quinta-feira, 30 de março de 2017

Mãe toma o celular do filho e é processada por ele





Um adolescente de 15 anos processou a própria mãe depois que esta lhe tomou o celular para que ele parasse de jogar e se concentrasse nos estudos.

O caso aconteceu em Almería, na Espanha. Era 28 de fevereiro, quando se comemora o Día de Andalucía e, portanto, feriado. O site La Voz de Almería reporta que María Angustias H. H, de 37 anos, queria que o filho largasse o aparelho; como ele não o fez, ela decidiu pelo confisco, o que fez com uso "leve" de força, segundo afirma.

Inconformado, o garoto procurou a Guarda Civil e abriu uma acusação formal contra a mãe junto ao Ministério Fiscal por maus tratos em âmbito doméstico. Ele pedia que María passasse nove meses encarcerada e arcasse com os custos processuais.

O caso foi parar nas mãos de Luis Miguel Columma, magistrado do Penal 1, que não só absolveu a mãe como ainda lembrou que a lei exige que ela tome atitudes como aquela, já que é dever dos responsáveis garantir que as crianças e adolescentes do país tenham boa educação.

"Ela não seria uma mãe responsável se permitisse que seu filho se distraísse com o celular e falhasse nos estudos", afirmou Columma na sentença, conforme reporta o The Local.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Colégio deve pagar R$ 13 mil a aluna que ficou gaga após bullying no Orkut


Estudante sofria com comentários a respeito do seu biotipo, diz magistrada. Jovem teria passado a se isolar e ter problemas de fala após sofrer bullying.


A Justiça de Mato Grosso condenou um colégio particular de Cuiabá a indenizar em R$ 13 mil uma aluna que sofreu 'bullying' por parte de colegas da escola onde permaneceu estudando por mais de três anos, durante o ensino fundamental. Consta no processo que as ofensas pelo tipo de cabelo e a cor de pele da aluna ocorriam dentro da unidade de ensino e também em sua página pessoal, na rede social Orkut, conforme consta no processo.

A condenação em primeira instância ocorreu em maio de 2016, mas tanto o colégio quanto os pais da aluna recorreram da decisão junto ao Tribunal de Justiça. A unidade de ensino tentou reverter a decisão e os pais visavam aumentar o valor da indenização. Os recursos foram rejeitados e a sentença foi mantida pela Sexta Câmara Cível em fevereiro deste ano.

O G1 tentou, mas não conseguiu contato com a advogada do colégio e com a defesa da aluna. No processo, o colégio alegou desconhecimento da situação vivenciada pela estudante, afirmando que ela nunca teria demonstrado descontentamento ou reclamação referente à bullying. A decisão ainda cabe recurso.

Consta no processo que a aluno frequentou a escola entre os anos de 2007 e 2009, período em que cursou o 3º, 4º e 5º anos do ensino fundamental. Segundo os pais da aluna, até os 11 anos ela era “ativa, feliz, cantava e dançava no grupo da igreja”, mas mudou drasticamente o comportamento após ingressar no colégio.

“Desde então, passou a apresentar comportamento diverso, permanecendo calada e trancada em seu quatro por longo período, evitando se relacionar com a família, amigos e parentes, além de baixa autoestima e gagueira”, diz trecho do processo.

Conforme a mãe da vítima relatou no processo, os colegas de escola “tiravam sarro” da sua filha pela cor de pele e pelo cabelo dela, razão pela qual a menina passou a questionar o seu biotipo, se sentia inferior e dizia não mais querer frequentar o colégio, bem como se recusava a participar de trabalhos escolares em grupo, preferindo fazer as atividades sozinha.

Em seu voto, a desembargadora Cleuci Terezinha Chagas do recurso (4ª vogal), cujo voto de vista guiou o julgamento, ressaltou que os pareceres emitidos pelos profissionais técnicos da área de psicologia e fonoaudiologia confirmam que a estudante foi vítima de bullying no período em que passou matriculada no colégio.

“Com efeito, desse laudos é possível constatar que além de a autora ter sido vítima de intimidação sistemática, essa violência resultou em danos psicológicos, com alteração de comportamento, dificuldade de relacionamento e problema na fala”, afirmou a magistrada.

A desembargadora ressaltou, em seu voto, um parecer anexado ao processo, dado por uma psicóloga procurada pela mãe após um ano de discriminação sofrida pela filha.

O documento aponta que, devido aos episódios sofridos, a menina “tem dificuldade em lidar com sua imagem, comprometimento de sua autoestima, sentimentos de inferioridade, inibição, timidez, tendência em vivenciar as fantasias como necessidade de fugam isolamento de contato interpessoal e interação com o ambiente, insegurança, sentimento de inadequação aos ambientes extra familiar e apresenta ainda gagueira por ansiedade”.

Segundo a magistrada, a ocorrência de bullying também restou comprovada nos “comentários depreciativos e perseguições” feitos por colegas de sala nas fotos publicadas pela estudante em sua conta no Orkut.

A desembargadora ressaltou, ainda, que em diversas ocasiões a mãe noticiou o colégio sobre a exclusão social e a perseguição que a aluna suportava no local e que a escola encarou a situação como mera timidez e problema de relacionamento da aluna.

“Tal fato demonstra mais uma vez que a instituição de ensino tinha conhecimento de que havia algo de errado acontecendo com a estudante, pois, embora seja normal uma pessoa ser tímida, não se pode dizer o mesmo de uma adolescente que está evitando os colegas e o convívio social dentro da escola”, afirmou.



Lislaine dos Anjos
Do G1 MT

Fonte: http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2017/03/colegio-e-condenado-pagar-r-13-mil-aluna-vitima-de-bullying-no-orkut.html

terça-feira, 21 de março de 2017

“O meu agressor anda comigo no bolso”

As ofensas, os e-mails difamatórios, as fotografias tiradas no balneário. Na era da internet, o bullying é uma mancha negra permanente. Nada se esquece e tudo se compartilha.


Já não é só das nove às cinco. É todo o dia e toda a noite, e acontece dentro de um objeto que transportamos para todo o lado. “O meu agressor anda comigo no bolso”, ouviu Rosário Carmona, psicóloga que acompanha crianças e jovens vítimas de abuso, um dia, no seu gabinete. O bullying é um fenómeno que existe em todas as escolas do mundo e desdobrou-se, com a chegada da internet , no cyberbullying. O gozo, a ofensa, a violência psicológica, as críticas, as ameaças e a chantagem acontecem 24 horas por dia, sete dias por semana, no ecrã de um telemóvel do qual os jovens estão cada vez mais dependentes. O cordão que os liga ao mundo onde estão os seus agressores serve também como principal escape a essa agressão.

As marcas não desaparecem nunca, porque da internet nada desaparece nunca. O direito ao esquecimento é fundamental para quem sofre de cyberbullying, já foi aprovado por todos os países da Europa, mas é preciso que o caso chegue a tribunal. A lei, em Portugal, já considera o bullying e o cyberbullying como crimes, puníveis com pena de prisão até cinco anos quando o agressor é maior de 16 anos.

O principal risco para as crianças é que os pais e os educadores por vezes relativizam este tipo de violência como uma coisa banal, como só mais uma parte de se ser adolescente. Só que o bullying acontece nas idades que nos definem, naquela altura em que ter muitos amigos, ser convidado para festas de aniversário, ou ser escolhido em primeiro lugar para as equipas na aula de Educação Física são as batalhas mais importantes do mundo. O bullying não é apenas gozar com miúdo que é mais baixo que os colegas de turma. É um ataque sistemático e premeditado a alguém que vai deixando de acreditar, à medida que lhe espezinham a auto-estima, que é digno de amor e respeito no futuro.

