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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Colégio em Porto Alegre é condenado a pagar indenização a vítima de bullying

De acordo com o processo, aluno de 10 anos era alvo de agressões por parte dos colegas; pais acusam a direção de ter se omitido diante da situação.


A 9ª Câmara Cível do TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) condenou um colégio de Porto Alegre (RS) a pagar indenização no valor de R$ 6 mil a um aluno que foi vítima de bullying. O estabelecimento também terá de ressarcir gastos referentes à mudança de escola (como uniforme e material escolar) e tratamento psicológico da criança, que tinha 10 anos quando os fatos ocorreram, em 2013.

A ré falhou no dever de cuidado que lhe cabia, decorrente do serviço educacional prestado, ao não ser capaz de adotar as providências necessárias (ferramentas pedagógicas investigativas e inibidoras adequadas) para evitar que o autor, um de seus alunos, sofresse agressões físicas, verbais e comportamentais de colegas ( bullying ) e, por conta disso, precisasse trocar de escola para voltar a ter um ambiente escolar saudável e desenvolvedor”, diz trecho da sentença.

De acordo com os autos, as agressões contra o garoto começaram em fevereiro de 2013, logo após o início do ano letivo. O menino sofria agressões durante as aulas de educação física e inglês. Em uma ocasião, colegas de classe bateram a cabeça da vítima contra a porta de um banheiro. Em outro episódio de violência, teve um lápis cravado nas costas e na mão.

Ainda segundo o processo, o parecer de uma psicóloga confirmou os problemas emocionais gerados, tais como mudança de comportamento do aluno, que não mais realizava as tarefas escolares, teve baixa no desempenho escolar, e recusava participar de passeios da turma e em fazer festa de aniversário.

Os pais da vítima destacaram que o colégio foi negligente, pois apesar das várias conversas mantidas pela família com a equipe pedagógica, não houve ação efetiva. Na Justiça, ingressaram com pedido de ressarcimento dos gastos com mudança para outra escola, além de indenização pelos danos morais sofridos.

No Juízo do 1º grau, o pedido foi considerado parcialmente procedente, sendo negado o ressarcimento de valores gastos com a mudança de escola. Foi determinada indenização por danos morais no valor de R$ 6 mil, corrigidos monetariamente e acrescidos de juros. Houve interposição de recurso tanto do autor quanto da escola ré ao Tribunal de Justiça .
Recurso

No TJ-RS, o relator do recurso foi o Desembargador Eugênio Facchini Neto, que manteve a condenação afirmando que a prova oral deixa claro que as agressões sofridas pelo autor não foram "atos isolados" e que o que se passava não eram "meros desentendimentos" normais entre crianças. Para o magistrado, houve negligência por parte da escola.

O desembargador destacou também que os profissionais sequer cogitaram a existência de bullying, tratando o caso com medidas rotineiras e convencionais, demonstrando despreparo da instituição. Com relação ao ressarcimento dos gastos com a nova escola, o magistrado concedeu o pedido de indenização.

Por iG São Paulo | 04/08/2017 17:07

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2017-08-04/bullying.html

terça-feira, 20 de junho de 2017

Aluna vítima de bullying deve ser indenizada em R$ 19,7 mil


O juiz José Flávio Bezerra Morais, em respondência pela 1ª Vara Cível da Comarca do Crato, condenou o colégio Pequeno Príncipe a pagar indenização moral de R$ 15 mil para aluna vítima de bullying. Determinou, ainda, o pagamento de danos materiais no valor de R$ 4.730,00 gastos com tratamento psicológico.

“Além de incontroversos os primeiros fatos, a prova carreada ao feito realmente dá conta que a postulante foi vítima do que se convencionou chamar de bullying, no ano de 2013, agredida que foi de forma reiterada no próprio ambiente escolar”, afirmou o magistrado.

Consta nos autos que a criança, em 2013, matriculada no quinto ano do ensino fundamental da instituição, passou a sofrer agressões físicas e verbais praticadas por colegas de classe. Também alega ter sofrido, em 2015, constrangimento causado por sua professora em sala de aula, que teria dito que não aceitaria o trabalho da aluna por estar errado, “afirmando, em tom ríspido, que ela não era humana”.

Os pais da criança, então, entraram com ação na Justiça contra o Pequeno Príncipe, solicitando, liminarmente, o afastamento da professora e reparação por danos morais e materiais.

O colégio contestou, alegando ilegitimidade passiva quanto à prática de bullying por terceiros. Sustentou, ainda, que a professora não submetera a menina à situação vexatória ou a qualquer tipo de constrangimento. Além disso, impugnou o parecer psicológico e o laudo neuropsicológico juntados ao processo, requerendo a realização de perícia técnica.

Em liminar, o juiz indeferiu o pedido para substituição da professora, pois “não se comprovou a ocorrência de conduta danosa por parte da referida docente. A prova testemunhal produzida partiu de impressões da própria autora ou de relatos de terceiros, por vezes contraditórios, não havendo certeza da intenção da professora de constranger a aluna através de comentários depreciativos.”

Quanto ao bullying sofrido, o magistrado determinou o pagamento de indenização moral no valor de R$ 15 mil, e R$ 4.730,00 por danos materiais como ressarcimento ao tratamento psicológico o qual a aluna se submeteu entre abril de 2014 e junho de 2015. “Ainda que o ‘produto’ do requerido seja a educação, seu dever não é apenas em relação à qualidade desta, mas também de vigilância e disciplina no ambiente escolar, de molde a não perder o controle dos próprios alunos e com isso inclusive protegê-los”, ressaltou.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Colégio deverá indenizar gêmeas vítimas de bullying

Decisão é do juiz Yale Sabo Mendes, da 7ª Vara Cível de Cuiabá.


O juiz Yale Sabo Mendes, da 7ª Vara Cível de Cuiabá, condenou o Colégio e Curso Aptus, localizado no Bairro Morada do Ouro, a indenizar, em R$ 20 mil, duas irmãs gêmeas de 17 anos que sofreram bullying na instituição.

A decisão é do último dia 31 de maio e é passível de recurso. 

Na ação, a mãe das adolescentes afirmou que os fatos ocorreram em 2012 e 2013, ocasião em que diariamente outros alunos do colégio ofendiam e discriminavam suas filhas, tanto na instituição como nas redes sociais.

Segundo a mulher, por conta das agressões, as meninas cogitaram tirar a própria vida e ,para que isso não acontecesse, tiveram que passar por tratamento psicológico. 

A mãe ainda afirmou que ao levar o fato para conhecimento do colégio, a diretora teria sugerido a transferência das filhas para outra unidade escolar, pois, conforme a mulher, os alunos agressores seriam em número maior, e a transferência deles geraria prejuízos à instituição. 

“Sustentam a autora que, diante da anormalidade no comportamentos das filhas, recorreu novamente à administração do requerido, e em dada ocasião as filhas teriam sido levadas a frente de todos os alunos em sala de aula a fim de solucionar a situação; e que essa atitude dos requeridos teria fomentado a ação dos agressores. Razão disso, as filhas teriam entrado em contato com seus genitores pedindo socorro pelo celular, porém estes foram impedidos de entrar nas dependências do colégio”, diz trecho da ação.

