruptamente. 

Não é necessário que a cada minuto seja feita uma publicação em redes sociais, um comentário nos aplicativos de comunicação instantânea (por exemplo, o WhatsApp). Particularmente, nada é mais irritante do que pessoas que aguardam a sua resposta imediata. A ausência de um simples comentário ou emoji, nos gera os famigerados ?????, o que nos leva a conclusão do imediatismo histérico da sociedade moderna. 

É importante lembrar que a interação excessiva entre as pessoas pode ser perdida em função da exposição, onde cada vez mais a opinião, a curtida, o comentário de terceiros é necessário para o bem-estar próprio. O excesso do uso das tecnologias em nossas vidas está muito próximo da distração, da busca do preenchimento de espaços vazios. O ato de prestar mais atenção no smartphone do que no que no mundo ao seu redor pode ser visto, pelos seus amigos/filhos/companheiro, como se o ambiente estivesse tedioso, desestimulante. 

Celulares e tablets podem substituídos por caminhadas, incursões na cozinha e visitas ao parque ou museus. Estabelecer respostas automáticas alertando que você não está disponível pode ser uma solução a curto prazo. 

Diferentemente do vício em cigarros, drogas ou álcool, o vício em celular é difícil de ser detectado em razão das implicações predominantemente psicológicas individuais e sociais. Em um mundo onde todos estão “plugados”, qual o conceito de normalidade? 

Particularmente, creio que “de perto, ninguém é normal”, portanto, temos que entrar, definitivamente, no caminho do meio, também conhecido (e esquecido) como bom senso. As conexões digitais são cada vez maiores, é preciso preservar a rotina offline; aprender a desconectar tornou-se uma necessidade imperativa para aqueles que não acreditam na vida além da internet. 

Saiba mais no link CLASSNET DETOX DIGITAL

Grande abraço,

Ana Paula Siqueira

segunda-feira, 19 de março de 2018






Proteja-se dos prejuízos do cyberbullying 

2 anos de luta com a lei nº 13.185/05



                                                                                                           https://www.istockphoto.com/



Olá amigos! Vamos conversar sobre a luta contra o cyberbullying?

O ambiente escolar é um espaço social caracterizado pelas múltiplas possibilidades de convivência e interação. Entretanto, nessa convivência surgem problemas que podem ser pontuais ou não. Dentre os fatos mais significativos constatados, destacam-se atos de violência repetitiva e intencional, também conhecidos por bullying. Nos últimos anos, adquiriu elevado crescimento em todas em todos os níveis de escolaridade e atinge escolas públicas e privadas. Por essa razão foi promulgada a lei 13.185/2015. Em fevereiro de 2018, teremos 2 (dois) anos de vigência normativa.



As escolas que implementaram o programa “Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying” estão colhendo os frutos do árduo e dedicado trabalho de compliance escolar.


A palavra significa COMPLIANCE tem origem no verbo em inglês “to comply” que significa agir de acordo com uma regra, uma instrução interna.




As instituições de ensino contemporâneas precisam entender e observar as regras pré-estabelecidas no ambiente presencial e virtual, de abrangência federal, estadual e municipal; estas leis são orientações e ou obrigações legais, tais como leis trabalhistas, leis relativas ao Marco Civil da Internet e lei do Bullying, relações consumeristas, relações com mantenedores, discentes, docentes, pais de alunos, concorrentes, Diretorias de Ensino e demais órgãos públicos. 



Como são muitas leis e diversos níveis de atuação, existe a necessidade imperativa de analisar todas as situações fáticas e leis, de forma a criar instruções internas para nortear todos os envolvidos na comunidade escolar e para que as obrigações sejam cumpridas. A área de compliance pode estar dentro da área jurídica e ou mesmo pode ser uma área especifica.

Esta área tem como atribuição, gerar estas orientações de forma a colocar a organização dentro das leis e normas que afetam o negócio, evitando multas, ações indenizatórias e processos criminais contra os diretores e mantenedores.

A prevenção e diagnose precoce geram frutos de valor inestimável à comunidade escolar. Com a aplicação do compliance escolar, essas escolas estão protegidas de forma jurídica e pedagógica do uso irregular de tecnologias no ambiente escolar. Atualmente, os participantes do programa podem facilmente comprovar os benefícios da implantação do programa. Os coordenadores e professores que receberam o curso de treinamento podem tranquilamente atuar nos casos de agressão presencial e virtual; lidar com questões éticas e legais não causa assombro ou pânico, pois os profissionais estão preparados para qualquer circunstância.

Intervenções diretas de esclarecimento junto aos que promovem o bullying ou cyberbullying, especialmente quando dirigidas aos líderes dos grupos de agressores, são muito efetivas quando coordenadas dentro do programa “Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying”.

A orientação jurídica e pedagógica correta inibe e previne a ação violenta presencial e virtual. Os educadores estão aptos a observar os alunos que apenas seguem os líderes por medo e submissão. Todos que estão envolvidos, direta ou indiretamente, precisam de suporte e apoio jurídico e pedagógico.

A obrigação das instituições de ensino, clubes e agremiações recreativas é implementar o programa de combate ao bullying nos termos da lei 13.185/2015, com todos os requisitos exigidos. Se não o fizerem, o serviço prestado será defeituoso, violando o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, sem prejuízo da apuração da responsabilidade penal dos diretores e mantenedores nos termos do artigo 13 do Código Penal.

Alertamos aos colégios que ainda não se adequaram à lei nº 13.185/2015 que nunca é tarde para cumprir a determinação legal. É importante não esperar o problema acontecer – a conduta do administrador escolar deve ser preventiva e não apenas reativa. A aplicação imediata de políticas de compliance escolar objetiva a proteção de vidas e a perpetuação do sucesso pedagógico na era virtual.

Eu acredito na educação, e você?


Abraços


Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita 






quinta-feira, 15 de março de 2018

Discurso de ódio na Internet


Olá amigos!

Hoje gostaria de conversar com vocês sobre haters e discursos de ódio





Em 30 de junho de 2017, o parlamento alemão aprovou o projeto de lei que prevê multas e sanções para as redes sociais que não retiram, com brevidade, conteúdo relativo aos discursos de ódio e notícias falsas. A medida impõe novos conceitos de liberdade de expressão, já que possui disposições legislativas contra os discursos de ódio contra as minorias.

O dia 1º de janeiro de 2018 marcou o fim do período de transição (vacatio legis) da lei alemã para aperfeiçoar a aplicação da legislação nas redes sociais, mais conhecida como NetzDG (Netzwerkdurchsetzungsgesetz - Lei de Aplicação na Rede, em tradução livre).  Em sínese, toda e qualquer plataforma digital com mais de dois milhões de usuários deve implementar formas eficientes e efetivas de apurar denúncias e excluir conteúdo potencialmente ilegal. Desta forma, as empresas Facebook, Twitter, Google, YouTube, Snapchat e Instagram são diretamente atingidas pela lei, embora redes profissionais como LinkedIn e Xing estejam expressamente excluídas, assim como o serviço de mensagens WhatsApp.