O bullying é um problema sério, com uma influência direta e documentada nas tendências suicidas dos jovens de todo o mundo. Em Portugal este fenómeno ainda não está bem estudado, até porque os pais e os educadores precisam de mais formação para identificarem os alertas nas crianças e para estarem atentos ao que se passa dentro dos computadores e dos telemóveis. “É essencial que os professores e os pais entendam que aquele miúdo mais calado ao fundo da sala, que chega a casa com dores de cabeça e dores de barriga pode não ser apenas uma criança tímida mas sim uma criança que já não comunica com medo de ser gozada”, defende, numa entrevista ao Observador, Rosário Carmona. A psicóloga será uma das oradoras no debate “Novas tecnologias: Uso ou abuso?” que acontece este sábado, em Aveiro, organizado pelo SIPE – Sindicato Independente de Professores e Educadores.

Na semana passada, o caso da adolescente de Ponte de Lima que fugiu de casa cinco dias para se ir encontrar com um rapaz de 24 anos que já tinham sido identificado pela Polícia Judiciária como alguém “com perfil de predador online”, voltou a colocar a questão da segurança dos jovens no meio digital em primeiro plano. Infelizmente, já nem é possível contar os casos de homens — e algumas mulheres — que fingem serem outras pessoas na internet para aliciar jovens a enviar fotografias e vídeos em situações comprometedoras. Alguns chegam mesmo a convencer as vítimas a marcar um encontro, e não é preciso dizer o perigo que isso acarreta — ou é? “É sim. Parece óbvio para um migrante digital, que tem noção do que é a interação social antes da internet, mas nas redes sociais as coisas parecem sempre relativamente inofensivas. É só uma mensagem, qual é o problema? Se um homem nos abordar na rua começamos a correr ou chamamos a polícia, mas na internet expomo-nos mais, baixamos as defesas, somos desconhecidos, até podemos ser anónimos. Esta é a realidade de muitos adultos, e de muito mais crianças”, explica Rosário Carmona.

“O papel dos professores é essencial e a formação de professores e auxiliares tem que ser uma prioridade nas escolas”, defende, na mesma sala, Júlia Azevedo, presidente do SIPE. “A tecnologia é ensinada em aulas específicas, mas como estamos sempre a correr para dar o programa resta pouco tempo para incluir nas aulas essas advertências essenciais em relação aos perigos que se escondem em algo que os alunos utilizam todos os dias”. Na opinião da professora, falta “flexibilidade de horários e conteúdos”. Rosário Carmona e Júlia Azevedo já têm ideias. Por exemplo, nas aulas de Português ou Psicologia um dos trabalhos podia ser conduzir uma entrevista com um especialista em cyberbullying, e, em Matemática, construir um gráfico com a evolução da prevalência deste problema nos vários países da Europa”, dizem à vez.

"As formas de subjugação e violência possíveis na internet são inúmeras. Por exemplo, um agressor pode criar uma página na internet e colocar insultos ou fotos da vítima, ou então pode fazer circulá-las pelo Whatsapp ou outro chat, ou criar grupos fechados por exemplo no Facebook onde circulam comentários ofensivos à pessoa alvo do cyberbullying".
Rosário Carmona, psicóloga clínica especializada em problemas da juventude 

Alguns dos casos mais conhecidos chegam-nos pela imprensa estrangeira. Amanda Todd tinha 15 anos quando se suicidou, em 2012, em sua casa, depois de uma fotografia do seu peito ter sido partilhada por um homem que a chantageou por mais de dois anos. Aydin Coban, o agressor de Amanda, foi preso na quinta-feira e vai passar 11 anos na prisão. Também Jessica Logan, uma jovem de 18 anos de Cincinnati, escolheu acabar com a própria vida depois uma imagem do seu corpo nu ter sido partilhada centenas de vezes pelo namorado na rede social pré-Facebook, o MySpace, depois de ela ter terminado a relação. A chantagem está quase sempre subjacente a esta forma de violência e os golpes chegam de várias direções.

“As formas de subjugação e violência possíveis na internet são inúmeras. Por exemplo, um agressor pode criar uma página na internet e colocar insultos ou fotos da vítima, ou então pode fazer circulá-las pelo Whatsapp ou outro chat, ou criar grupos fechados por exemplo no Facebook onde circulam comentários ofensivos à pessoa alvo do cyberbullying“, diz Rosário Carmona.

Os jovens que chegam ao seu consultório trazem histórias que a ficção não conseguiria conjurar. Rosário Carmona conta a história de um jovem que é vítima de cyberbullying e que sabe perfeitamente que existe um grupo no Facebook criado para dizer mal dele. “Às vezes, os seus agressores concedem-lhe acesso, outras vezes bloqueiam-no. Numa das consultas ele disse-me que não sabia se era pior estar lá dentro e ler o que diziam dele, ou se era quando não podia ver, porque ficava horas a imaginar as coisas horríveis que estariam a circular”, exemplifica a psicóloga que além de um jogo de tabuleiro para tentar que as crianças e os pais se reúnam à volta destas questões tem um livro de perguntas e respostas para educadores e pais — “iAgora?” — que deve sair no início de abril.
"Para um migrante digital é óbvio que a internet representa um outro mundo, porque existe a noção do que é ou foi a interação social antes da internet mas nas redes sociais as coisas parecem sempre relativamente inofensivas. É só uma mensagem, qual é o problema? Se um homem nos abordar na rua começamos a correr ou chamamos a polícia mas na internet expomo-nos mais, baixamos as defesas, somos desconhecidos, até podemos ser anónimos".
Rosário Carmona, Rosário Carmona, psicóloga clínica especializada em problemas da juventude 

Apesar de não existirem estudos exaustivos realizados recentemente no nosso país, existe um publicado em 2014 (comparando dados de 2010 e 2014) pelo EU Kids Online, uma plataforma financiada pela União Europeia e sediada na London School of Economics que estuda os hábitos de utilização da internet dos jovens europeus, em parceria com um outro projeto com o mesmo objetivo, o Net Children Go Mobile. Os investigadores entrevistaram 28 mil jovens e a conclusão é que o fenómeno está a crescer. Em Portugal, Dinamarca, Itália, Irlanda, Roménia, Bélgica e Reino Unido, os sete países analisados, os dados mostram um aumento dos oito para os 12 por cento.

O crescimento aconteceu sobretudo entre as raparigas, e entre o grupo mais jovem do estudo (nove aos 16 anos). Outro dado preocupante é que o contacto com imagens ou informação de cariz sexual através das redes socais também aumentou (de 26 para 28%) na mesma faixa. Em quatro anos, as raparigas, que já eram o grupo mais vulnerável, ficaram ainda mais expostas (de 12 para 19 por cento).

Cristina Ponte, uma das investigadoras da equipa que tratou os dados dos jovens portugueses no estudo, destaca que, no nosso país, o dado mais interessante é que as crianças têm um acesso à internet quase universal, o que também acaba por os expor mais a mais riscos.

Já em 2016, Tito de Morais, autor do “Cyberbullying, Um Guia para Pais e Educadores” e fundador da página Miúdos Seguros na Net, disse que a violência propagada pelo espaço digital “atinge hoje entre 10 a 20% dos jovens portugueses mas “mas a sua verdadeira prevalência não se conhece”.

Repercussões perpétuas

Nos recreios dos idos anos 90, e nos de todas as décadas que lhe antecederam, as ofensas resolviam-se disferindo uma pior, ou, no máximo, um soco. A vergonha, fora nos casos mais graves, fazia mossa apenas até ao próximo miúdo ser gozado, ou pelo menos cessava quando a vítima se libertava das paredes das escola. Agora, o palco para este tipo de violência é, potencialmente, todo o mundo.