O Colégio e Curso Aptus apresentou contestação alegando que as agressões não ocorreram no ambiente escolar. 

A escola afirmou ainda que as irmãs gêmeas tinham problemas de relacionamento em relação aos demais alunos, o que viria desde instituições anteriores.

“Mas quando o requerido foi acionado pelos fatos ocorridos com as autoras, teria tomado as providencias cabíveis, inclusive medida protetiva de afastamento dos agressores, relatando que a situação entre as autoras e os alunos se agravava no ambiente virtual, sendo que no ambiente escolar os desgastes já teriam sido evitados com as devidas providencias, razão porque pugna pela improcedência dos pedidos iniciais”, alegou

Omissão

Na decisão em que condenou o colégio, o juiz Yale Mendes afirmou que a Lei nº 13.185/2015, em seu artigo 5º, prevê que a instituição de ensino tem o dever de combater a violência e a intimidação sistemática (bullying). 

Conforme o magistrado, as provas dos autos demostram que a instituição foi omissa com a situação. 

“Compulsando os autos verifico que, a despeito das conversas registradas pela rede social anexada às fls.42/47, em que demonstra a ocorrência de ofensas também no ambiente virtual, é possível constatar que de fato o principal local utilizado para a intimidação sistemática contra as autoras é nas dependências do Requerido, ou seja no ambiente escolar”, disse. 

O juiz citou algumas mensagens dos agressores, que, de acordo com ele, esperavam o período escolar para praticar as ofensas contra as irmãs gêmeas.

“M.M é, mesmo do justos, ai segunda feira, vamos ver quem que é justo, quando M. souber q tem gêmeas colando em provas, ai vamos ver oq a justo queridinha ;* [...] oq é justo*” (sic, fls.47)

“K.G.G., ta na cra que ela que ibope que que a gene xingue ela, humilhe pra ela faze print e leva p cordenacaaaaao meu cu pra elaaaa, gata pode escreve de qm voce quiser foda-seeeee que xinga minha mae xingue q me xinga xingue to cagandoooooooo mole pra vc pra sua “irmazinha”” (sic, fls.50)

“M.M., e outra, toda essa revolta, foi por causa da nota da verificação bimestral de matemática, pois todos nós, do nosso grupo de amigos, tiramos nota maior do que as duas, e agora, elas estão indignadas, infelizmente não podemos fazer absolutamente nada!” (sic, fls.63)

“K.G.G., [...] o menino se pega cola neim dela é por que se não sairia com o 1.80 q elas 2 sairam “ Gente que Conhecidencia neh? Logo em prova de Matematica, sera que seria um Milagre???????” não não colaram msm pq eu VI com meus Olhos então não ahco DIGNO tudo isso q essas Fazem e Estao Fazendo! E eu acho que em Briga de Adolescente que sabem resolver Pai e Mãe não devem se Mete, [...]” (sic, fls.65)

“Se bota fé?...foi na sexta passada...poisé...marina até me chamou e dps o diretor chamou julio...pq flaram q a gnt estava fumando juntos...só pq eu flei aquele dia pra ele q o preço do cigarro ia aumentar...q eu flei la na sala...ai tipo, se viu q tava so a gente, nosso grupo de amigos...e elas do lado” (sic, fls.71)

O magistrado disse ainda, que a própria coordenadora da instituição, Mariana dos Santos, confessou em depoimento ao juízo que nenhuma providência foi tomada contra os agressores. 

“Portanto, está claro que no ambiente escolar era mantido pessoalmente a intimidação sistêmica relatada nos autos, de maneira que tais atos efetivamente colaboraram para os danos morais e físicos sofridos pelas autoras, conforme atestado pelo próprio Conselho Tutelar às fls.113”, afirmou o juiz.

“Diante disso, entendo suficientemente caracterizado o nexo de causalidade entre as agressões sofridas pelas Autoras no ambiente escolar, com os danos sofridos no âmbito material, sobretudo moral, já que houve relato em audiência que ambas cogitaram atentar contra a própria vida, após as intimidações sistêmicas que as vitimaram (bullying)”, pontuou o juiz.

Outro lado

A reportagem tentou entrar em contato com o Colégio e Curso Aptus, mas as ligações não foram atendidas ou retornadas.

07.06.2017 | 10h45

THAIZA ASSUNÇÃO 
DA REDAÇÃO

Fonte: http://www.midianews.com.br/judiciario/colegio-em-cuiaba-devera-indenizar-gemeas-vitimas-de-bullying/297904

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sofrer ou praticar bullying na infância pode trazer problemas de saúde na fase adulta

De acordo com o estudo, o bullying pode levar ao desenvolvimento de problemas comportamentais e aumentar fatores de risco para doenças cardiovasculares.


O bullying é prejudicial para a saúde tanto de quem pratica quanto de quem sofre, mostra estudo publicado na Psychological Science. De acordo com o estudo, o bullying pode levar ao desenvolvimento de problemas comportamentais e aumentar fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, rastrearam mais de 300 homens da primeira série até o início dos 30 anos para mostrar que ser vítima de bullying ou praticá-lo estava ligado a resultados negativos na idade adulta.

O estudo longitudinal envolveu meninos matriculados na primeira série de escolas públicas em 1987 e 1988. Mais da metade dos alunos eram negros e suas famílias recebiam assistência financeira do governo.

Com base em entrevistas após 20 anos de follow-up, os pesquisadores descobriram que os agressores eram mais propensos ao consumo de tabaco e maconha, além de personalidade mais agressiva, hostil e ter passado por situações estressantes quando comparados com as vítimas. Essas, por sua vez, tiveram mais problemas financeiros, se sentiram mais injustamente tratados por outros e foram menos otimistas sobre o seu futuro.

Os resultados mostram que os papéis de agressor e de vítima pareciam continuar até a idade adulta, no entanto, ambos os grupos de homens tiveram impactos negativos na saúde, como fatores de risco para doenças cardiovasculares e outras doenças que podem ser fatais.

Fonte: http://www.onortao.com.br/noticias/sofrer-ou-praticar-bullying-na-infancia-pode-trazer-problemas-de-saude-na-fase-adulta,93420.php

terça-feira, 16 de maio de 2017

Escola é condenada a pagar R$ 10 mil para criança que sofreu bullying

Mãe de ex-aluna ingressou com ação alegando que colégio não tomou providências contra agressões de colegas em razão de sobrepeso.


Uma escola de Campo Grande, que não terá o nome divulgado, foi condenada a restituir R$ 10 mil para a família de uma estudante que sofria bullying dos colegas. A decisão foi tomada após a mãe de criança ingressar com ação judicial, alegando que a instituição de ensino não tomou providências contra as humilhações que a filha sofria. 

A medida foi divulgada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira (15). A indenização por danos morais foi decidida por unanimidade pelos desembargadores da 1ª Câmara Cível, que desproveram o recurso interposto pela instituição de ensino. 