Em caso de violação, as empresas podem ser multadas em até 50 milhões de euros. O cidadão alemão poderá denunciar violações (notícias falsas ou discursos de ódio) ao Departamento Federal de Justiça da Alemanha (BfJ), que disponibilizou um formulário online.

Dois casos relacionados à lei jpa repercutem na mídia. O primeiro caso refere-se à congressista Beatrix von Storch teve suas contas no Twitter e Facebook temporariamente suspensas depois de criticar felicitações de Ano Novo da polícia de Colônia em árabe, fazendo a seguinte observação: "O que diabos está acontecendo neste país? Por que um site oficial da polícia está postando em árabe? Vocês acham que isto irá apaziguar as hordas bárbaras e violentas de homens muçulmanos?", escreveu Von Storch, política do partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

O segundo caso refere-se a revista Titanic, que publicou dia 02/01 um tuíte irônico em árabe, que zombava de Beatrix von Storch, que acusou a polícia de tentar "apaziguar as hordas de homens bárbaros muçulmanos estupradores". A conta da revista no Twitter foi bloqueada, em razão da lei em vigor.

A liberdade de expressão nasceu sob o prisma dos direitos individuais, corroborado pelo conceito de liberdade, introduzido pelos movimentos revolucionários do século XVIII, como liberdade relacionada ao direito de todo indivíduo manifestar o seu pensamento, carregado da noção de individualismo.

A liberdade de manifestação de pensamento e de opinião se manifesta através da liberdade de expressão, que compreende duas dimensões distintas: a primeira, a exteriorização de seus valores e crenças intrínsecos, e a segunda, que trata de uma dimensão instrumental: a forma e os instrumentos para a sua exteriorização.

A informação, na realidade, é um poder. Ela tem o poder de influenciar, alterar a sociedade, por isso não pode ser tomada pela simples liberdade individual de informação, constitui-se um verdadeiro direito coletivo à informação.

A liberdade de expressão é o direito contemporâneo que emergiu da Independência Americana e da Revolução Francesa, integrante do plexo dos direitos correspondentes aos direitos civis e políticos, tem como objetivo a inserção de ideias do indivíduo perante o Estado e  a sociedade, a partir de sua afirmação e publicação. É certo que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas necessita ser apreciado e avaliado em conjunto com as demais disposições jurídicas. A liberdade de expressão não poderá ser analisada de forma individualista, sob pena de ferir o principio da dignidade da pessoa humana, previsto como no artigo 5º, incisos III (não submissão a tortura), VI (inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença), VIII (não privação de direitos por motivo de crença ou convicção), X (inviolabilidade da vida privada, honra e imagem), XI (inviolabilidade de domicílio), XII (inviolabilidade do sigilo de correspondência), XLVII (vedação de penas indignas), XLIX (proteção da integridade do preso), dentre outros dispositivos constitucionais.

O valor contido na dignidade humana como fundamento da República Democrática é absoluto, infestável e irrenunciável. A despeito de se cogitar uma eventual relativização do direito à dignidade em termos de sua normatização, é importante esclarecer que a DIGNIDADE representa o valor absoluto de cada ser humano, sendo-lhe inerente e independente de qualquer requisito ou condição, tais como raça, cor, religião ou sexo.

Deixo com vocês algumas reflexões sobre racismo no vídeo abaixo

Abraços para todos,

Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita

quarta-feira, 14 de março de 2018

Fake news e vírus no WhatsApp



Hackers chineses usam mensagens de "bom dia" em GIF para phishing #boato

Apuramos e explicamos no vídeo abaixo




                             


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Pesquisa mostra que apenas 37% dos pais se preocupam com vida digital dos filhos


Uma pesquisa da Kaspersky Lab revela que apenas 37% dos pais estão preocupados com o que seus filhos podem acessar na Internet. O aumento de dispositivos conectados na rede e disponíveis na família não mudou muito a percepção em relação ao conteúdo que as crianças possam ser expostas, seja ele inadequado ou explícito.

Há mais crianças e adolescentes usando smartphones, games e tablets, mas a atenção dedicada ao comportamento na rede é inversa. Outros dois números comprovam o descuido: 36% dos pais estão atentos à comunicação dos filhos com estranhos e 34% temem o bullying virtual.

Veja outros números que tratam do comportamento dos pais em relação à vida digital dos seus filhos:

  • 38% conversam sobre os perigos da Internet;
  • 27% verificam o histórico de navegação;
  • 21% estão conectados às redes sociais dos filhos.

No quesito segurança, a situação também não é muito animadora. O estudo mostra que somente 26% dos pais utilizam algum tipo de software de controle das atividades on-line. 

E entre aqueles que não usam programas que limitam o acesso a determinados conteúdos na rede, 21% acreditam que as crianças devem aprender sozinhas a usar a Internet com segurança.

Número de vítimas na rede

A pesquisa foi além e investigou o número de vítimas de alguma ameaça digital. De acordo com o levantamento, 41% das crianças estiveram expostas a intimidações no período de um ano anterior ao estudo. As ameaças englobam conteúdo inadequado, bullying virtual, contato com pessoas perigosas, acesso a pornografia, entre outras.

Para Andrei Machola, chefe de negócios ao consumidor da Kaspersky Lab, "os pais precisam ajudar seus filhos a conhecer melhor os computadores e implantar métodos de segurança". A consciência do perigo on-line é a melhor solução para evitar que os filhos sejam vítimas de algum crime.

Por Redação | 11.08.2017 às 17:18

Imagem: Getty Images

Fonte: https://canaltech.com.br/internet/pesquisa-mostra-que-apenas-37-dos-pais-se-preocupam-com-vida-digital-dos-filhos-98774/

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Sarahah: novo aplicativo de mensagens anônimas pode gerar prática de cyberbullying


Mais um aplicativo que tende a ser polêmico virou febre nos Estados Unidos e em outros países. No Brasil, essa “moda” ainda não pegou muito, mas em Maceió alguns usuários já baixaram o aplicativo ‘Sarahah’ cuja finalidade é de enviar feedbacks de forma anônima. Entretanto, a psicóloga Ana Éryka França alerta para os riscos que a nova rede pode causar, entre eles, a prática de cyberbullying.

O aplicativo funciona da seguinte forma: após criar uma conta usando apenas um e-mail válido e um nome de usuário, você é redirecionado para o seu perfil. Nessa página, é possível ver mensagens recebidas e enviadas, além do link da sua conta.