“Para que exista uma situação de bullying a violência tem que ser intencional, persistente e tem que haver um desequilíbrio de poder. Na internet tudo isto é mais fácil, mais rápido e mais abrangente”, explica Rosário Carmona, que completa com um exemplo.

“Uma das adolescentes que eu acompanho confessou que decidiu, com uma amiga, criar um email em nome de uma outra rapariga da escola e escrever, a partir daquele e-mail falso, e-mails para todos os rapazes da turma oferecendo-se para dormir com eles. Isto causa problemas complicados de perceção, e essa ‘fama’ é de uma grande violência para as raparigas nestas idades”.

Uma criança que seja vítima de cyberbullying não consegue ver um fim para o seu sofrimento e por isso “o risco de suicídio aumenta três vezes em relação ao bullying presencial”, diz Rosário Carmona.

O palco alarga-se e o controlo escorre-lhes das mãos. “Há duas características principais que distinguem os dois tipos de bullying. Uma é o palco e outra é o controlo. Uma fotografia comprometedora na internet pode ser partilhada centenas de vezes em poucos segundos, adquire uma exposição muito mais vasta, o palco é infinito. Por outro lado, o controlo deixa de existir como o conhecemos. Estou a ser agredida mas não o consigo evitar, não o consigo enfrentar. Não sei quem fez o site sobre mim, ou o print screen, quem publicou as ofensas ou as fotos, quantas pessoas viram, ou quando vai parar”, diz a psicóloga que há mais de uma década acompanha dezenas de jovens que todos os dias sofrem com este tipo de abuso cobarde e anónimo.
Terra de ninguém

Tal como na maioria dos casos de abuso fora dos meios digitais, as vítimas muitas vezes optam por não recorrer à ajuda dos pais, nem dos professores. Fecham-se, porque anteveem o pior caso denunciem os seus agressores: temem, em primeiro lugar, que a agressão se intensifique, depois têm vergonha de contar os abusos em si. Quando a vítima deixa de reagir ao abuso e depois volta a reagir, sem querer, está a ensinar ao agressor a partir de que ponto é que começa a obter uma reação “, diz Rosário Carmona.

Esperam que passe. Os pais, mesmo os que sabem, esperam que passe. “Só que raramente passa e os pais tendem a ignorar”, diz a psicóloga. Às vezes, na tentativa de ajudar, ainda causam mais ansiedade. “Alguns pais optam por retirar o computador, ou o acesso às redes sociais, ou o telemóvel. Alguns miúdos dizem-me que não falam com os pais porque têm a certeza que eles lhe vão retirar o telefone. Só que impedir o uso do telefone muitas vezes ainda desestabiliza mais”.

Isto apesar de Rosário Carmona defender uma restrição ao uso da internet e aconselhar que os pais controlem o que os filhos consultam, incluindo pedindo-lhes as passwords para as redes sociais, prometendo respeitar a privacidade e intervindo apenas em situações suspeitas. Alguns pais também lhe dizem que “não se querem meter” porque “não sabem utilizar muito bem a internet” mas, na opinião da psicóloga, os pais não precisam de saber utilizar redes sociais, ou qualquer outra plataforma, para proibirem alguma coisa que está claramente a afetar o comportamento dos seus filhos, ou pode colocá-los em perigo, ou quando têm alguma suspeita de que estejam a ser sujeitos a algum tipo de violência”.

A internet são fios invisíveis. Fios que ligam toda a gente sem que ninguém perceba quem está ligado a quem. “É muito possível que uma situação de cyberbullying se passe durante muito tempo sem ninguém reparar, porque muitas vezes os agressores não ofendem publicamente. Uma das minhas pacientes estava sentava nas aulas na mesma carteira que a sua agressora e aquilo deixava-a tão angustiada que começou a baixar consideravelmente o seu aproveitamento escolar”. Só mais um exemplo.

O cyberbullying, diz Rosário Carmona, é uma “terra de ninguém” porque “a escola não quer assumir o problema e os pais não sabem o que se passa, por isso também não agem. É por isso que a formação e a educação das crianças é tão importante. É absolutamente essencial que os pais saibam ensinar aos jovens as competências para lutarem eles contra isto: assertividade, interação, tolerância à frustração, regulação do comportamento e adiamento da recompensa”, explica.

O que isto quer dizer, basicamente, é que há ferramentas que ajudam a lutar contra todas as adversidades da vida, e que os jovens estão a perder, porque hoje a regulação dos comportamentos é sempre feita através de um estímulo externo. Depende-se do iPad para uma criança comer, por exemplo, o que quer dizer que a paciência para esperar, a capacidade para esperar pela resolução de uma situação desagradável, a resiliência, tudo isto está em causa quando falamos não do uso mas do abuso da utilização da internet.

Rosário Carmona pergunta a Júlia Azevedo em que deve focar a apresentação que irá fazer em Aveiro. “Sinais de alerta, sinais de alerta, sinais de alerta”, responde a professora, que não se cansa de frisar que a formação é essencial para todos os membros da comunidade escolar que têm de estar preparados para identificar estes alunos. “Tanto as vítimas como os agressores”, diz a professora, “porque os agressores, muitas vezes já foram vítimas e as vítimas estão a um click de se tornarem agressores”.

Por Ana França
Imagem: reprodução

Fonte: http://observador.pt/especiais/o-meu-agressor-anda-comigo-no-bolso/

segunda-feira, 20 de março de 2017

Competição poderia explicar assédio?

Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) entrevistaram garotos e garotas heterossexuais para entender mecanismos que estão por trás do assédio sexual.


Se você acha que competição sexual é apenas aquela estratégia utilizada pelos animais para aumentar sua chance de se reproduzir, como a exibição de atributos físicos (a famosa cauda do pavão), ou ainda aquelas brigas medonhas para mostrar quem é mais forte, está redondamente enganado. Ela estaria acontecendo também entre os humanos o tempo todo, embaixo dos nossos olhos, até na escola dos seus filhos. Pelo menos é o que sugere um novo estudo divulgado na última semana.

Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) entrevistaram 1.326 garotos e garotas heterossexuais com idade em torno dos 18 anos, buscando entender os mecanismos que estão por trás do assédio sexual. Eles focaram em dois tipos de assédio, sem contato físico: o primeiro, entre sexos opostos, que consistia em uma tentativa de obter sexo e, o segundo, entre jovens do mesmo sexo, que tinha mais relação com as intimidações. As informações são do jornal inglês Daily Mail.

Garotas, por exemplo, para se mostrarem mais “desejáveis” e “atraentes” aos olhos dos garotos, podem tentar denegrir a imagem das colegas dizendo que elas são feias, “galinhas”, perdedoras, entre outras “pérolas”. Meninos podem fazer o mesmo dizendo que os outros garotos são fracos, nerds, gays, etc. 

Embora esses padrões de comportamento possam ser muito parecidos com os do bullying, para os especialistas são apenas estratégias para aumentar a probabilidade de se conseguir sexo, ao mesmo tempo que se tenta reduzir as chances dos “rivais”. Em outras palavras, competição sexual!

Adolescentes que já começaram a fazer sexo casual são mais propensos a assediar sexualmente seus colegas. Esse assédio pode acontecer de diversas formas, como humilhação, intimidação, xingamentos, fofocas e até violência física. Uma vez iniciada a prática de sexo casual, o jovem tenderia a achar mais aceitável fazer sexo sem consentimento do parceiro ou sem proximidade emocional. E, fechando esse ciclo “vicioso”, os jovens que foram vítimas de assédio sexual também se tornariam mais propensos a fazer sexo casual. 

E o assédio sexual pareceu muito comum no estudo. Nele, 60% dos jovens disseram ter sofrido alguma forma de assédio no ano anterior à pesquisa. Além disso, 30% das garotas e 45% dos garotos admitiram ter praticado, eles mesmos, alguma modalidade de intimidação de cunho sexual com os colegas, pelo menos uma vez na vida. 