De acordo com os autos, a aluna era vítima de agressões psicológicas e físicas por parte dos colegas de sala em função de seu sobrepeso. A mãe da garota reclamou para a direção da escola por diversas vezes. Como a questão não foi solucionada, ela retirou a filha da escola e ajuizou ação pedindo ressarcimento pelos transtornos morais e materiais.

A indenização por danos morais soma R$ 10 mil, sendo R$ 6 mil para a menor e R$ 4 mil para a mãe, além do valor de aproximadamente R$ 1 mil por gastos com a troca de escola. De acordo com o processo, "o bullying sofrido pela criança acarretou muitas consequências ruins".

No recurso, a defesa do colégio alegou que "não há provas de que os colegas usaram de violência física ou psicológica para intimidar, excluir ou humilhar a criança”, ressaltando que a condenação foi baseada em meras suposições e por isso deve ser afastada.

De acordo com o Tribunal de Justiça, o relator, desembargador João Maria Lós, entendeu que a escola não dispôs de todos os meios necessários para promover a integração entre os alunos e a garota, mesmo com as reclamações frequentes por parte da mãe.

Decidiu, portanto, que os valores fixados nas indenizações são razoáveis e proporcionais e, por atenderem a função pedagógica da condenação, deveriam ser mantidos. 

“Cumpre ressaltar que a escola fica investida do dever de vigilância e de guarda, devendo preservar a integridade física e moral de seus alunos, ou seja, a instituição de ensino deve desenvolver todos os esforços possíveis no sentido de promover a adaptação do aluno com os colegas de classe, visando sempre o seu bem-estar. Portanto, denego a ordem”, declarou o magistrado.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Colégio deve pagar R$ 13 mil a aluna que ficou gaga após bullying no Orkut


Estudante sofria com comentários a respeito do seu biotipo, diz magistrada. Jovem teria passado a se isolar e ter problemas de fala após sofrer bullying.


A Justiça de Mato Grosso condenou um colégio particular de Cuiabá a indenizar em R$ 13 mil uma aluna que sofreu 'bullying' por parte de colegas da escola onde permaneceu estudando por mais de três anos, durante o ensino fundamental. Consta no processo que as ofensas pelo tipo de cabelo e a cor de pele da aluna ocorriam dentro da unidade de ensino e também em sua página pessoal, na rede social Orkut, conforme consta no processo.

A condenação em primeira instância ocorreu em maio de 2016, mas tanto o colégio quanto os pais da aluna recorreram da decisão junto ao Tribunal de Justiça. A unidade de ensino tentou reverter a decisão e os pais visavam aumentar o valor da indenização. Os recursos foram rejeitados e a sentença foi mantida pela Sexta Câmara Cível em fevereiro deste ano.

O G1 tentou, mas não conseguiu contato com a advogada do colégio e com a defesa da aluna. No processo, o colégio alegou desconhecimento da situação vivenciada pela estudante, afirmando que ela nunca teria demonstrado descontentamento ou reclamação referente à bullying. A decisão ainda cabe recurso.

Consta no processo que a aluno frequentou a escola entre os anos de 2007 e 2009, período em que cursou o 3º, 4º e 5º anos do ensino fundamental. Segundo os pais da aluna, até os 11 anos ela era “ativa, feliz, cantava e dançava no grupo da igreja”, mas mudou drasticamente o comportamento após ingressar no colégio.

“Desde então, passou a apresentar comportamento diverso, permanecendo calada e trancada em seu quatro por longo período, evitando se relacionar com a família, amigos e parentes, além de baixa autoestima e gagueira”, diz trecho do processo.

Conforme a mãe da vítima relatou no processo, os colegas de escola “tiravam sarro” da sua filha pela cor de pele e pelo cabelo dela, razão pela qual a menina passou a questionar o seu biotipo, se sentia inferior e dizia não mais querer frequentar o colégio, bem como se recusava a participar de trabalhos escolares em grupo, preferindo fazer as atividades sozinha.

Em seu voto, a desembargadora Cleuci Terezinha Chagas do recurso (4ª vogal), cujo voto de vista guiou o julgamento, ressaltou que os pareceres emitidos pelos profissionais técnicos da área de psicologia e fonoaudiologia confirmam que a estudante foi vítima de bullying no período em que passou matriculada no colégio.

“Com efeito, desse laudos é possível constatar que além de a autora ter sido vítima de intimidação sistemática, essa violência resultou em danos psicológicos, com alteração de comportamento, dificuldade de relacionamento e problema na fala”, afirmou a magistrada.

A desembargadora ressaltou, em seu voto, um parecer anexado ao processo, dado por uma psicóloga procurada pela mãe após um ano de discriminação sofrida pela filha.

O documento aponta que, devido aos episódios sofridos, a menina “tem dificuldade em lidar com sua imagem, comprometimento de sua autoestima, sentimentos de inferioridade, inibição, timidez, tendência em vivenciar as fantasias como necessidade de fugam isolamento de contato interpessoal e interação com o ambiente, insegurança, sentimento de inadequação aos ambientes extra familiar e apresenta ainda gagueira por ansiedade”.

Segundo a magistrada, a ocorrência de bullying também restou comprovada nos “comentários depreciativos e perseguições” feitos por colegas de sala nas fotos publicadas pela estudante em sua conta no Orkut.

A desembargadora ressaltou, ainda, que em diversas ocasiões a mãe noticiou o colégio sobre a exclusão social e a perseguição que a aluna suportava no local e que a escola encarou a situação como mera timidez e problema de relacionamento da aluna.

“Tal fato demonstra mais uma vez que a instituição de ensino tinha conhecimento de que havia algo de errado acontecendo com a estudante, pois, embora seja normal uma pessoa ser tímida, não se pode dizer o mesmo de uma adolescente que está evitando os colegas e o convívio social dentro da escola”, afirmou.



Lislaine dos Anjos
Do G1 MT

Fonte: http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2017/03/colegio-e-condenado-pagar-r-13-mil-aluna-vitima-de-bullying-no-orkut.html

quarta-feira, 15 de março de 2017

O isolamento de professores diante de casos de violência e bullying




Professora de Língua Portuguesa da rede pública há 29 anos, Jonê Carla Baião sempre pede aos alunos, no início do período letivo, uma redação curta sobre a vida deles. Já leu e ouviu muita história, mas ainda se atordoa com relatos como o que lhe foi entregue no primeiro dia de aula de 2017 por uma aluna do 9º ano:

"Eu sempre fui zoada e a última vez em que tive paz na escola foi no Jardim (de infância); depois disso não tive um ano sequer em que não tenham mexido comigo", escreveu a jovem, que, negra e muito magra, era alvo constante de ofensas dos colegas, e os professores não percebiam.

Outra vez, também no primeiro dia de aula, uma aluna vinda de São Paulo escreveu que apanhava do pai e por isso havia se mudado para o Rio para morar com a mãe e o padrasto - que passou a abusar sexualmente dela.

Tema constante de debate na escola pública brasileira, a violência nos colégios voltou à cena depois que Marta Avelhaneda Gonçalves, de 14 anos, foi morta por estrangulamento numa sala de aula do Rio Grande do Sul na semana passada.