O professor especializado em mídias sociais, Raphael Araújo, deixou a curiosidade de lado e baixou o aplicativo nesta quinta-feira (27). Para ele, já é possível ter uma pequena visão do funcionamento do app. Com a tradução árabe de “emitir comentários honestos sobre você”, o aplicativo não permite a opção de resposta sobre o que foi dito.

“A raiz dele é para ajudar no comportamento do outro, dando feedbacks, porém há uma banalidade sobre o anonimato, que segue a linha de apelos sexuais e até cyberbullying”, destacou Raphael.

Alguns aplicativos já tentaram seguir o mesmo estilo, mas acabaram sendo suspensos e caídos no esquecimento. Formspring, Ask.FM e Secret eram plataformas que também foram modinhas de suas épocas, mas que geraram consequências até judiciais devido aos comentários que envolviam nudez, xingamentos e até ameaças a outros perfis.

“No Sarahah, apesar de não ter o poder de resposta, a censura é até controlada. Apesar de o perfil ser anônimo, você pode bani-lo de seu perfil, bloqueando e apagando o comentário que foi feito” contou Raphael, que em apenas um dia de uso, já recebeu mensagens de conteúdo sexual.

Na visão do especialista, o aplicativo pode não durar tanto. Como não existe a opção de interatividade e de encontrar pessoas conhecidas em sua rede, é necessário que para comentários, você tenha que divulgar seu perfil em outros sites.

“É trabalhoso, apesar de toda novidade e curiosidade sobre autocritica, a estratégia é a pessoa divulgar seu perfil em outras redes sociais e até para responder, ter que tirar um print e todo movimento que cansa. As pessoas hoje em dia querem aplicativos práticos e ágeis, acredito que seja mais uma moda”, ressaltou.

Lado psicológico

Por outro lado, apesar do aplicativo ser de uma maneira anônima e com a ideia de que as críticas tenham impacto positivo nas pessoas, a psicóloga Ana Éryka enfatizou que já que a maioria do público é de adolescente e que estão em um processo de descobrir o seu eu, o que ele quer e quais as pretensões de vida, os comentários negativos podem afetar os jovens.

“Um adolescente não está com o Ego totalmente formado e toda notícia que chega para o jovem é tudo muito novo, isso pode afetar negativamente porque eles podem não ter um suporte para receber críticas negativas”, disse Ana Éryka.

A psicóloga também informou que as consequências de comentários negativos podem ser inúmeras. “Pode baixar a autoestima deles, o adolescente pode ter uma distorção da imagem e não aceitação do corpo, uma sensação de inadequação e o mais grave ainda que é um insulto gratuito a violência”, ressaltou.

Ana Éryka também destacou que outro ponto grave no anonimato é que o adolescente pode não assumir as responsabilidades do que ele faz. “Ele vai lá, escreve o conteúdo e não assume nada. O jovem pode crescer com uma distorção do que é certo e errado. Ele vai achar que pode tudo, mas existe limites na vida”, finalizou.

Por Raíssa França com Amanda Falcão* 28/07/2017 às 12:06 Maceió
*estagiária

Fonte: http://www.cadaminuto.com.br/noticia/307509/2017/07/28/sarahah-novo-aplicativo-de-mensagens-anonimas-pode-gerar-pratica-de-cyberbullying#

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Estudo relaciona doença mental e bullying em jovens a uso excessivo de Internet

Um levantamento feito pelo instituto de políticas educativas do Reino Unido (EPI) encontrou uma correlação entre o uso excessivo de Internet e casos de bullying e doenças mentais em jovens. Segundo o estudo, jovens com uso extremo da rede tendem a sofrer mais bullying e têm maior probabilidade de ter doenças mentais.

O uso de Internet é considerado "extremo" quando os jovens passam mais de seis horas diárias conectados (além do tempo que usam a Internet na escola). No Reino Unido, 37,3% - mais de um terço - dos jovens de 15 anos se encaixam nessa classificação. Dentre os países da OCDE, o Chile é o único que teve mais jovens nessa categoria.

Mais Internet, mais tristeza

"Enquanto 12% dos jovens que não usam redes sociais têm sintomas de doenças mentais, esse número sobe para 27% entre aqueles que usam redes sociais por três horas diárias ou mais", diz o estudo. Como o The Next Web aponta, não fica claro se a doença mental leva os jovens a passar mais tempo nas redes ou se o uso mais intenso das redes gera os sintomas da doença.


Casos de bullying também eram mais comuns entre os usuários "extremos" de Internet do que entre o restante dos jovens. 18% deles alegaram que outras pessoas tinham espalhado boatos negativos sobre eles. Entre os jovens que ficavam três horas ou menos por dia na internet, essa porcentagem caía para 7%. Novamente, o levantamento não permitia afirmar que o uso intenso das redes era causa ou consequência dessa situação.

Restrição não é a solução

Por outro lado, como a BBC comenta, o estudo também alerta contra os riscos de se limitar ou restringir o uso de Internet dos jovens. Segundo a autora do levantamento, Emily Frith, essa restrição pode até proteger os jovens de algumas ameaças, mas também reduz as chances de que os jovens desenvolvam as habilidades digitais de que precisarão no futuro - incluindo aquelas necessárias para enfrentar essas ameaças.

Nessa perspectiva, Frith opina que o papel dos pais deve ser de oferecer apoio e ajuda aos jovens para enfrentar seus problemas. O governo também estaria implicado nesse caso: segundo o estudo, seu papel deve ser de "trabalhar com a indústria, escolas e famílias para melhorar o bem-estar emocional e a resiliência dos jovens, e garantir que as crianças são ensinadas e incentivadas a aprender habilidades digitais conforme têm seu primeiro contato com as redes sociais".

Outros estudos já haviam sugerido uma relação entre uso intenso de redes sociais e problemas mentais. Alguns psicólogos acreditam que as redes podem acelerar a 'fobia social', e há indícios de que padrões de uso de smartphone podem ajudar a detectar depressão em algumas pessoas. Há também indícios de que o Instagram seja a rede social que mais faz mal à saúde mental dos jovens.

GUSTAVO SUMARES | 04/07/2017 12H38

Fonte: https://olhardigital.com.br/noticia/estudo-relaciona-doenca-mental-e-bullying-em-jovens-a-uso-excessivo-de-internet/69484

terça-feira, 9 de maio de 2017

A diferença prática do cyberbullying para o bullying


E como é esse elemento de disparidade que faz com que sejam tão impactantes 13 Reasons Why, Baleia Azul, revenge porn e outros fenômenos modernos do tipo.