A forma mais comum de assédio, surpreendentemente, não foi a de meninos contra meninas. E, sim, entre os próprios garotos, principalmente colocando em dúvida a orientação sexual dos colegas. O assédio das meninas sobre os meninos foi o tipo menos comum. 

Para os pesquisadores, os resultados mostram que os dois sexos assediam e são assediados. Assim, a melhor perspectiva seria olhar para garotos e garotas como alvos e como perpetradores dessas intimidações.

Os cientistas sugerem que é fundamental mudar as atitudes sobre o assédio. Assim, trabalhar essa situação nas escolas deveria ser uma prática mais comum. 

Alguns trabalhos anteriores sugerem que intervenções pontuais sobre a questão do assédio sexual fazem com que os jovens passem a ter uma visão mais crítica e negativa dessas intimidações, mas não reduzem necessariamente a sua ocorrência. O que fazer, então?

Da mesma forma que hoje existem intervenções mais estruturadas para prevenção do bullying nas escolas (estadao.com.br/e/bullyingnasescolas), os cientistas acreditam que trabalhar assédio sexual dentro do plano de ensino, com estratégias como dramatizações, com roteiros bem escritos e participação ativa dos alunos, poderia fazer toda a diferença.

E, por tabela, se a questão do assédio for melhor trabalhada desde a escola, talvez esse comportamento tenha menor escala no futuro, tornando a vida de mulheres e homens adultos muito mais fácil.

Por  JAIRO BOUER - PSIQUIATRA


19 Março 2017 | 03h00

sexta-feira, 17 de março de 2017

Acusado de chantagear mulheres e obrigá-las a gravar vídeos íntimos na web é condenado



Um holandês foi condenado a 11 anos de prisão, nesta quinta-feira, por ter chantageado dezenas de mulheres ao redor do mundo e as obrigado a gravar vídeos íntimos transmitidos pela internet. Entre as vítimas de Aydin Coban, de 38 anos, está a canadense Amanda Todd, de 15 anos, que se matou em 2012 após ter fotos e vídeos nuas publicadas em redes sociais e enviadas para seus familiares pelo criminoso virtual. Na época, o caso comoveu internautas e foi destaque na imprensa mundial.

A condenação de Coban aconteceu em uma corte de Amsterdam. Mas o holandês ainda enfrenta acusações de assédio online no Canadá pelo que fez com Amanda Todd.

Coban foi preso em janeiro de 2014, acusado de assediar pela internet 34 mulheres e 5 homens de países como Estados Unidos, Noruega, Canadá e Inglaterra. Algumas das vítimas foram perseguidas pelo criminoso por anos. Ao todo, ele recebeu 72 acusações criminais. O holandês afirma ser inocente em todos os casos.

"Ele abusou de dezenas de jovens ao ganhar a confiança delas por se comunicar pela internet. Ele, depois, abusou dessa confiança ao forçá-las a gravar atos sexuais para webcams. Caso se recusassem, as imagens delas eram enviadas para parentes e publicadas em sites de pornografia", explicou um promotor durante a sessão judicial nesta quinta-feira.

O caso contra Coban tomou força depois do sucídio de Amanda, em 2012. Antes de se matar, ela gravou um vídeo na internert para dizer que havia sido vítima de bullying virtual. A gravação, postada no YouTube, recebeu milhões de visualizações e chocou internautas.

Assista ao vídeo legendado:



Após a condenação de Coban, a mãe de Amanda se disse aliviada.

"Espero que essa sentença ajude a curar as feridas das vítimas. Foi uma longa jornada conseguir justiça para Amanda", afirmou Carol Todd.

As informações são da rede de televisão "BBC News".

quinta-feira, 16 de março de 2017

Você já recebeu nude na hora errada? Um manual para uma paquera segura


Você está no trabalho, cercada de colegas profissionais, focada nas tarefas, quando seu celular vibra, você vai ver e... Uma imagem de um pênis aparece repentinamente na tela, te obrigando a esconder rapidamente o aparelho e começar a rezar para que ninguém tenha visto. Que vergonha, né? Foi exatamente isso que aconteceu com a jornalista Caroline Apple, no meio de uma coletiva de imprensa com candidatos à prefeitura de São Paulo. “Era um cara de aplicativo, com quem eu mal tinha falado e achou que aquilo era razoável”, depois disso, ela nunca mais quis falar com ele.

A situação que Caroline passou não é raridade. Na pesquisa “Solteiros na América”, o site de relacionamentos Match.com entrevistou mais e 5500 pessoas em 2016 e, entre os resultados, revelou que enquanto 47% dos homens admitem enviar fotos de suas genitálias, 53% das mulheres receberam, mas 49% delas afirmam não ter solicitado as fotos que chegaram. Além do risco das situações embaraçosas, as mulheres reclamam também do envio de fotos antes de a conversa ter chegado a um nível sexual.

Mandar nudes, é claro, não é um hábito só masculino. Mulheres também praticam e cometem gafes. Sem falar no risco da divulgação das fotos íntimas. Então, para evitar esse tipo de constrangimento para quem manda e para quem recebe, veja esse manual de etiqueta dos nudes, para você poder sensualizar e seduzir por mensagens e fotos sem se queimar ou incomodar ninguém.

A psicóloga Vânia Calazans, explica fato: “Como os homens são muito visuais, alguns podem pensar que assim como eles, as mulheres possam gostar de fotos explícitas. Além disso, o homem, de uma forma geral, tem muito ”apreço” por seu órgão genital, muitos o tratam com apelidos e sentem orgulho do seu membro. Exibi-lo pode ser uma maneira de mostrar poder, capacidade e potência”. Ela menciona também que o envio da foto pode sinalizar uma vontade de pular o papo, ir direto ao ponto.


O advogado Luiz (que preferiu não revelar o sobrenome na entrevista) gosta de enviar as fotos e diz que o faz por vários motivos, sempre quando a mulher pediu ou liberou. “Já enviei para mulheres com quem já tinha rolado algo, para matar a saudade à distância. E para outras com quem eu nunca tinha transado mandei para provocar, aumentar a vontade”.

Mas não são só as mulheres que reclamam das famosas “dick pics” (fotos de pintos, em inglês) em momentos inapropriados, homens gays também podem se incomodar. “Eu estava no metrô e pá. Inclusive pessoas que estavam do meu lado viram”, contou o turismólogo Victor Gouvea.

Converse antes de mandar

Mande um oi, pergunte como a pessoa está. Não envie uma foto sensual ou íntima antes mesmo de conhecer a pessoa.

Não envie fotos fora de contexto

No meio de um papo picante, um nude pode cair muito bem. Mas em uma conversa sobre trabalho, não vai funcionar e pode incomodar. “Para mim, é como na vida real. Você mostraria sua genitália nessa situação? Então não mande a foto”, conta Marina*, que já precisou discutir com parceiros por causa disso.

Pergunte onde a pessoa está

Vai que ela ou ele está no trabalho ou no metrô e vai passar vergonha ao abrir sua foto.

Cheque duas vezes para quem

Imagine querer mandar a foto para seu(a) paquera e, sem querer, enviar para seus pais ou seu chefe. Antes de apertar “enviar”, confira se o número ou contato está certo.

Escolha a rede certa

Cada tipo de aplicativo ou ferramenta de comunicação tem suas características. O Snapchat apaga as fotos depois de 24 horas, então é bom para não deixar registro. Já o Facebook muita gente usa no computador do trabalho, pode não ser legal. “Já teve vez de receber no meio do horário de trabalho e pelo Facebook. Mesmo que continuasse em modo privado, a janela sobe sozinha”, reclama o publicitário Eduardo Gardini.