Relatos de violência, agressão e bullying expõem tanto o sofrimento do aluno como o isolamento do professor para agir diante de casos que ultrapassam a competência de apenas "transmitir conhecimento".

Uma proposta em tramitação no Congresso há 17 anos, o projeto de lei 3.688, propõe a contratação de psicólogos e assistentes sociais na rede pública como forma de oferecer atendimento aos alunos e apoio aos professores no ambiente escolar.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil elogiam o mérito do projeto, mas afirmam que é preciso pensar no conjunto da situação escolar. A Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), por sua vez, alerta que uma das dificuldades para que ele seja aprovado é sua viabilidade financeira e operacional.

Na avaliação da entidade, a contratação não pode ser feita em cada escola, mas sim em parceria com as secretarias de Saúde e Assistência Social - mudança já prevista no projeto. Parte dos municípios brasileiros ainda não consegue pagar o piso nacional do magistério (R$ 2.298,80), e, para a Undime, ter psicólogos e assistentes sociais recebendo valor possivelmente superior criaria conflito com os professores.



Rotina de prevenção

Uma professora da História, que concordou em dar entrevista à BBC Brasil sob anonimato, vive numa escola municipal da Baixada Fluminense situações semelhantes às relatadas por Jonê Carla.

"Tenho um aluno que viu o pai matar a mãe. O garoto é hiperativo e não para quieto. Agora o pai vai sair da prisão. Como vai ser? Tive aluna que sofria abuso sexual do padrasto, outra do pai. Tivemos que chamar o Conselho Tutelar. Alunos e professores precisam de ajuda para lidar com isso", avalia.

Em casos de abuso sexual ou violência doméstica, o professor é orientado a procurar imediatamente a direção da escola para que a denúncia seja apurada, recorrendo a órgãos como polícia e Conselho Tutelar.

Docente das redes municipal e estadual do Rio, Jonê Carla relembra uma ocorrência de abuso sexual encaminhada ao Conselho Tutelar. Segundo ela, a preocupação é que o professor não guarde o caso apenas para si e procure apoio para o aluno.

Especialista no tema da gestão escolar e doutora em Administração Pública, a pesquisadora Gabriela Moriconi, da Fundação Carlos Chagas, avalia que o suporte psicossocial proposto no projeto de lei ajudaria alunos e professores a não apenas reagir a "problemas" de um ou outro estudante, mas criar uma rotina de ação preventiva capaz de agir no conjunto das escolas.

Moriconi acompanhou projetos educacionais no Canadá e no Reino Unido e observou fatores que podem influir no clima da escola. Na experiência canadense, por exemplo, equipes multidisciplinares não ficavam fixas nos colégios, mas no sistema educacional, atendendo a várias unidades.

"É um suporte importante para um professor que já enfrenta questões variadas, como o salário baixo, a adequação da dificuldade da aula para turmas pouco homogêneas, ou turmas grandes, ou a definição de regras de convivência", afirma a pesquisadora.

"Psicólogos e assistentes sociais não trazem solução para todos os problemas, mas são uma forma de realizar um trabalho mais constante na escola e compreender o aluno em seu contexto. É preciso entender como esses alunos se sentem, se respeitados ou ameaçados", acrescenta.

'Bullying exige plateia'

A indisciplina também preocupa e atrapalha professores brasileiros. Pesquisa divulgada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em janeiro de 2015 mostrava que, entre 33 países comparados na Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (PISA) de 2013, o Brasil foi o lugar em que os professores mais se queixaram de estudantes indisciplinados.

Pelo menos dois em cada três professores brasileiros disseram ter problemas com o assunto em sala de aula. Entre os países pesquisados, a média era de 31% - pouco menos de um terço.

Entre o aluno ideal e a escola real, um dos caminhos é tentar entender as diferenças, avalia a pedagoga Cláudia Barreiros, mestre e doutora em Educação e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Educação Básica do Cap-Uerj, o Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

"O professor tem que partir do princípio de que os alunos são diferentes. Não adianta chegar à escola e dizer: 'ah, não era o que eu esperava'. Temos de lidar com estes alunos e suas realidades", afirma.



O Cap-Uerj implementou em 2011 um programa de combate ao bullying, preocupação relatada por professores ouvidos pela BBC Brasil.

Pesquisadora do tema, Barreiros destaca que o bullying pressupõe um praticante, um alvo e também uma plateia - as pessoas que dão ao praticante a "visibilidade" almejada. "Se é uma piada, todos estão se divertindo, é uma brincadeira. Se alguém começa a sofrer com a piada, já não é brincadeira", alerta.

Cláudia relembra o caso de uma aluna negra, gordinha, que sofria bullying contínuo. Alguns professores cobravam que a família ajudasse, estimulando um regime. "Eu me perguntava, mas e a cor, querem mudar também? Não vamos culpar a vítima. O bullying não resulta da diferença, resulta do preconceito", analisa.

Da experiência do magistério, ela guarda a lição de uma turma na qual meninos de 6, 7 anos perseguiam meninas chamando-as de "macacas" e "baleias". O melhor resultado obtido por uma professora contra o problema foi dizer claramente às crianças que racismo é crime punido com prisão.

"Temos de trabalhar no sentido educativo, claro, mas o professor não pode ser conivente ou leniente. É preciso deixar explícito que o preconceito não será tolerado", afirma.

Do mesmo modo, em casos de agressão, abuso ou violência doméstica, a orientação é levar imediatamente a denúncia às instâncias responsáveis.

Efeitos no professor

Diante da violência, da indisciplina e da rotina estressante de sala de aula, o professor também sofre as consequências.

O psicanalista Leandro dos Santos atendeu durante dez anos professores e diretores de escolas públicas do ABC paulista no ambulatório de uma faculdade particular em que dava aulas. As queixas mais comuns eram depressão, estresse e esgotamento nervoso.

"Até hoje atendo professores no consultório e observo um grande sentimento de impotência diante da rotina escolar", afirma Santos, mestre em Psicologia Escolar e doutor em Psicologia Clínica pela USP.

"Às vezes me sinto só diante de tanto sofrimento do aluno. Queria poder fazer mais", diz a professora de História da Baixada Fluminense. Ela conta que já trabalhou em uma escola pública em que havia um psicólogo e se sentia mais segura para abordar alunos com hiperatividade ou deficit cognitivo.

"O professor sozinho não dá conta. Por mais que o aluno se identifique com um ou outro professor, não fomos treinados para essa ajuda tão especializada", analisa Jonê Carla, a professora que pede aos alunos redações sobre suas vidas.

Na tentativa de melhorar a autoestima dos estudantes, Jonê Carla discute gênero, identidade, racismo, descobre histórias, escreve sobre o que aprende em sala de aula. E guarda em seu baú de professora relatos pungentes, como um poema escrito por um ex-aluno de uma escola em Guadalupe, na zona norte do Rio:

Mataram meu colega e eu não digo nada

Me chamam de zumbi e eu não digo nada

Me ameaçam e eu não digo nada

Estão em guerra e eu não digo nada

A seca está matando e eu não digo nada

Professor me dá os esporros e eu não digo nada

Morre gente e eu não digo nada

Ficam me criticando e eu não digo nada

O Brasil perde a Copa e eu não digo nada

Picham a escola e eu não digo nada

Pois agora chega, eu vou dizer tudo.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39253873

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

VÍDEO: polícia investiga agressão a aluna que sofreu bullying por um ano

'Surra' foi filmada



A briga entre duas adolescentes na porta de uma escola, no Bairro Maria Aparecida Pedrossian, será investigada pela Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), em Campo Grande. Segundo a polícia, a vítima sofria bullying, por ser novata, na escola desde o início de 2016 e recebia ameaças até por Facebook.