Se você der um Google em “cyberbullying”, encontrará definições como a do Conselho Nacional de Prevenção contra Crimes dos Estados Unidos: “o processo de usar a internet, celulares ou outros dispositivos para enviar posts, com textos ou imagens, com o intuito de machucar ou humilhar outra pessoa”. Só que verbetes desse tipo, de dicionários e afins, não ajudam, de fato, a compreender o fenômeno. O cyberbullying por muito tempo foi tratado com desdém – e ainda é, por alguns. Quem nunca ouviu argumentações como “mas ela pediu por isso, pois topou a foto”, quando se debatem casos como os de revenge porn, nos quais um criminoso (não há outra forma de ser chamado) vaza fotos íntimas (normalmente, de um(a) ex-amante) com o objetivo de tornar embaraçosa a vida alheia? Também há aqueles que – acredite! – defendem que o ódio virtual que valentões conectados espalham contra seus alvos, principalmente quando ambos os lados ainda estão na fase da adolescência, seria algo, digamos, “comum”. Já ouvi muito (inclusive, de ditos experts): “Não é diferente de quando, antes da era on-line, estudantes se zoavam na escola (o bullying ‘costumeiro’)”. Bobagem. Repito, e acrescento: bobagem irresponsável que acaba por alimentar e defender um comportamento que pode (literalmente) acabar com a vida de inocentes. O cyberbullying é um fenômeno de contornos trágicos, que tem impactado a sociedade, tanto no âmbito coletivo, quanto no individual / familiar. De uma forma nunca antes equiparada por outros tipos de agressões, como as “zoeiras” do colégio.

Quando eu tinha meus 12 anos, eu era um garoto nerd, típico alvo de bullying na escola. As humilhações eram várias: tirar meus óculos, zoar os pelos que começavam a crescer em meu rosto, passar rasteiras no intervalo de aulas, se agrupar com outros garotos para tirar minha camiseta e me jogar no lixo do pátio do colégio… enfim, era enorme a criatividade dos valentões. Entretanto, ainda era um sofrimento estritamente individual. Minha reação inicial, naquela idade, foi me distanciar ao máximo dos agressores – na verdade, por um tempo, de outros jovens, em geral –, isolar-me em meu quarto, com meu videogame e meu PC (com o qual, admito, realizava traquinagens, hackeando o computador daqueles que me enchiam na vida real), e distrair-me com atividades que eu podia fazer sozinho, em busca de um ponto de equilíbrio. Depois de um período apelando a essa tática de solidão, retornei ao mundo, mais preparado e balanceado, e enfrentei os bullies.

Dei a volta por cima. Encarei o problema sozinho e tive a opção de apagá-lo da memória; não só da minha, mas também da coletiva. Naquela época (anos 90), ninguém poderia rever, em meu Facebook, Twitter, ou perfil no YouTube, o mal que cheguei a sofrer. Um que, para um adulto, pouco significado tem. Mas, para a criança que fui, era devastador.

Essa é uma das maiores gravidades do cyberbullying. Hoje, o assédio não é mais restrito a um canto de um corredor no colégio. Ele se tornou público e impossível de ser deletado. Fica na memória, para sempre, circulando pelas redes sociais.

Tome como exemplo uma história relatada em reportagem recente de VEJA acerca de como os haters têm tomado a internet de assalto. No caso, a estudante L.P. (menor de idade, por isso as siglas), de 15 anos, admitiu ter promovido uma campanha de cyberbullying contra uma menina que era seu desafeto no colégio. L.P. se uniu a outras quatro meninas para espalhar mentiras, criticar o corte de cabelo, humilhar seu alvo. O comportamento agressivo começou na escola, mas logo migrou para o ambiente digital. Foi na rede que tomou dimensões extremamente danosas. A garota que sofreu os ataques se viu isolada, e teve de mudar de escola. A agressora demorou a notar o dano que causava. Quando finalmente se tocou do mal que havia feito à colega, recorreu a uma psiquiatra para lidar com a situação; e, no fim, também ela escolheu pedir transferência de colégio. Tanto quem atacou, quando quem se viu atacado, sofreu as consequências do cyberbullying.

Há, ainda, situações mais extremas. Como quando, em 2010, o estudante americano Tyler Clementi, de 18 anos, cometeu suicídio após seu colega de quarto na faculdade ter transmitido, ao vivo, pela internet, um encontro sexual que ele teve com outro garoto. No Canadá, em 2010, outra adolescente, Amanda Todd, de 15 anos, também protagonizou tragédia similar: matou-se, depois de ler uma carta de despedida no YouTube, por efeito da depressão causada por um hater que vazou fotos dela nua.

Segundo uma pesquisa recente, 75% dos jovens americanos já se depararam com casos de cyberbullying. Enquanto 30% relataram ter sido alvo das agressões virtuais, apenas 12,5% admitem ter praticado os ataques (um número evidentemente subestimado, pois se acredita que a maioria não assume o crime). O que piora ainda mais a situação é que as vítimas não deixam de acessar as redes sociais – aliás, quase 90% desses mesmos adolescentes têm perfis no Facebook; e é de se imaginar que uma grande parcela dos outros 10% deve ter conta no Twitter, no YouTube, ou em alguma outra plataforma similar. Eles não se afastam, como poderia ser de se esperar, da vida on-line. Pelo contrário, tendem a viciar nesses sites, isolando-se cada vez mais, e muitas vezes entrando em um triste ciclo de ódio a si mesmo.

É como me disse, certa vez, a psicóloga e socióloga americana Sherry Turkle, professora do conceituado MIT, e autora do livro Alone Together (Sozinho Juntos), referência nesse tema: “As mídias sociais passam uma impressão ilusória de que estamos sempre acompanhados, respaldados. Então, mesmo quando um jovem sofre nesse ambiente, ele acha que só recorrendo a esse mesmo espaço é que conseguirá se livrar de seus problemas. No fim, acaba por se isolar cada vez mais do mundo real”.

Essa síndrome é o que faz nascer atrocidades como o jogo Baleia Azul. Aquele no qual, por meio de grupos digitais, seja no WhatsApp ou no Facebook, promovem-se uma série de provas a adolescentes; nas quais eles têm de realizar (e filmar) uma série de mutilações, que culminariam no suicídio. Vale frisar que ninguém sabe a origem certa dessa atrocidade; nem se ela existe, de fato, ou se virou um daqueles mitos urbanos que são seguidos por jovens perturbados. O que se sabe é que a internet não só faz nascer esses fenômenos perigosos, como os agrava. Vide, por exemplo, um estudo detalhado em reportagem de VEJA desta semana: segundo ele, o uso das novas tecnologias prejudica a saúde mental de adolescentes, agravando distúrbios que já possuíam. Em outras palavras, quanto mais eles mergulham no mar virtual, mais difícil é sair dele (e, pior, sair dele são e salvo). 