Não insista no erro

Mandou a foto e foi ignorado? Provavelmente a pessoa não gostou. Não insista enviando outra logo depois. Ou melhor, nunca.

Proteja sua identidade

Por mais que você confie na pessoa, as fotos podem vazar e virar uma dor de cabeça. Evite foto em que seu rosto esteja visível. É o que faz Maíra de Oliveira quando não resiste à tentação de se exibir. “Tenho todo um cuidado para que nada na imagem me identifique, porque tenho medo de ser exposta na internet”.

Por Helena Bertho
Do UOL, em São Paulo

Fonte: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/03/01/manual-de-etiqueta-dos-nudes.htm

Educação Digital e a Parceria entre a Escola e a Família



No Brasil, fala-se muito em Inclusão Digital, mas pouco em Educação Digital. Verificamos que existe por parte de empresas, governos e instituições de ensino investimentos vultosos em equipamentos, máquinas e softwares e nenhuma informação sobre a utilização correta, lícita e ética dos dispositivos móveis.

O tema Educação Digital não implica apenas a discussão sobre a privacidade e a segurança da informação; trata-se de uma ampla e constante abordagem sobre a cidadania global, legislação e ética digital em toda e qualquer forma de comunicação virtual.

Desde 2015, antes mesmo da aprovação da Lei do Bullying, o Colégio Pentágono mais uma vez assumiu uma postura pedagógica inovadora ao implementar o programa “Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying”. O programa não se limita a tratar da prevenção sobre a violência sistemática reiterada, mas objetiva trazer a cultura de paz e educação para toda a comunidade escolar (família/alunos/educadores).

Desta forma, o Colégio Pentágono entende que é fundamental que haja um relacionamento próximo e uma atuação constante das três partes envolvidas (aluno, responsáveis e corpo docente) para o sucesso da formação acadêmica e do desenvolvimento das habilidades socioemocionais presenciais e virtuais (veja mais em http://educacao.estadao.com.br/blogs/colegio-pentagono/parceria-entre-familia-e-escola-e-a-importancia-da-comunicacao/).

Educar é um verbo que necessita do comprometimento dos sujeitos ativos – escola e família – para o diálogo com as crianças e os adolescentes; a Educação Digital pressupõe que os pais tenham uma boa relação estabelecida com o objeto de discussão ou, quando isso não acontece, tenham coragem para ser sinceros e expressar limites e incapacidades, buscando constantemente a ajuda da escola para assumir o papel na formação do indivíduo.

A Educação Digital precisa encontrar respaldo pedagógico para a implementação de políticas de segurança específicas para crianças e adolescentes. Entretanto, as melhores técnicas pedagógicas serão inócuas sem a constante parceria entre a escola e a família. Essas duas partes formam uma equipe, sendo certo que ambas devem seguir os mesmos princípios e critérios, bem como a mesma direção em relação aos objetivos que desejam atingir.

Com esse entendimento, no ano de 2015, foram realizados oito encontros específicos para tratar do tema Educação Digital! Em 2016, por nove vezes o Colégio Pentágono envolveu professores, alunos e familiares no programa “Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying”. A forma como os pais reagiram positivamente ao programa implementado demonstrou para as crianças as consequências dos comportamentos virtuais.

Os pais são responsáveis por legitimar ou rechaçar conhecimentos e valores adquiridos pelos filhos no processo civilizatório; são os primeiros mediadores da relação da criança com o mundo virtual. O programa de Educação Digital do Colégio Pentágono está sendo incorporado à rotina doméstica pelas famílias, estimulando o diálogo presencial, o contato vida a vida e o enriquecimento das relações humanas dentro e fora da escola.

Ser feliz na escola! O Colégio Pentágono constantemente investe em tecnologia para o aprimoramento do projeto pedagógico, mas compreende, fundamentalmente, que a felicidade e a excelência acadêmica não derivam de máquinas, softwares ou construções. A verdadeira EDUCAÇÃO é construída com o fundamento na cultura de paz e na lapidação diária do maior tesouro do Colégio Pentágono: os alunos e as famílias!

Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita
Advogada e sócia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying.

Colégio Pentágono

15 Março 2017 | 09h55

quarta-feira, 15 de março de 2017

O isolamento de professores diante de casos de violência e bullying




Professora de Língua Portuguesa da rede pública há 29 anos, Jonê Carla Baião sempre pede aos alunos, no início do período letivo, uma redação curta sobre a vida deles. Já leu e ouviu muita história, mas ainda se atordoa com relatos como o que lhe foi entregue no primeiro dia de aula de 2017 por uma aluna do 9º ano:

"Eu sempre fui zoada e a última vez em que tive paz na escola foi no Jardim (de infância); depois disso não tive um ano sequer em que não tenham mexido comigo", escreveu a jovem, que, negra e muito magra, era alvo constante de ofensas dos colegas, e os professores não percebiam.

Outra vez, também no primeiro dia de aula, uma aluna vinda de São Paulo escreveu que apanhava do pai e por isso havia se mudado para o Rio para morar com a mãe e o padrasto - que passou a abusar sexualmente dela.

Tema constante de debate na escola pública brasileira, a violência nos colégios voltou à cena depois que Marta Avelhaneda Gonçalves, de 14 anos, foi morta por estrangulamento numa sala de aula do Rio Grande do Sul na semana passada.

Relatos de violência, agressão e bullying expõem tanto o sofrimento do aluno como o isolamento do professor para agir diante de casos que ultrapassam a competência de apenas "transmitir conhecimento".

Uma proposta em tramitação no Congresso há 17 anos, o projeto de lei 3.688, propõe a contratação de psicólogos e assistentes sociais na rede pública como forma de oferecer atendimento aos alunos e apoio aos professores no ambiente escolar.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil elogiam o mérito do projeto, mas afirmam que é preciso pensar no conjunto da situação escolar. A Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), por sua vez, alerta que uma das dificuldades para que ele seja aprovado é sua viabilidade financeira e operacional.

Na avaliação da entidade, a contratação não pode ser feita em cada escola, mas sim em parceria com as secretarias de Saúde e Assistência Social - mudança já prevista no projeto. Parte dos municípios brasileiros ainda não consegue pagar o piso nacional do magistério (R$ 2.298,80), e, para a Undime, ter psicólogos e assistentes sociais recebendo valor possivelmente superior criaria conflito com os professores.



Rotina de prevenção

Uma professora da História, que concordou em dar entrevista à BBC Brasil sob anonimato, vive numa escola municipal da Baixada Fluminense situações semelhantes às relatadas por Jonê Carla.

"Tenho um aluno que viu o pai matar a mãe. O garoto é hiperativo e não para quieto. Agora o pai vai sair da prisão. Como vai ser? Tive aluna que sofria abuso sexual do padrasto, outra do pai. Tivemos que chamar o Conselho Tutelar. Alunos e professores precisam de ajuda para lidar com isso", avalia.

Em casos de abuso sexual ou violência doméstica, o professor é orientado a procurar imediatamente a direção da escola para que a denúncia seja apurada, recorrendo a órgãos como polícia e Conselho Tutelar.

Docente das redes municipal e estadual do Rio, Jonê Carla relembra uma ocorrência de abuso sexual encaminhada ao Conselho Tutelar. Segundo ela, a preocupação é que o professor não guarde o caso apenas para si e procure apoio para o aluno.

Especialista no tema da gestão escolar e doutora em Administração Pública, a pesquisadora Gabriela Moriconi, da Fundação Carlos Chagas, avalia que o suporte psicossocial proposto no projeto de lei ajudaria alunos e professores a não apenas reagir a "problemas" de um ou outro estudante, mas criar uma rotina de ação preventiva capaz de agir no conjunto das escolas.