De acordo com o delegado Bruno Urban, da Deaij, as agressões ocorreram na última segunda-feira (20) e a vítima, acompanhada da mãe, procurou a polícia, nesta terça-feira (21).

"Ela foi agredida por uma colega de escola e afirmou que, desde 2016, sofria bullying porque era novata. As ameaças seguiram durante todo o 2016 e continuaram neste ano, pessoalmente e até pelo Facebook. Após agredir a menina, de 12 anos, a de adolescente, de 14 anos, chegou a ameaçar atirar contra a genitora da vítima", relatou o delegado.

Segundo a polícia, a escola já havia sido informada das ameaças, mas nada foi solucionado entre as alunas. A vítima também não havia registrado as ameaças na Polícia Civil.

A agressão contra a menina, de 12 anos, foi registrada na Deaij e a adolescente, de 14 anos, deve ser ouvida. A vítima passou por exames no Imol (Instituto Médico Legal de Odontologia)

ENVOLVIMENTO DA MÃE

Além de ir até a delegacia, registrar o ocorrido com a filha, a mãe da adolescente, de 12 anos, procurou a adolescente, de 14 anos, para revidar as agressões.

A ação será investigada pela Dpca (Delegacia de Protecao a Crianca e ao Adolescente).

Assista ao vídeo:


Por Danielle Valentim e Geisy Garnes
22/02/2017 15h39 - Atualizado em 23/02/2017 09h06

Fonte: http://www.midiamax.com.br/policia/policia-investiga-agressao-adolescente-sofria-bullying-escola-ha-ano-332524

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Diretor de escola deixa aluno raspar sua cabeça para combater o bullying

O caso, que aconteceu nos Estados Unidos, é mais um capítulo de uma história de coragem e atitude contra a intolerância e o preconceito.




Jackson Johnson é um menino norte-americano de 11 anos que resolveu raspar a cabeça. Mas ele não fez isso para emular um jogador de futebol ou um ídolo do punk rock. Jackson passou a máquina zero para apoiar o seu avô, que luta contra um câncer. O problema é que os seus colegas da escola, no estado de Iowa, não sabiam da história e começaram a fazer brincadeiras negativas contra o menino, sem nenhuma piedade. Bullying, tipicamente cruel.

Esperto, o garoto fez a coisa certa e dividiu o problema com seus pais, que informaram o que estava acontecendo à escola. Foi então que o diretor da instituição, Tim Hadley, teve a ideia de reunir seus alunos para ensinar uma grande lição . Primeiro, ele falou sobre o câncer e como ele afeta a vida de todos ao redor das vítimas da doença. Pouco depois, o diretor, então, pediu a Jackson que raspasse sua cabeça em sinal de solidariedade ao garoto e à sua família.

Tudo foi registrado em um vídeo, que viralizou com força nas redes sociais ao longo dos últimos dias e inspirou atitudes semelhantes – na própria escola de Jackson e ao redor do planeta. 


Essa não é a primeira vez que um profissional da educação faz algo extremo para combater o bullying. Em 2014, o jornal britânico “The Guardian” contou a história do professor iraniano Ali Mahammadian Mahammadian, que também raspou a cabeça depois de ver um de seus alunos sofrer provocações parecidas. À época, o mestre foi alçado à condição de herói nacional, recebendo elogios até mesmo do presidente do seu país.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Alerta: o bullying provoca nota baixa

Estudo realizado ao longo de 25 anos comprova que agressões sofridas na escola prejudicam o rendimento acadêmico das vítimas.



O bullying já foi apontado como causa de depressão, ansiedade, obesidade e sentimento de solidão em crianças. Ainda que o termo, cunhado nos anos 70 pelo psicólogo sueco Dan Olweus, descreva qualquer ataque que use a força ou a coerção para intimidar e ameaçar alguém, ele é frequentemente associado aos “valentões” que humilham meninos e meninas na escola. Gagueira, uso de óculos com lentes grossas, características físicas ou mesmo (ironia que a inveja pode explicar) um desempenho escolar acima da média costumam motivar as agressões — verbais em 77% das situações, físicas no restante. Estudos realizados pela Associação Americana de Medicina chegaram a revelar que o trauma pode ser tão grave que as vítimas têm até três vezes mais risco de pensar em suicídio. Uma nova pesquisa, da Associação Americana de Psicologia, divulgada na última semana, descobriu outro efeito preocupante do bullying: as vítimas tendem a se sair pior em provas escolares e a odiar experiências acadêmicas. A conclusão veio de um estudo conduzido ao longo de 25 anos por psicólogos da Universidade do Estado do Arizona.

Para ler a reportagem na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA no iOS, Android ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no Go Read.

Por Filipe Vilicic, Talissa Monteiro
4 fev 2017, 14h12



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Volta às aulas: o que fazer quando seu filho sofre demais

Saiba como lidar com crianças que encaram o retorno à rotina escolar com medo e ansiedade.



Enquanto o retorno da rotina escolar é motivo de empolgação para muitas crianças, ele pode ser um pesadelo para outras. Reencontrar os amigos, conhecer a nova professora, encarar a rotina de regras e responsabilidades… Tudo vira motivo de ansiedade (e sofrimento). Mais ainda se a criança mudou de escola ou se está prestes a iniciar um novo segmento, como a passagem da educação infantil para o ensino fundamental: o medo do desconhecido e a expectativa do novo tiram até o sono. CRESCER falou com especialistas para tirar algumas das principais dúvidas dos pais sobre a dificuldade emocional na volta às aulas:

O que a volta às aulas representa para a criança?
Mudança, algo que nem sempre é bem recebido pelos pequenos. Afinal, significa que uma série de coisas precisará se alterar, como horários e rotina. É natural que essa transição seja um tanto conturbada e estressante, mas a volta às aulas pode ganhar outro significado, mais leve e divertido: é o momento de encontrar os amigos, fazer novos colegas, ganhar mais autonomia e aprender coisas novas.

Como identificar o sofrimento da criança?
A criança pode não manifestar a ansiedade verbalmente, pois, muitas vezes, não consegue expressar seus sentimentos com palavras. Portanto é preciso ficar atento aos sinais, como falta de sono, choro, irritação e resistência ao acordar para ir para a escola. Fazer drama em casa, mas ficar bem, faz parte da ansiedade natural, que está presente na fase de adaptação. Por isso, é fundamental que os pais estejam tranquilos. Eles também ficam ansiosos! Mas as crianças também percebem, o que pode exacerbar a tensão.