Nesses contornos, não fica exagerado o cenário pintado pela protagonista da série popular e polêmica 13 Reasons Why (13 razões para), do Netflix. Nela, em determinado episódio, a protagonista, uma adolescente, aponta como um dos motivos para se suicidar a forma como ela teve sua intimidade desnudada em Facebook, Snapchat, Instagram, por meio de uma prática usual de cyberbullying. Não muito longe dos casos reais relatados neste post.

A internet, em especial para a geração que já nasceu com ela, tem se assemelhado cada vez mais a uma distopia no estilo 1984 – o clássico romance de ficção científica, do britânico George Orwell (1903-1950), que apresentou, por exemplo, o conceito de Big Brother. Chamam a atenção dois elementos da ficção que hoje podem ser vistos no Facebook. O primeiro era o chamado “dois minutos de ódio”. Tratava-se, em 1984, de um ritual no qual os habitantes dessa realidade maluca destilavam sua raiva, xingando e vilipendiando os alvos do regime. Numa lógica que se parece demais – e isso é aterrorizando – com o cyberbullying. O segundo conceito desenhado em 1984, e que tem muito a ver com esse universo de Facebook e afins, é o do “duplipensamento”. O termo expressa a convivência, em espantosa harmonia, de duas ideias conflitantes. No cenário orwelliano, o duplipensamento era uma das formas de controle social executadas pela autocracia. No caso do Facebook, é perfeito para descrever como, ao mesmo tempo em que os jovens se sentem mais próximos de gente que pensa como eles, que os defende, quando acessam as redes; eles também, nessas mesmas redes, têm contato constante com o ódio (cada vez mais direcionado a tudo e a todos).

Com isso, temos nos visto rodeados por um mundo que assustadoramente parece ter sido extraído de um episódio – daqueles de dar calafrio – da ótima (e polêmica, também) série Black Mirror, do Netflix. O que é preciso se perguntar: como queremos viver – e sobreviver – nessa nascente distopia digital? Destilando raiva, mentiras, fofocas, ódio; ou combatendo-os?

Por Filipe Vilicic
6 maio 2017, 16h45 - Atualizado em 6 maio 2017, 17h03

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/a-origem-dos-bytes/a-diferenca-pratica-do-cyberbullying-para-o-bullying/

terça-feira, 21 de março de 2017

“O meu agressor anda comigo no bolso”

As ofensas, os e-mails difamatórios, as fotografias tiradas no balneário. Na era da internet, o bullying é uma mancha negra permanente. Nada se esquece e tudo se compartilha.


Já não é só das nove às cinco. É todo o dia e toda a noite, e acontece dentro de um objeto que transportamos para todo o lado. “O meu agressor anda comigo no bolso”, ouviu Rosário Carmona, psicóloga que acompanha crianças e jovens vítimas de abuso, um dia, no seu gabinete. O bullying é um fenómeno que existe em todas as escolas do mundo e desdobrou-se, com a chegada da internet , no cyberbullying. O gozo, a ofensa, a violência psicológica, as críticas, as ameaças e a chantagem acontecem 24 horas por dia, sete dias por semana, no ecrã de um telemóvel do qual os jovens estão cada vez mais dependentes. O cordão que os liga ao mundo onde estão os seus agressores serve também como principal escape a essa agressão.

As marcas não desaparecem nunca, porque da internet nada desaparece nunca. O direito ao esquecimento é fundamental para quem sofre de cyberbullying, já foi aprovado por todos os países da Europa, mas é preciso que o caso chegue a tribunal. A lei, em Portugal, já considera o bullying e o cyberbullying como crimes, puníveis com pena de prisão até cinco anos quando o agressor é maior de 16 anos.

O principal risco para as crianças é que os pais e os educadores por vezes relativizam este tipo de violência como uma coisa banal, como só mais uma parte de se ser adolescente. Só que o bullying acontece nas idades que nos definem, naquela altura em que ter muitos amigos, ser convidado para festas de aniversário, ou ser escolhido em primeiro lugar para as equipas na aula de Educação Física são as batalhas mais importantes do mundo. O bullying não é apenas gozar com miúdo que é mais baixo que os colegas de turma. É um ataque sistemático e premeditado a alguém que vai deixando de acreditar, à medida que lhe espezinham a auto-estima, que é digno de amor e respeito no futuro.

O bullying é um problema sério, com uma influência direta e documentada nas tendências suicidas dos jovens de todo o mundo. Em Portugal este fenómeno ainda não está bem estudado, até porque os pais e os educadores precisam de mais formação para identificarem os alertas nas crianças e para estarem atentos ao que se passa dentro dos computadores e dos telemóveis. “É essencial que os professores e os pais entendam que aquele miúdo mais calado ao fundo da sala, que chega a casa com dores de cabeça e dores de barriga pode não ser apenas uma criança tímida mas sim uma criança que já não comunica com medo de ser gozada”, defende, numa entrevista ao Observador, Rosário Carmona. A psicóloga será uma das oradoras no debate “Novas tecnologias: Uso ou abuso?” que acontece este sábado, em Aveiro, organizado pelo SIPE – Sindicato Independente de Professores e Educadores.

Na semana passada, o caso da adolescente de Ponte de Lima que fugiu de casa cinco dias para se ir encontrar com um rapaz de 24 anos que já tinham sido identificado pela Polícia Judiciária como alguém “com perfil de predador online”, voltou a colocar a questão da segurança dos jovens no meio digital em primeiro plano. Infelizmente, já nem é possível contar os casos de homens — e algumas mulheres — que fingem serem outras pessoas na internet para aliciar jovens a enviar fotografias e vídeos em situações comprometedoras. Alguns chegam mesmo a convencer as vítimas a marcar um encontro, e não é preciso dizer o perigo que isso acarreta — ou é? “É sim. Parece óbvio para um migrante digital, que tem noção do que é a interação social antes da internet, mas nas redes sociais as coisas parecem sempre relativamente inofensivas. É só uma mensagem, qual é o problema? Se um homem nos abordar na rua começamos a correr ou chamamos a polícia, mas na internet expomo-nos mais, baixamos as defesas, somos desconhecidos, até podemos ser anónimos. Esta é a realidade de muitos adultos, e de muito mais crianças”, explica Rosário Carmona.

“O papel dos professores é essencial e a formação de professores e auxiliares tem que ser uma prioridade nas escolas”, defende, na mesma sala, Júlia Azevedo, presidente do SIPE. “A tecnologia é ensinada em aulas específicas, mas como estamos sempre a correr para dar o programa resta pouco tempo para incluir nas aulas essas advertências essenciais em relação aos perigos que se escondem em algo que os alunos utilizam todos os dias”. Na opinião da professora, falta “flexibilidade de horários e conteúdos”. Rosário Carmona e Júlia Azevedo já têm ideias. Por exemplo, nas aulas de Português ou Psicologia um dos trabalhos podia ser conduzir uma entrevista com um especialista em cyberbullying, e, em Matemática, construir um gráfico com a evolução da prevalência deste problema nos vários países da Europa”, dizem à vez.