Moriconi acompanhou projetos educacionais no Canadá e no Reino Unido e observou fatores que podem influir no clima da escola. Na experiência canadense, por exemplo, equipes multidisciplinares não ficavam fixas nos colégios, mas no sistema educacional, atendendo a várias unidades.

"É um suporte importante para um professor que já enfrenta questões variadas, como o salário baixo, a adequação da dificuldade da aula para turmas pouco homogêneas, ou turmas grandes, ou a definição de regras de convivência", afirma a pesquisadora.

"Psicólogos e assistentes sociais não trazem solução para todos os problemas, mas são uma forma de realizar um trabalho mais constante na escola e compreender o aluno em seu contexto. É preciso entender como esses alunos se sentem, se respeitados ou ameaçados", acrescenta.

'Bullying exige plateia'

A indisciplina também preocupa e atrapalha professores brasileiros. Pesquisa divulgada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em janeiro de 2015 mostrava que, entre 33 países comparados na Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (PISA) de 2013, o Brasil foi o lugar em que os professores mais se queixaram de estudantes indisciplinados.

Pelo menos dois em cada três professores brasileiros disseram ter problemas com o assunto em sala de aula. Entre os países pesquisados, a média era de 31% - pouco menos de um terço.

Entre o aluno ideal e a escola real, um dos caminhos é tentar entender as diferenças, avalia a pedagoga Cláudia Barreiros, mestre e doutora em Educação e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Educação Básica do Cap-Uerj, o Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

"O professor tem que partir do princípio de que os alunos são diferentes. Não adianta chegar à escola e dizer: 'ah, não era o que eu esperava'. Temos de lidar com estes alunos e suas realidades", afirma.



O Cap-Uerj implementou em 2011 um programa de combate ao bullying, preocupação relatada por professores ouvidos pela BBC Brasil.

Pesquisadora do tema, Barreiros destaca que o bullying pressupõe um praticante, um alvo e também uma plateia - as pessoas que dão ao praticante a "visibilidade" almejada. "Se é uma piada, todos estão se divertindo, é uma brincadeira. Se alguém começa a sofrer com a piada, já não é brincadeira", alerta.

Cláudia relembra o caso de uma aluna negra, gordinha, que sofria bullying contínuo. Alguns professores cobravam que a família ajudasse, estimulando um regime. "Eu me perguntava, mas e a cor, querem mudar também? Não vamos culpar a vítima. O bullying não resulta da diferença, resulta do preconceito", analisa.

Da experiência do magistério, ela guarda a lição de uma turma na qual meninos de 6, 7 anos perseguiam meninas chamando-as de "macacas" e "baleias". O melhor resultado obtido por uma professora contra o problema foi dizer claramente às crianças que racismo é crime punido com prisão.

"Temos de trabalhar no sentido educativo, claro, mas o professor não pode ser conivente ou leniente. É preciso deixar explícito que o preconceito não será tolerado", afirma.

Do mesmo modo, em casos de agressão, abuso ou violência doméstica, a orientação é levar imediatamente a denúncia às instâncias responsáveis.

Efeitos no professor

Diante da violência, da indisciplina e da rotina estressante de sala de aula, o professor também sofre as consequências.

O psicanalista Leandro dos Santos atendeu durante dez anos professores e diretores de escolas públicas do ABC paulista no ambulatório de uma faculdade particular em que dava aulas. As queixas mais comuns eram depressão, estresse e esgotamento nervoso.

"Até hoje atendo professores no consultório e observo um grande sentimento de impotência diante da rotina escolar", afirma Santos, mestre em Psicologia Escolar e doutor em Psicologia Clínica pela USP.

"Às vezes me sinto só diante de tanto sofrimento do aluno. Queria poder fazer mais", diz a professora de História da Baixada Fluminense. Ela conta que já trabalhou em uma escola pública em que havia um psicólogo e se sentia mais segura para abordar alunos com hiperatividade ou deficit cognitivo.

"O professor sozinho não dá conta. Por mais que o aluno se identifique com um ou outro professor, não fomos treinados para essa ajuda tão especializada", analisa Jonê Carla, a professora que pede aos alunos redações sobre suas vidas.

Na tentativa de melhorar a autoestima dos estudantes, Jonê Carla discute gênero, identidade, racismo, descobre histórias, escreve sobre o que aprende em sala de aula. E guarda em seu baú de professora relatos pungentes, como um poema escrito por um ex-aluno de uma escola em Guadalupe, na zona norte do Rio:

Mataram meu colega e eu não digo nada

Me chamam de zumbi e eu não digo nada

Me ameaçam e eu não digo nada

Estão em guerra e eu não digo nada

A seca está matando e eu não digo nada

Professor me dá os esporros e eu não digo nada

Morre gente e eu não digo nada

Ficam me criticando e eu não digo nada

O Brasil perde a Copa e eu não digo nada

Picham a escola e eu não digo nada

Pois agora chega, eu vou dizer tudo.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39253873

terça-feira, 14 de março de 2017

Facebook ajuda polícia brasileira a evitar suicídio em Santa Catarina



Dez dias atrás, o Facebook anunciou uma série de medidas para combater a "onda" de suicídios transmitidos ao vivo pela rede social. A empresa se comprometeu a construir ferramentas de software capazes de identificar situações como essas e ajudar as autoridades e as possíveis vítimas.

Nesta semana, pela primeira vez se teve notícia sobre essas ferramentas sendo usadas no Brasil. O governo de Santa Catarina revelou que o Facebook ajudou a polícia de uma cidade do meio-oeste do estado a evitar que um homem de 40 anos transmitisse sua própria morte pela internet.

Ao detectar que o homem (que não teve seu nome divulgado) estava prestes a transmitir uma tentativa de suicídio, o Facebook alertou a polícia dos Estados Unidos, que comunicou de imediato o fato à Diretoria de Informação e Inteligência (DINI) da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP).

O órgão então direcionou a polícia civil da cidade até a casa do catarinense, onde a tentativa de suicídio foi confirmada e evitada a tempo. "O Corpo de Bombeiros o conduziu até o hospital, onde ele foi medicado e realizado o acompanhamento psicológico", explicou um policial que participou da ação.

As ferramentas de prevenção de suicídio do Facebook foram anunciadas em 10 de março, após diversas histórias de pessoas que estavam transmitindo a própria morte pelo recurso de vídeos ao vivo da plataforma. A empresa conta com inteligência artificial e até denúncias dos próprios usuários para identificar e agir em possíveis casos como esse.

Fonte: https://olhardigital.uol.com.br/noticia/facebook-ajuda-policia-brasileira-a-evitar-suicidio-em-santa-catarina/66724

sexta-feira, 10 de março de 2017

Jogo da asfixia, “brincadeiras” que matam


As famílias, já naturalmente preocupadas com a segurança dos filhos, agora se deparam com mais um sinal de alerta que põe em risco a vida de crianças e adolescentes. Se trata do jogo da asfixia, também chamado desafio do desmaio, que pode causar graves sequelas à saúde e a irremediável morte de jovens que poderiam ter um futuro brilhante. Uma “brincadeira” que matou o brasileiro Isaque, de apenas 16 anos, encontrado morto por sua mãe – havia se enforcado com um cinto. Ocorrido nos Estados Unidos, é um dos mais recentes casos os quais demonstram que as brincadeiras atuais fogem da recreação e estão além do pular cordas e esconde-esconde.

A verdade é que a vítima, infelizmente, não é apenas o jovem e sim toda a família que seguirá a vida com a marca de um desafio mortal. Com bravura e amor, os entes familiares de Isaque se mobilizam para trazer ao público mais informações sobre o tema, para evitar que outros pais e mães chorem a morte precoce de jovens. E, pior, o mal uso da internet e das redes sociais servem como catalisador para que a prática se alastre mundo a fora, inclusive no Brasil onde já se registram mortes por conta do choking game.