Como saber quando esse sofrimento passa do normal?
Algumas crianças são simplesmente mais apreensivas do que outras. Mas, quando nem mesmo a perspectiva de reencontrar amigos ou fazer algumas atividades prediletas, como educação física e artes, é capaz de animar seu filho e a angústia é excessiva, vale prestar mais atenção, principalmente se a resistência continuar mesmo depois da primeira semana na escola. Converse com a criança para entender se há algum motivo mais sério, como medo de sofrer bullying. Independentemente da idade, crianças que têm uma ansiedade além do normal, sofrem com pesadelos e mudam radicalmente a rotina de sono e o padrão de alimentação. As mais velhas podem se isolar ou ficar mais ríspidas, irritadas e até mesmo mais tristes. Nesse caso, vale conversar com a escola para entender se algo grave ocorreu no passado.

O que posso fazer para deixar meu filho mais tranquilo durante as férias?
Aos poucos, encoraje-o a dividir com você as expectativas sobre como será seu dia a dia e sobre como ele está se sentindo em relação ao retorno. Muitas vezes, a criança não quer uma solução para o seu sofrimento, ela quer simplesmente desabafar. Sempre que possível, aproveite situações que dão prazer ao seu filho e toque no assunto. Por exemplo, se vocês estão brincando de algo divertido, comente: “Não vejo a hora de você poder me ensinar tudo o que está aprendendo na escola com a sua professora”. Ou, no caminho de volta depois de um passeio legal, passe propositalmente perto da escola e comente: “Vai ser uma delícia fazer esse caminho todos os dias, quando eu estiver vindo buscar você aqui na escola". Assim, você começa a associar a escola a sentimentos positivos.

Na semana anterior, envolva a criança na compra e na organização do material, como arrumar a mochila, etiquetar os cadernos e separar o uniforme. Isso a motiva a enfrentar a nova fase e faz com que o preparo emocional aconteça naturalmente. É importante lembrar seu filho de que ele terá a oportunidade de rever os amigos e professores, fazer novas amizades e começar atividades extracurriculares, como futebol, natação, dança, teatro. Duas semanas antes, comece a rotina de noites mais longas de sono, mantendo um horário de acordar mais próximo do horário da escola, no caso de crianças que estudam na parte da manhã. Para aqueles que vão estudar na parte da tarde, também vale começar a preparar o hábito de acordar a tempo de brincar, fazer a tarefa, assistir ao desenho predito.

Ter um calendário à vista, que indique claramente a data em que as férias vão terminar, também pode ajudar. Dessa forma, você o mantém em contato com os deveres e responsabilidades. Outra ideia fofa e eficiente é combinar uma festa de "Volta às aulas” com as outras mães: uma reunião com os amigos mais próximos do seu filho para que eles troquem histórias sobre as férias. Ver que os colegas também estão receosos ajuda a diminuir a ansiedade.

Independentemente da idade, palavras positivas e de incentivo dos pais têm um forte impacto. Experimente estas: “Agora está difícil para você, mas logo você se acostuma e vai adorar”; “Seus amigos também devem estar se sentindo assim, é normal”; ou “O começo é assim mesmo. Mas essa é a sua escola e você precisa entrar para aprender. Logo volto para te buscar”.

É a primeira vez que o meu filho vai à escola. Como posso transmitir essa segurança para ele?
O melhor a fazer é começar a criar muitas expectativas positivas de aprendizagem e descobertas. Comentários como “Já pensou quantas músicas novas você vai me ensinar a cantar quando já estiver indo para a escola?” ou “Mal posso esperar para ver os trabalhinhos que você vai trazer da escola para eu ver”. Se possível, combine com familiares e amigos com filhos de as crianças brincarem cada dia em uma casa diferente. Assim, elas terão a chance de experimentar ficar sem a mãe na companhia de outras crianças.

O que deve ser feito na noite anterior ao retorno?
Comemorar! Prepare um jantar gostoso e aproveite para falar sobre o orgulho que sente por saber que ele vai fazer novos amigos, descobrir novas formas para aprender, desenvolver habilidades que o ajudarão a construir um mundo melhor. Lembre-os também dos bons momentos que tiveram no ano escolar anterior.

Por Andrezza Duarte - atualizada em 23/01/2017 10h35

Fontes: Vanessa Cristina Guilhermon Rodrigues, psicopedagoga da Clia Psicologia, Saúde & Educação; Roberta Bento, idealizadora do projeto Socorro, Meu Filho Não Estuda; e Sabrina Laqua, mestre em psicologia infantil.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Bullying na escola: mesmo depois da criação da lei ele continua sendo um problema

Mesmo depois da criação da lei do combate ao bullying, a violência continua presente na escola.


Em novembro de 2015, foi instituída a lei do Programa de Combate à Intimidação Sistemática (13.185/15), mais conhecida como Lei do Bullying. A ideia era tomar ações que impedissem a disseminação da violência na escola, mas ela ainda não parece estar dando os resultados esperados.

De acordo com uma pesquisa feita pelo IBGE, o número de crianças que sofrem bullying na escola está aumentando. Em 2014, 35,3% dos estudantes afirmou que já sofreu algum tipo de intimidação ou humilhação pelos colegas. Em 2015, esse número aumentou para 46,6%.

Os números são especialmente preocupantes com adolescentes LGBT. Em pesquisa feita em seis países da América Latina, incluindo o Brasil, a Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil 2016 descobriu que 73% dos estudantes LGBT brasileiros sofrem bullying, e que 36% já apanharam na escola. Mais de um terço desses jovens acha que a escola é ineficaz para evitar agressões.

Esse cenário deveria ter mudado com a aplicação da Lei do Bullying, no ano passado, mas de acordo com especialistas, “a implementação da lei é demorada e falta capacitação de educadores para lidar com o problema”.

O projeto definiu que docentes e equipes pedagógicas fossem equipados com as ferramentas necessárias para prevenir e solucionar casos de bullying, assim como pretende orientar pais e familiares para as formas de identificar vítimas e agressores.

Para o deputado Efraim Filho (DEM-PB), autor da redação final do projeto de lei, o combate ao bullying requer uma mudança cultural, e isso não ocorre de forma imediata.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Vítima de bullying, menino de 11 anos ganha dinheiro dando conselho a passageiros do metrô de Nova York

Ciro Ortiz cobra US$ 2 por cinco minutos de aconselhamento a pessoas com problemas profissionais, amorosos ou da vida em geral. “Acho que sou sábio o suficiente para isso”, declarou.



O nova-iorquino Ciro Ortiz tem apenas 11 anos, mas já se comporta como um experiente nas questões mais profundas da vida. Aluno da sexta série, ele já enfrentou, como muitas crianças da sua idade, momentos difíceis na escola. O garoto já foi diversas vezes vítima de bullying, mas encontrou neste problema uma maneira de ganhar dinheiro e ajudar outras pessoas.

Em entrevista ao site Upworth, Ciro disse que nenhuma agressão realmente a incomodou. “Eu não vou me esforçar para ser alguém que não sou”, declarou. Mas ao se deparar com essas situações, ele notou que poderia oferecer uma série de ajuda e conselhos encorajadores a quem precisasse.
Foi então que Ciro decidiu usar essa capacidade para auxiliar os estressados passageiros do metrô de Nova York. “Acho que sou sábio o suficiente para dar conselhos”, diz. E os pais concordam.