"As formas de subjugação e violência possíveis na internet são inúmeras. Por exemplo, um agressor pode criar uma página na internet e colocar insultos ou fotos da vítima, ou então pode fazer circulá-las pelo Whatsapp ou outro chat, ou criar grupos fechados por exemplo no Facebook onde circulam comentários ofensivos à pessoa alvo do cyberbullying".
Rosário Carmona, psicóloga clínica especializada em problemas da juventude 

Alguns dos casos mais conhecidos chegam-nos pela imprensa estrangeira. Amanda Todd tinha 15 anos quando se suicidou, em 2012, em sua casa, depois de uma fotografia do seu peito ter sido partilhada por um homem que a chantageou por mais de dois anos. Aydin Coban, o agressor de Amanda, foi preso na quinta-feira e vai passar 11 anos na prisão. Também Jessica Logan, uma jovem de 18 anos de Cincinnati, escolheu acabar com a própria vida depois uma imagem do seu corpo nu ter sido partilhada centenas de vezes pelo namorado na rede social pré-Facebook, o MySpace, depois de ela ter terminado a relação. A chantagem está quase sempre subjacente a esta forma de violência e os golpes chegam de várias direções.

“As formas de subjugação e violência possíveis na internet são inúmeras. Por exemplo, um agressor pode criar uma página na internet e colocar insultos ou fotos da vítima, ou então pode fazer circulá-las pelo Whatsapp ou outro chat, ou criar grupos fechados por exemplo no Facebook onde circulam comentários ofensivos à pessoa alvo do cyberbullying“, diz Rosário Carmona.

Os jovens que chegam ao seu consultório trazem histórias que a ficção não conseguiria conjurar. Rosário Carmona conta a história de um jovem que é vítima de cyberbullying e que sabe perfeitamente que existe um grupo no Facebook criado para dizer mal dele. “Às vezes, os seus agressores concedem-lhe acesso, outras vezes bloqueiam-no. Numa das consultas ele disse-me que não sabia se era pior estar lá dentro e ler o que diziam dele, ou se era quando não podia ver, porque ficava horas a imaginar as coisas horríveis que estariam a circular”, exemplifica a psicóloga que além de um jogo de tabuleiro para tentar que as crianças e os pais se reúnam à volta destas questões tem um livro de perguntas e respostas para educadores e pais — “iAgora?” — que deve sair no início de abril.
"Para um migrante digital é óbvio que a internet representa um outro mundo, porque existe a noção do que é ou foi a interação social antes da internet mas nas redes sociais as coisas parecem sempre relativamente inofensivas. É só uma mensagem, qual é o problema? Se um homem nos abordar na rua começamos a correr ou chamamos a polícia mas na internet expomo-nos mais, baixamos as defesas, somos desconhecidos, até podemos ser anónimos".
Rosário Carmona, Rosário Carmona, psicóloga clínica especializada em problemas da juventude 

Apesar de não existirem estudos exaustivos realizados recentemente no nosso país, existe um publicado em 2014 (comparando dados de 2010 e 2014) pelo EU Kids Online, uma plataforma financiada pela União Europeia e sediada na London School of Economics que estuda os hábitos de utilização da internet dos jovens europeus, em parceria com um outro projeto com o mesmo objetivo, o Net Children Go Mobile. Os investigadores entrevistaram 28 mil jovens e a conclusão é que o fenómeno está a crescer. Em Portugal, Dinamarca, Itália, Irlanda, Roménia, Bélgica e Reino Unido, os sete países analisados, os dados mostram um aumento dos oito para os 12 por cento.

O crescimento aconteceu sobretudo entre as raparigas, e entre o grupo mais jovem do estudo (nove aos 16 anos). Outro dado preocupante é que o contacto com imagens ou informação de cariz sexual através das redes socais também aumentou (de 26 para 28%) na mesma faixa. Em quatro anos, as raparigas, que já eram o grupo mais vulnerável, ficaram ainda mais expostas (de 12 para 19 por cento).

Cristina Ponte, uma das investigadoras da equipa que tratou os dados dos jovens portugueses no estudo, destaca que, no nosso país, o dado mais interessante é que as crianças têm um acesso à internet quase universal, o que também acaba por os expor mais a mais riscos.

Já em 2016, Tito de Morais, autor do “Cyberbullying, Um Guia para Pais e Educadores” e fundador da página Miúdos Seguros na Net, disse que a violência propagada pelo espaço digital “atinge hoje entre 10 a 20% dos jovens portugueses mas “mas a sua verdadeira prevalência não se conhece”.

Repercussões perpétuas

Nos recreios dos idos anos 90, e nos de todas as décadas que lhe antecederam, as ofensas resolviam-se disferindo uma pior, ou, no máximo, um soco. A vergonha, fora nos casos mais graves, fazia mossa apenas até ao próximo miúdo ser gozado, ou pelo menos cessava quando a vítima se libertava das paredes das escola. Agora, o palco para este tipo de violência é, potencialmente, todo o mundo.

“Para que exista uma situação de bullying a violência tem que ser intencional, persistente e tem que haver um desequilíbrio de poder. Na internet tudo isto é mais fácil, mais rápido e mais abrangente”, explica Rosário Carmona, que completa com um exemplo.

“Uma das adolescentes que eu acompanho confessou que decidiu, com uma amiga, criar um email em nome de uma outra rapariga da escola e escrever, a partir daquele e-mail falso, e-mails para todos os rapazes da turma oferecendo-se para dormir com eles. Isto causa problemas complicados de perceção, e essa ‘fama’ é de uma grande violência para as raparigas nestas idades”.

Uma criança que seja vítima de cyberbullying não consegue ver um fim para o seu sofrimento e por isso “o risco de suicídio aumenta três vezes em relação ao bullying presencial”, diz Rosário Carmona.