A palavra desafio tem de ser um sinal de alerta para pais e professores. As brincadeiras perigosas são realizadas na maior parte da vezes por meninos, de 13 a 19 anos de idade. A busca de uma suposta mistura de euforia e prazer é feita pelos jovens como forma de desafio, de ruptura de fronteiras, visto que a maioria deles desconhecem as consequências e as sequelas daqueles que sobrevivem aos jogos mortais.

Além da morte, as brincadeiras perigosas acarretam em sequelas como cegueira - permanente ou temporária, convulsões, epilepsia, parada cardiorrespiratória, paraplegia e, até mesmo, incontinência para urinar e evacuar. Por isso, os pais devem estar atentos aos sinais que poderão indicar que o filho participa destes tipos de jogos mortais como dores de cabeça frequentes, sinais de vermelhidão e marcas no pescoço, irritabilidade diária ou frequente, bem como olhos vermelhos.

A medida preventiva mais imediata é monitorar constantemente o que os filhos fazem na internet, até para conhecer melhor seus pensamentos, expressões, amigos e quais práticas aderem. Monitoramento não é invasão de privacidade; monitoramento é atenção constante não apenas no ambiente virtual, mas nos detalhes do convívio cotidiano. O diálogo e a observação constante trazem importantes dados e informações aos pais que poderão apurar, de forma preventiva, se o filho participa de brincadeiras perigosas, se é agressor/vítima de ataques físicos ou virtuais ou ainda, evitar que os jovens se envolvam com pedófilos, criminosos ou traficantes nos aplicativos de comunicação instantânea ou na Dark Web.

Se o tema em pauta é um jogo, é cabível lançar aos pais um desafio: CHEGA DE MIMIMI! O desafio é tratar o jovem como um ser humano pensante e não como um bibelô de cristal. Precisamos de mais diálogo olho no olho, mais NÃOS, mais vigilância. O adolescente é inteligente o bastante para compreender as sequelas das brincadeiras perigosas e o adulto precisa de inteligência emocional para transmitir as informações de forma correta, precisa e sem rodeios. O medo de traumatizar a criança pode ser a causa de um enterro precoce.

Espero que essas dicas ajudem na proteção das pessoas que você ama!

Imagem: reprodução
Por: Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita

Pai mostra foto da filha minutos antes da morte em campanha contra o bullying



Nesta quinta, 8 de março, Julia faria 18 anos, e o pai da jovem usou as redes sociais para evitar que, assim como ela, outros jovens percam a vontade de viver. Aos 16 anos, a adolescente tentou se enforcar na casa da família, em Cheshire, no Reino Unido, depois de uma série de episódios de bullying online. Encontrada pelo pai, a jovem foi levada para o hospital, mas não resistiu.

Adrian, de 42 anos, postou, então, uma mensagem contra o ódio e o bullying, e algumas fotos chocantes da menina minutos antes de sua morte, ainda em coma no hospital. “É provavelmente uma das decisões mais difíceis que eu tive que tomar ao lançar as fotos de Julia, mas eu não podia aguentar mais um dia ver crianças lindas, amáveis e importantes e adolescentes e adultos pensando que não merecem amor por causa do ódio, do estigma e do bullying”, publicou.

O pai ainda fez um apelo para que o público espalhasse a notícia de que ele participará de um programa de TV. “Quando mais discutirmos o ódio e seus efeitos maléficos, mais poderemos acabar com isso”, escreveu Adrian.

Segundo o site “Daily Mail”, o pai conseguiu ver as fotos da menina 17 meses após a sua morte. “Eu tirei as fotos minutos antes da morte de Julia e as enterrei no meu telefone até agora porque eu não queria olhar para ela e ainda não quero, mas eu sabia que voltaria a elas, obviamente para ajudar a informar as pessoas, porque eu acho que a causa é muito importante”.


09/03/17 15:42 Atualizado em 09/03/17 15:48





quinta-feira, 9 de março de 2017

Mulheres são maiores vítimas de vazamentos na internet; saiba se proteger



No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a ONG SaferNet traz dados bem pouco animadores para a luta feminina: as mulheres são as maiores vítimas dos crimes virtuais. Elas correspondem a 65% dos casos de cyberbullying e ofensa (intimidação na internet) e 67% dos casos de sexting (mensagens de conteúdo íntimo e sexual) e exposição íntima. O número de casos de vingança pornô no Brasil, que atingem majoritariamente mulheres, quadruplicou nos últimos anos.

O levantamento foi feito a partir dos pedidos de ajuda e orientação registrados no canal de ajuda a vítimas da ONG, que monitora crimes na internet em parceria com Ministério Público, Polícia Federal e Secretaria de Direitos Humanos.

Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que transforma em crime a divulgação de "nudes" sem consentimento da pessoa. O texto, que altera parte da Lei Maria da Penha, reconhece como violência doméstica a distribuição "de imagens, informações, dados pessoais, vídeos, áudios, montagens ou fotocomposições da mulher, obtidos no âmbito de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade". A punição passaria a ser de três meses até um ano de cadeia, além de multa, para os envolvidos. A pena aumenta caso a vítima tenha algum tipo de deficiência ou se a a distribuição tiver motivo torpe --caso da vingança pornô, em que ex-companheiros espalham imagens degradantes de uma pessoa como "punição" pelo fim do relacionamento. O texto ainda aguarda aprovação no Senado.

A SaferNet orienta que as vítimas de crimes virtuais façam denúncias --nos canais da ONG, elas são anônimas-- e pressionem para que o sistema jurídico abarque cada vez mais o número crescente de casos (veja mais abaixo). "A internet hoje funciona como uma caixa de ressonância para aquilo que esta acontecendo na sociedade", ressalta Thiago Tavares, presidente da entidade no Brasil. "Acabou aquela a teoria do 'brasileiro cordial'."

Falta muito para que a Justiça e a sociedade garantam a proteção das mulheres em todos os ambientes, inclusive na internet. Para evitar que você fique ainda mais exposta, veja as orientações que os especialistas em segurança digital dão para prevenir violências virtuais. 
Cuidado com o nude

Em mãos erradas, nudes podem ser usados para humilhar pessoas, e costumam se propagar com uma rapidez muito difícil de rastrear. Prefira fazer a imagem de nudez em câmeras offline e apague a foto pouco depois de tirá-la. Tome cuidado também com novas amizades nas redes sociais, evite usar webcam com estranhos e não divulgue dados pessoais, como endereço físico, telefone ou que bens possui, para pessoas que acabou de conhecer ou só conhece online.

Evite compartilhar

Fotos e vídeos estão constantemente na mira de pessoas mal-intencionadas. Para não ter sua privacidade exposta na internet, é recomendável evitar o compartilhamento de dados pessoais e o armazenamento de fotos íntimas em sites não seguros. Também é importante não mandar imagens por e-mail, mensagem de texto e/ou por comunicadores instantâneos (Facebook, Hangout, Skype, Whatsapp etc).

Cuidado com o ciúmes

Sob o argumento de que se trata de um sinal de confiança mútua, muitos brasileiros compartilham suas senhas de redes sociais. Esse comportamento é arriscado. Se você acha tranquilo deixar outra pessoa ter acesso aos seus perfis, só tenha consciência do que está fazendo. Se um dia o relacionamento com seu par acabar, por exemplo, saiba que sentimentos como vingança e ciúme podem motivar maldades. Antes disso acontecer, que tal impor limites? 