Por isso, aos domingos, ele arma a sua banquinha em uma estação do Brooklyn e oferece ali cinco minutos de aconselhamento por US$ 2 (R$ 6). E durante duas horas se põe a ouvir problemas profissionais, amorosos e da vida em geral.

Em um dia cheio, Ciro consegue fazer até US$ 50 (R$ 166), renda que é toda revertida a crianças de sua escola que não têm dinheiro para comprar um lanche. No primeiro dia, o menino confessa ter enfrentado um certo nervosismo – “achava que iriam rir de mim” -, mas a medida que seus clientes perceberam que ele “estava falando sério”, tudo aconteceu como estava planejado.

Surpreendentemente, os passageiros confiam ao garoto seus problemas reais. E uma das queixas mais comuns é a de pessoas infelizes em seu relacionamento ou preocupadas em não encontrar um amor. E seu melhor conselho é: “Quando você foi trazido ao mundo, veio de alguém que já te ama. Pense nisso”.

Enquanto seus colegas de escola não entendem o motivo da sua iniciativa, ele prefere a acreditar que todo mundo precisa de uma ajuda às vezes. “É impossível viver sem ajuda.”

21.12.2016 - 19H32 POR REDAÇÃO MARIE CLAIRE

Fonte: http://revistamarieclaire.globo.com/Noticias/noticia/2016/12/vitima-de-bullying-menino-de-11-anos-ganha-dinheiro-dando-conselho-passageiros-do-metro-de-nova-york.html

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Bullying infantil: como lidar com a situação e proteger os nossos filhos



Cada vez há mais crianças sofrendo de atos violentos, intencionais e repetidos nas escolas e parquinhos. Na maioria dos casos, calam-se e têm medo de contar em casa que estão a ser vítimas de bullying. Como é que um pai e uma mãe devem proceder?

Como reagem os pais ao serem confrontados com esta realidade? Quão perturbados ficam ao pensarem que os seus filhos podem estar a ser vítimas de violência contínua e intencional na escola? O ideal é estarem sempre atentos a todos os sinais e conversarem muito com as crianças. É importante que estas percebam que estão apoiadas e têm a quem recorrer, sem problemas, se forem maltratadas de alguma forma.

Para a ajudar a estar alerta a todos os sinais, criámos um pequeno guia sobre o bullying infantil.
O que é?

Segundo a APAV, “é uma forma de violência contínua que acontece entre colegas da mesma turma, da mesma escola ou entre pessoas que tenham alguma característica em comum (por exemplo: terem mais ou menos a mesma idade; estudarem no mesmo lugar)”.

Existem características específicas que chamam a atenção do agressor?

A forma de ser da vítima é uma das características mais “chamativas”. Se a criança for calada, mais sensível e frágil faz com que esteja mais exposta às agressões. Também o físico faz com que se possa tornar, infelizmente, “diferente” dos outros (ser mais baixa ou mais alta, magra ou gorda, usar óculos ou aparelho nos dentes). O fato do agressor não estar, muitas vezes, sozinho dá-lhe ainda mais força.

Que tipos de bullying existem?

Segundo a APAV, existem seis tipos de bullying:

Físico
  • Empurrar, amarrar ou prender;
  • Dar bofetadas, murros ou pontapés;
  • Cuspir, morder;
  • Roubar dinheiro ou outros bens pessoais;
  • Rasgar roupa e/ou estragar objetos.

Sexual
  • Insultar ou fazer comentários de natureza sexual;
  • Obrigar à prática de atos sexuais.

Verbal
  • Chamar nomes;
  • Gritar;
  • Gozar, fazer comentários negativos ou críticas humilhantes;
  • Ameaçar.

Social
  • Deixar de fora dos trabalhos de grupo e/ou dos jogos;
  • Inventar mentiras;
  • Espalhar rumores, boatos ou comentários negativos ou humilhantes.

Cyberbullying
  • Espalhar informação falsa, assediar/perseguir, incomodar e/ou insultar através de SMS, MMS, e-mail, websites, chats, redes sociais.

Homofóbico
  • Contar (ou ameaçar contar) a outras pessoas, contra a nossa vontade, segredos ou informações sobre a nossa sexualidade;
  • Discriminar com base na nossa identidade e expressão do género sexual (relacionado com a maneira como nos vestimos ou nos expressamos);
  • Fazer comentários negativos de cariz sexual e/ou gestos obscenos;
  • Praticar toques sexuais indesejados ou outros atos sexuais contra a nossa vontade;
  • Fazer comentários e/ou piadas homofóbicas;
  • Denegrir a nossa imagem junto de outras pessoas, inventando mentiras ou espalhando rumores/informação falsa;
  • Excluir propositadamente do nosso grupo de amigos e/ou forçar o afastamento dos amigos ou das pessoas que nos são mais próximas;
  • Deixar de fora das atividades, dos desportos/jogos e/ou das coisas que gostamos de fazer.

Como se sentem as crianças vítimas?

Em primeiro lugar ficam com um medo tremendo dos agressores. Têm medo de contar à família e sofrer represálias, acham que ninguém vai acreditar neles e que os amigos vão ignora-las. É muito normal nestes casos que as vítimas deixem de querer ir à escola (inventam que se sentem doentes, por exemplo), pioram as notas nas provas, perdem a vontade de fazer atividades ao ar livre e isolam-se em casa. A perda de apetite, suores, pesadelos frequentes, batimento cardíaco acelerado e enjoos são também sintomas que os pais devem estar alerta. 

Como é que os pais devem lidar com a situação?


  • Devem conhecer bem a escola e grupo de amigos dos filhos (também para dar espaço a estes miúdos a denunciar algo aos pais), por exemplo;
  • Ao mínimo sinal de desconforto da criança é muito importante saber o que a levou a tê-lo;
  • Baixou uma nota porque não percebeu bem a matéria? Ou será que anda ansiosa e com medo? Os pais devem falar com os professores as vezes que forem necessárias para saber como está a ser o rendimento da criança na escola;
  • O incentivo à partilha de problemas é muito importante. Se uma criança sentir que pode falar abertamente com os pais sobre tudo é meio caminho para partilhar com eles o que lhe está a acontecer;
  • Fazer uma espécie de diário dos acontecimentos que podem estar a criar o bullying é muito importante para futuras queixas.

BY SARA CHAVES
Fonte: http://saberviver.sapo.pt/bullying-como-lidar-situacao/

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Menino leva facão e flechas para escola ao sofrer bullying

Jovem disse que se inspirou em atirador americano.



Um adolescente, de 13 anos, foi armado para escola em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, com uma faca, um facão e flechas. O estudante alegou que sofria bullying e queria se vingar.

A Polícia Militar foi chamada pela direção da Escola Estadual Américo Lopes, depois que o aluno correu atrás de outros estudantes com o equipamento. Ele informou que estava cansado das brincadeiras de mal gosto dos colegas e resolveu a ir armado para matá-los.
Chegando ao local, os militares conseguiram contar a situação, desarmaram o aluno e apreenderam o material. De acordo coma polícia, o adolescente disse que foi armado para a escola inspirado em um atirador dos Estados Unidos, que matou vários estudantes em um colégio americano.