O palco alarga-se e o controlo escorre-lhes das mãos. “Há duas características principais que distinguem os dois tipos de bullying. Uma é o palco e outra é o controlo. Uma fotografia comprometedora na internet pode ser partilhada centenas de vezes em poucos segundos, adquire uma exposição muito mais vasta, o palco é infinito. Por outro lado, o controlo deixa de existir como o conhecemos. Estou a ser agredida mas não o consigo evitar, não o consigo enfrentar. Não sei quem fez o site sobre mim, ou o print screen, quem publicou as ofensas ou as fotos, quantas pessoas viram, ou quando vai parar”, diz a psicóloga que há mais de uma década acompanha dezenas de jovens que todos os dias sofrem com este tipo de abuso cobarde e anónimo.
Terra de ninguém

Tal como na maioria dos casos de abuso fora dos meios digitais, as vítimas muitas vezes optam por não recorrer à ajuda dos pais, nem dos professores. Fecham-se, porque anteveem o pior caso denunciem os seus agressores: temem, em primeiro lugar, que a agressão se intensifique, depois têm vergonha de contar os abusos em si. Quando a vítima deixa de reagir ao abuso e depois volta a reagir, sem querer, está a ensinar ao agressor a partir de que ponto é que começa a obter uma reação “, diz Rosário Carmona.

Esperam que passe. Os pais, mesmo os que sabem, esperam que passe. “Só que raramente passa e os pais tendem a ignorar”, diz a psicóloga. Às vezes, na tentativa de ajudar, ainda causam mais ansiedade. “Alguns pais optam por retirar o computador, ou o acesso às redes sociais, ou o telemóvel. Alguns miúdos dizem-me que não falam com os pais porque têm a certeza que eles lhe vão retirar o telefone. Só que impedir o uso do telefone muitas vezes ainda desestabiliza mais”.

Isto apesar de Rosário Carmona defender uma restrição ao uso da internet e aconselhar que os pais controlem o que os filhos consultam, incluindo pedindo-lhes as passwords para as redes sociais, prometendo respeitar a privacidade e intervindo apenas em situações suspeitas. Alguns pais também lhe dizem que “não se querem meter” porque “não sabem utilizar muito bem a internet” mas, na opinião da psicóloga, os pais não precisam de saber utilizar redes sociais, ou qualquer outra plataforma, para proibirem alguma coisa que está claramente a afetar o comportamento dos seus filhos, ou pode colocá-los em perigo, ou quando têm alguma suspeita de que estejam a ser sujeitos a algum tipo de violência”.

A internet são fios invisíveis. Fios que ligam toda a gente sem que ninguém perceba quem está ligado a quem. “É muito possível que uma situação de cyberbullying se passe durante muito tempo sem ninguém reparar, porque muitas vezes os agressores não ofendem publicamente. Uma das minhas pacientes estava sentava nas aulas na mesma carteira que a sua agressora e aquilo deixava-a tão angustiada que começou a baixar consideravelmente o seu aproveitamento escolar”. Só mais um exemplo.

O cyberbullying, diz Rosário Carmona, é uma “terra de ninguém” porque “a escola não quer assumir o problema e os pais não sabem o que se passa, por isso também não agem. É por isso que a formação e a educação das crianças é tão importante. É absolutamente essencial que os pais saibam ensinar aos jovens as competências para lutarem eles contra isto: assertividade, interação, tolerância à frustração, regulação do comportamento e adiamento da recompensa”, explica.

O que isto quer dizer, basicamente, é que há ferramentas que ajudam a lutar contra todas as adversidades da vida, e que os jovens estão a perder, porque hoje a regulação dos comportamentos é sempre feita através de um estímulo externo. Depende-se do iPad para uma criança comer, por exemplo, o que quer dizer que a paciência para esperar, a capacidade para esperar pela resolução de uma situação desagradável, a resiliência, tudo isto está em causa quando falamos não do uso mas do abuso da utilização da internet.

Rosário Carmona pergunta a Júlia Azevedo em que deve focar a apresentação que irá fazer em Aveiro. “Sinais de alerta, sinais de alerta, sinais de alerta”, responde a professora, que não se cansa de frisar que a formação é essencial para todos os membros da comunidade escolar que têm de estar preparados para identificar estes alunos. “Tanto as vítimas como os agressores”, diz a professora, “porque os agressores, muitas vezes já foram vítimas e as vítimas estão a um click de se tornarem agressores”.

Por Ana França
Imagem: reprodução

Fonte: http://observador.pt/especiais/o-meu-agressor-anda-comigo-no-bolso/

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

CYBERBULLYING: 39 MIL PÁGINAS DA WEB SÃO DENUNCIADAS POR VIOLAR OS DIREITOS HUMANOS EM 2016



A organização não-governamental (ONG) SaferNet recebeu em 2016 denúncias contra 39,4 mil páginas da internet por violações de direitos humanos. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira, o conteúdo estava hospedado em 61 países, sendo que 58,9% estava em inglês e 24,2% em português. Após as reclamações, 11,9 mil endereços foram removidos pelos servidores. O serviço de denúncia é operado em parceria com o Ministério Público Federal e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

As denúncias sobre indícios de pornografia infantil envolvem 17,6 mil endereços virtuais. Sobre racismo, chegam a 11,4 mil páginas e incitação de crimes contra a vida totalizam 5,2 mil casos.

Cyberbullying e sexting

O canal de ajuda da Safernet, que oferece orientação e auxílio ao usuário, recebeu ao longo do ano passado 312 pedidos relacionados à intimidação ou discriminação na rede, o chamado cyberbullying. Quantidade semelhante às solicitações de apoio por vítimas do vazamento de fotos e vídeos íntimos, prática conhecida como sexting.

– Em uma série histórica de 10 anos é a primeira vez que o cyberbullying ocupa primeiro lugar. Há um reflexo da própria polarização crescente no mundo e no Brasil. Então, a internet como caixa de ressonância na sociedade, acaba reverberando esse sentimento que está presente e que tem crescido, de intolerância, de não respeito às diferenças – enfatizou o presidente da Safernet, Thiago Tavares.

Ainda sobre os pedidos de ajuda recebidos pela ONG, foram 273 solicitações de pessoas que tiveram problemas com dados pessoas, como contas virtuais invadidas ou vazamento de informações. Há ainda o registro de 128 casos de pessoas que relatam sofrimento devido a conteúdos de ódio e violência.

A rede tende, como explica Tavares, a amplificar os efeitos de comportamentos nocivos. No caso do bullying, por exemplo, a intimidação que poderia ficar restrita a um espaço é multiplicada e ganha permanência. 

– Muitas das humilhações que aconteciam na hora do recreio se perpetuam na rede por dias, semanas, meses. Se propagam para muito além dos muros da escola – analisa o presidente da Safernet.

Orientação

Em relação ao vazamento de fotos ou vídeos que podem gerar constrangimento, Tavares acredita que a melhor maneira de evitar o problema é alertando os jovens sobre os riscos do compartilhamento sem reflexão. 

– É preciso mostrar às crianças que, uma vez que o conteúdo é produzido e compartilhado, você não tem controle sobre o uso que será dado àquele conteúdo – acrescentou.