Crie pastas separadas

Ter fotos íntimas salvas no celular ou armazená-las em contas de e-mail pode facilitar o acesso por hackers que buscam por esse tipo de conteúdo para chantagear suas vítimas. Para evitar esse risco, a melhor opção é armazenar suas fotos usando pastas separadas e com utilização de senhas. Evite copiar esse conteúdo. Quanto mais versões de uma imagem você tiver, mais medidas de precaução terá de tomar para evitar vazamentos. 
Privacidade nas redes

Você publica toda a sua vida nas redes sociais? Suas postagens são públicas? Atenção: você é uma potencial vítima de golpistas. É importante revisar configurações de segurança e privacidade para que suas postagens sejam, por padrão, apenas para amigos. Quando você compartilha tudo publicamente, você está mostrando sua vida a desconhecidos.

Evite a nuvem

Em nenhuma hipótese, guarde fotos íntimas na nuvem (Dropbox, Google Drive, Skydrive, iCloud etc.), pois esses dispositivos são alvos constantes dos hackers. Além disso, redobre a atenção para aplicativos que carregam automaticamente as fotos para a nuvem, com o Google Fotos.
Autenticação em 2 etapas

Muitos programas já têm ferramentas que preveem dois passos (a senha e outro dado que assegure que apenas o dono da conta consiga acessá-la, como SMS ou ligação por voz com código de verificação). O WhatsApp, por exemplo, pede senha e código enviado na hora de logar. Dá para habilitar a função em outros serviços populares como Facebook, Google e Twitter, assim ninguém vai ter acesso aos seus perfis.

Senhas complexas

Se você ainda usa senhas fáceis, pare agora. O melhor é combinar letras, números e caracteres especiais. Evite usar seu nome, aniversários ou informações óbvias e fáceis de conseguir. O ideal é ter uma senha diferente para cada perfil que você cria. Mas, como essa é uma precaução bem difícil de seguir, tente não usar a mesma combinação para tudo. A dica é criar combinações por grupo: uma para redes sociais, outra para bancos, outra para sites de e-commerce, etc. Ou opte por programa ou aplicativo gerenciador de senhas para cuidar de todas elas para você. Outra medida importante para impedir que arquivos íntimos caiam nas mãos erradas é a criação de senhas para aplicativos. O PSafe Total Android, gratuito na Google Play, por exemplo, disponibiliza a ferramenta de Cofre, permitindo que usuários protejam galerias de fotos, Facebook, WhatsApp, Tinder, Grindr e outros apps.
Lembre-se do logout

Muita gente ainda usa computadores ou celulares de forma compartilhada e costuma cometer um grande erro: deixar contas de Facebook, Google e afins logadas. Não adianta apenas fechar o navegador, pois muitos deles estão configurados para memorizar a conta. O jeito é sempre sair da conta (logout) e configurar o navegador para que não memorize logins e senhas. Assim, o logout é automático.

Programa anti-invasão ajuda

Em aparelhos novos, instale imediatamente programas antivírus, anti-spyware (que detecta programas que "espiam" o que o usuário faz) e firewall (tipo de "muralha" digital que permite somente o envio e recepção de dados autorizados pelo usuário). Mantenha todos esses programas sempre atualizados. Um site fala se o seu login em alguma rede social já foi invadido de alguma forma; vale pesquisar suas contas por lá. 

Fui vítima. E agora?

Registre um boletim de ocorrência: O compartilhamento de materiais com teor íntimo ou sexual sem consentimento é crime. Reúna tudo o que foi divulgado e vá até uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência (BO), relatando o que houve. Você também pode preservar as provas registrando uma Ata Notarial em qualquer cartório ou tabelionato de notas. O documento tem plena validade jurídica, ou seja, não poderá ser contestado em um futuro processo judicial.

Procure um advogado: Com as provas, o BO e a Ata Notarial (que não é obrigatória) em mãos, fale com um advogado - de preferência, especializado na área de Direito Digital.

Fale abertamente sobre o assunto: Vergonha ou medo só reforçam a impunidade. Por isso, é importante garantir seus direitos e não se calar sobre o assunto, pois a culpa nunca é da vítima. Além disso, procure apoio de amigos e familiares.

Notei um crime, o que eu faço?

Guarde a URL: Para investigar, a URL específica é necessária --no Facebook ou Twitter, por exemplo, é só clicar na data e hora do post para chegar no endereço certo. Se forem várias ofensas, guarde a URL do perfil também. Tire prints (capturas de tela), mas a URL é fundamental, porque as empresas guardam registros (logs) dos seus usuários e poderão ser obrigadas pela Justiça a fornecê-los.

Ignore os agressores: Não alimente os agressores, os "haters" --eles costumam fazem isso para ganhar audiência. Também não compartilhe o conteúdo, mesmo se for para acrescentar um comentário indignado. Isso é contraprodutivo, porque expõe mais a vítima.

Registre o conteúdo efêmero: Em apps com conteúdo efêmero, como Snapchat ou Instagram, tire um print ou use um app que possa salvar o que acontece na tela.

Salve o que rola no WhatsApp: Se for no WhatsApp, é importante não apagar o conteúdo no desespero. No app, você tem uma função de enviar a conversa por e-mail, na qual pode anexar as mídias (fotos e vídeos).

Fonte: https://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/03/08/mulheres-sao-maiores-vitimas-de-vazamentos-na-internet-saiba-se-proteger.htm

terça-feira, 7 de março de 2017

Pai denuncia cyberbullying contra filha



O pai de uma adolescente de 13 anos procurou a polícia para denunciar um vídeo que circulou nas redes sociais e a publicação de comentários ofensivos à honra da menina.

O cyberbullying — uso da Internet para o assédio e disseminação de conteúdos hostis — foi praticado após a divulgação, em um canal do Youtube, com a edição de imagens de um evento de cosplay (fantasias baseadas em personagens de desenhos, filmes e séries) realizado em setembro do ano passado em um colégio particular de Piracicaba.

Segundo a denúncia, o vídeo foi publicado em uma página do Facebook e, em seguida, compartilhado por diversos perfis. “Um amigo dela viu e mostrou.

Não tem nada de conteúdo sexual nem nada do tipo, mas expõe os jovens ao ridículo.

E ninguém pediu autorização para usar a imagem de ninguém. Minha filha, quando viu, chorou o dia inteiro”, afirmou o pai, que decidiu manter o anonimato.

Após o registro da ocorrência, a família contatou o proprietário do canal que fez a primeira divulgação do vídeo e conseguiu a retirada.

Ele também se responsabilizou por solicitar à página do Facebook para que fizesse o mesmo.

O evento é promovido por uma empresa com sede em Campinas e também conta com edições nas cidades de Americana, Jundiaí e Ribeirão Preto.

O pai da adolescente afirmou que vai procurar a direção do colégio para questioná-la sobre a realização desse tipo de evento nas suas dependências.

Para ele, a atividade dos “youtubers” (proprietários de canais no site de vídeos que são remunerados de acordo com o número de acessos) não condiz com os objetivos da unidade.

“São pessoas que ganham dinheiro expondo outras pessoas, quase sempre sem autorização. Eles exercem uma influência grande sobre os jovens e não a usam para nada construtivo”, argumentou. Ele alerta para os riscos que esse tipo de exposição pode trazer para a formação dos adolescentes.

“Em casos mais graves vocês pode levar uma criança ao suicídio. Basta pesquisar um pouco que você encontra uma série de casos”, completou.

O caso foi registrado como injúria e difamação no Plantão Policial de Piracicaba e deve ser investigado pela Unidade de Polícia Judiciária. Somadas, as penas para os dois delitos podem ir de seis meses a três anos de detenção.

Fonte: http://www.jornaldepiracicaba.com.br/cidade/2017/03/pai_denuncia_cyberbullying_contra_filha_?px=960