A direção da instituição informou que o jovem sempre teve um comportamento exemplar. Segundo a diretora, ele sempre foi muito tímido e nunca contou aos professores ou à direção que era vítima de bullying.

Por telefone, a diretora da instituição disse que o aluno foi transferido para outro turno e que as famílias de todos os envolvidos foram chamadas para uma reunião que vai ser feita para discutir o que aconteceu e as medidas necessárias a serem tomadas. O garoto deve receber acompanhamento psicológico.

7 dias atrás (Atualizado 7 dias atrás)

Fonte: http://noticias.r7.com/minas-gerais/menino-leva-facao-e-flechas-para-escola-ao-sofrer-bullying-26112016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

‘Bullying pode ser motivo para trocar criança de colégio’

Professora da Faculdade de Educação da USP explica o que deve ser feito caso filho seja vítima de agressões na escola.



Problemas graves na escola, como casos de bullying, podem justificar uma mudança de colégio, se a instituição não ajudar a contornar a questão. Em entrevista ao Estado, Silvia Colello, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), explica que aspectos justificam uma mudança de escola e destaca a importância da tentativa de diálogo antes de assumir posturas radicais.

O que pode ser feito antes de mudar de escola por nota baixa?

Pais e escolas sempre têm de estar muito próximos no acompanhamento da vida escolar, independentemente de qualquer coisa ou de casos extremos. Nota baixa é um aspecto, mas às vezes tem casos de bullying, de inadaptação social, ou a criança é muito tímida, fica isolada. Às vezes parece que está dando tudo certo, a criança tira notas boas, mas está infeliz na escola, não tem amigos. 

A repetência é um motivo para sair ou isso pode ser contornado pelos pais?

A repetência é uma medida que deixa marcas, mas isso tem que ser avaliado caso a caso. Às vezes a criança está imatura, precisa de um tempo a mais. Se for essa a opção (tirar da escola), conversar muito com a criança para tentar minimizar os efeitos do sentimento de fracasso, de baixa autoestima. 

Alguns pais mudam de escola porque a metodologia não é adequada ao filho. Como perceber isso?

Muitos pais procuram a escola que frequentaram ou a escola que foi boa escola paro o irmão mais velho, por exemplo. E partem da ideia de que se já deu certo, vai dar de novo. E isso não é regra. Os pais têm de compreender que não existe escola perfeita, mas existem escolas com propostas educativas que podem se ajustar mais ou menos àquela criança. 

Quando eu falo de ajustar, eu falo da metodologia que atende às expectativas, bate com a personalidade e o perfil da criança. Mas é também o ambiente da escola. Tem pais que são muito liberais e põem em uma escola muito rígida porque eles acham que, na média, vai dar certo. Isso não funciona bem porque a criança vive em um esquema de contradição. A proposta tem se aproximar do perfil da família. 

A escolha de uma escola que não estimula o aluno a estudar deve ser repensada pelos pais?

Deve. A escola tem que estimular o aluno. Não só garantir a aprendizagem, mas ensinar a estudar. Dar para o aluno a oportunidade de ele ser um pesquisador, um protagonista do seu processo de aprendizagem. Para te dar um exemplo: eu vejo muitos alunos meus na universidade que são bons alunos, mas não têm autonomia para aprender. Não sabem ir à biblioteca, fazer uma pesquisa. Porque a vida inteira receberam o conteúdo apostilado, mastigado. 

Então, são escolas que garantem o conteúdo, mas não garantem a formação do estudante de forma mais ampla. Nem sempre os pais têm condição de ver isso. Às vezes eles estão tão preocupados com o vestibular, por exemplo, que não percebem que o projeto educativo é muito mais amplo. Envolve formar um sujeito com autonomia para a aprendizagem, que tenha liderança, valores, como respeito à diversidade, tolerância, que seja capaz de ter uma reflexão crítica. 

Insistir em uma escola onde a criança está sofrendo bullying ou tem dificuldades para se enturmar pode ser uma boa medida?

O bullying é uma prática que costuma deixar marcas muito profundas nas crianças e jovens. Então, em um primeiro momento, os pais têm que procurar a escola e cobrar iniciativas com relação ao bullying. Não é assim: começou o bullying, tira da escola. Em primeiro momento tem de conversar com a escola, mas se a coisa não se resolver, deve mudar de escola, sim. Se deixar uma criança por anos sofrendo bullying, é forte a probabilidade de ela levar isso para a vida inteira. 

Eu lamento porque muitas escolas não conseguem lidar com isso, os professores não estão preparados e a escola finge que não vê. Tão importante quanto conteúdos é garantir a boa convivência respeito, tolerância, o atendimento à diversidade. Eu desconfiaria de uma escola que só trabalhe conteúdo e não se preocupe com essas questões. 

Em relação a crianças mais novas, no Fundamental 1, por exemplo, quais os sinais de que a adaptação à escola não está indo bem?

Os pais me perguntam: como eu sei que a escola está sendo boa? É só olhar para o seu filho. A criança tem de dar mostras de estar bem. Ele vai feliz para o colégio, recebe amigos, é convidado para festas, participa das atividades extras da escola, dá conta das lições. Na infância, a escola é o eixo da vida da criança. Ou deveria ser. Se não for, é sinal de preocupação. 

Na pré-adolescência, as coisas mudam um pouco. O jovem tende a bater um pouco de frente porque entram em seu circuito outras esferas de referência, para concorrer com a vida escolar. É comum que o jovem fale que não gosta da escola. Mas aí o canal é conversar. “O que está acontecendo? Por que você não gosta?” Às vezes o adolescente fala que não gosta de um professor ou porque no dia teve lição demais. Os pais têm de sentir se é um aspecto pontual, periférico ou um problema de fato. 

A partir de quando a criança pode efetivamente opinar sobre a mudança de escola?

Participar sempre e se responsabilizar pela mudança progressivamente, cada vez mais a partir da pré-adolescência. A partir de uns 10 anos, a escolha tem de ser cada vez mais dividida com o jovem. Na adolescência, se você contraria o jovem nessa escolha, a chance de dar errado é muito grande. Mas, ao mesmo tempo, você não pode falar: “veja a escola que você quer”. O jovem tem que ser corresponsável por essa mudança, principalmente quando existe uma situação de fracasso. 

Então, às vezes mudar de escola pode ser visto como uma segunda chance: “olha, naquela escola você não foi responsável, não fez a lição, provocou todo mundo, não obedeceu. Nós vamos mudar você de escola e você vai entrar ‘zerado’ na outra. Ninguém te conhece e você faz uma nova história”. A mudança às vezes é muito boa como forma de recomeçar porque na escola anterior aquele aluno já estava marcado. Que a mudança seja um rito de retomada, de mudança de postura. 

Por: Júlia Marques

30 Outubro 2016 | 07h00

Fonte:
http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,bullying-pode-ser-motivo-para-trocar-crianca-de-colegio,10000085048