Para orientar os usuários nesse sentido, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Nic.br) lançou hoje uma série de guias para pais, educadores e jovens sobre comportamento no ambiente virtual. Entre os temas abordados estão justamente o cyberbullying (intimidação ou perseguição virtual), o racismo, o discurso de ódio, os nudes (fotos íntimas) e o sexting (vazamento de imagens íntimas). O material está disponível gratuitamente na internet.

Além das orientações gerais, o material contém exemplos elaborados a partir de situações reais que tiveram repercussão midiática. 

– A gente pegou esses casos, fez uma simulação de conversa e acabou fazendo histórias para que as pessoas vejam que aquilo faz parte da vida real, do dia a dia – destacou a assessora jurídica do Nic.br, Kelli Angelini.

As cartilhas abordam os temas pelo aspecto da prevenção, para evitar que os jovens sejam vítimas dessas situações, mas também informam como se deve reagir nesses casos. 

– O melhor mecanismo para coibir isso é a instrução. Você instruir esses adolescentes que há punição se for feito isso e também fazer com que eles se coloquem no lugar das vítimas – disse Angelini.

07/02/2017- 20h40min - Atualizada em 07/02/2017- 20h40min

Fonte: http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2017/02/em-um-ano-39-mil-paginas-na-web-sao-denunciadas-por-violar-os-direitos-humanos-9715752.html

Foto: Por acaso

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Site permite fazer "bullying" virtual com usuários da PSN



Um site chamado "Spam PSN" tem oferecido um serviço bastante controverso: por meio dele, é possível escolher um perfil da PlayStation Network para receber uma sequência de 25 mensagens de perfis fantasmas. O procedimento pode ser repetido a cada três minutos e por indefinidas vezes.

Isso tem sido usado para uma espécie de "bullying" virtual: um uso comum é enviar esse pacote de mensagens para algum desafeto ou adversário em partidas online. A situação é especialmente desagradável para jogadores que deixam as notificações de mensagens ativadas.

No próprio site, porém, há uma opção para quem não quiser ser incomodado por mensagens de spam provenientes do serviço: por meio de um pagamento de US$ 1, é possível colocar o seu nome de usuário na PSN em uma "lista negra", o que impossibilita que o nome seja alvo do ataque. Da mesma forma, é possível assinar uma versão "Pro" do serviço, que permite mandar quantas mensagens quiser sem o tempo de espera de três minutos.

Em entrevista ao site Kotaku, um dos criadores do site disse que a ideia era que o serviço fosse utilizado "para quem quisesse zoar seus amigos". O resultado, porém, foge bastante disso, uma vez que ele tem sido usado para ofensas de todo tipo.

Essa postura tóxica, segundo os criadores do site, tem sido combatida com o banimento constante de usuários. Não é difícil imaginar, porém, que isso é algo que está bem além do controle desses desenvolvedores, uma vez que o envio dos spams é feito de maneira anônima.

Além de desativar as notificações de mensagens, uma forma de evitar o problema é ativar a opção de privacidade que permite o recebimento de mensagens apenas se elas forem provenientes de sua lista de amigos.

Procurada pelo Kotaku, a Sony não se manifestou sobre o tema.

Do UOL, em São Paulo 30/01/201716h20

Fonte: https://jogos.uol.com.br/ultimas-noticias/2017/01/30/site-permite-fazer-bullying-virtual-com-usuarios-da-psn.htm

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Pesquisadores mapeiam mortes por selfies no mundo e criam app para evitá-las



Pesquisadores americanos estão desenvolvendo um aplicativo que promete ajudar a reduzir o preocupante número de pessoas que morrem a cada ano tirando selfies.

O aplicativo, ainda em fase de testes, avisa quando as pessoas estão em situação em risco.

Em um estudo, os pesquisadores apontam que 15 pessoas morreram por causa de selfies em 2014, 39 em 2015 e 73 nos primeiros oito meses de 2016.

O estudo, conduzido pelo estudante de doutorado Hemank Lamba e por uma equipe de amigos da universidade de Carnegie Mellon em Pittsburgh, nos Estados Unidos, também mapeia os locais e causas das mortes, em vários lugares do mundo.

O que eles descobriram?



O primeiro registro (de uma fonte confiável) de alguém que morreu por causa de uma selfie é de março de 2014.

Desde então, Hemank e sua equipe de pesquisadores descobriram que foram registradas 127 mortes em razão de selfies em todo o mundo.

76 ocorreram na Índia, nove no Paquistão, oito nos Estados Unidos e seis na Rússia. O estudo não registrou nehuma morte por selfie no Brasil. 

A causa mais provável de morte é por queda de uma grande altura, com pessoas indo até penhascos e topos de prédios para tirar selfies e impressionar seguidores nas mídias sociais.



Quanto melhor a selfie, mais curtidas e seguidores você pode conseguir em mídias sociais como o Instagram. 

Assim, não é suficiente apenas tirar uma foto no espelho. 

Um russo chamado Kirill Oreshkin, seguido por 17.900 pessoas, é conhecido por suas fotos em cima de edifícios. 

Outros usuários do Instagram, como Drewsssik, também conquistaram um grande números de seguidores com imagens tiradas em cima de estruturas altas. Ele morreu em 2015 depois de cair de um edifício.Direito de imagem

Além do caso de Drewsssik, há o de uma menina russa de 12 anos, conhecida como Oksana B, que morreu em outubro de 2016 depois de subir em uma varanda para tirar uma selfie.
Quais são as causas de morte em diferentes partes do mundo?

Na Índia, há mais mortes por selfies envolvendo trens, o que Hemank e sua equipe disseram estar relacionado à "crença de que posar sobre ou perto dos trilhos com seu melhor amigo é considerado romântico e um sinal de uma interminável amizade".

Nos EUA e na Rússia, uma grande proporção das mortes ocorreu por causa do uso de armas, o que os pesquisadores acreditam estar ligado às leis mais liberais dos dois países quanto ao porte. 

O que pode ser feito sobre as mortes causadas por selfies?

Hemank e sua equipe esperam desenvolver um aplicativo que alertará os tiradores de selfie quando a busca pela melhor foto coloca sua vida em perigo.

Eles esperam que o aplicativo seja capaz de identificar quando alguém está tirando uma foto em um ponto alto, perto de trilhos de trem ou em outras situações perigosas e alertá-los sobre um possível risco.

Isso seria feito por meio de uma combinação de serviços de localização e reconhecimento de partes de imagem que sugerem um local inseguro.



A equipe testou 3000 selfies com um algoritmo desenvolvido por ela. Os pesquisadores afirmam que há uma taxa de sucesso de mais de 70% quando se trata de identificar uma foto arriscada.

Mas eles ainda estudam a melhor forma de fazer o alerta, para evitar que uma situação de perigo se tornar ainda mais perigosa.

18 novembro 2016

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-38021924