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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Riscos da Internet devem ser ensinados no pré-escolar



As crianças devem ser prevenidas dos riscos que incorrem na internet e nas redes sociais já no pré-escolar, defende a psicóloga Dora Alvarez, da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens em Risco.

"De facto, nós preparamos muito bem as nossas crianças para lidarem com estranhos, ensinamos desde pequeninos para não aceitarem doces, para não irem com estranhos, e não lhes ensinamos como lidar com as novas tecnologias", alertou a psicóloga no Encontro Nacional Anual das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) que reúne, desde segunda-feira, no Funchal, cerca de 650 técnicos de todo o país.

Dora Alvarez realçou ainda que as crianças e jovens tendem a aceitar os pedidos de amizade nas redes sociais, designadamente no Facebook, "e não se ensina que, muitas vezes, por detrás do que parece um adolescente também pode estar um agressor".

"Temos de começar pelo pré-escolar, pelo jardim-de-infância porque as crianças sabem manusear, desde muito cedo e muito melhor que os adultos, os 'tablets'", observou.

Esta técnica disse também que o grupo de trabalho defendeu a necessidade de sensibilizar e capacitar os pais para os perigos da internet porque "muitas vezes não têm consciência dos mesmos".

Dora Alvarez lembrou haver programas de apoio nas escolas e, particularmente, a Internet Segura.

O Encontro Anual encerra esta quarta-feira com a presença da secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes.

Data: 30/11/2016

Fonte: http://www.jn.pt/inovacao/interior/riscos-da-internet-devem-ser-ensinados-no-pre-escolar-5527696.html

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

“Você tem 2 minutos para largar o celular”: avisos como esse não funcionam, diz estudo

É isso que muitos meninos e meninas ouvem quando estão brincando com aparelhos eletrônicos. Mas, segundo uma pesquisa recente, o alerta só faz com que a interrupção da atividade seja mais conturbada. 


Basta colocar um celular ou um tablet na frente de uma criança agitada para que ela sossegue na hora. O problema é quando a distração vira vício e o pequeno não consegue tirar os olhos – ou as mãos – da tela. Aí, o que muitos pais fazem é impor limites. E, quando o tempo de uso do equipamento (e a paciência) está estourando, vem o aviso: “Você tem dois minutos para sair desse tablet/celular/videogame!”.

No entanto, segundo um estudo recente da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, o hábito de alertar que o tempo de tela está acabando só piora o processo, não contribuindo para que a meninada se desvencilhe da tecnologia. Os pesquisadores notaram que crianças de 1 a 5 anos de idade que ouviam o aviso ficavam mais irritadas quando se separavam dos eletrônicos do que aquelas que não recebiam a intimação do pais.

Participaram do levantamento 28 famílias que, ao longo de duas semanas, documentaram informações como o tempo que passavam em frente às telas, o que os pequenos assistiam, em quais aparelhos, o que os pais faziam nesses períodos, o que motivava a atividade a acabar e o quão bravas ou amigáveis ficavam as crianças quando isso acontecia. Os resultados demonstraram que, na maior parte das vezes, a garotada reagia bem ao fim das brincadeiras com eletrônicos. O problema é quando ouviam a ordem de que, em poucos minutos, deveriam parar o que estavam fazendo. “Ficamos realmente chocados – ao ponto de pensarmos ‘bem, talvez os pais só deem o alerta pouco antes de algo ruim acontecer ou quando sabem que o filho vai ser resistente'”, diz Alexis Hiniker, autora do estudo. “No entanto, fizemos diversas análises e, de todos os jeitos, o aviso de que o tempo estava acabando sempre levava a reações piores”, relata a pesquisadora.

Atitudes positivas

Os especialistas notaram que os baixinhos lidavam melhor com a interrupção dessas atividades quando elas estavam inseridas em uma rotina ou quando a brincadeira acabava naturalmente, seja por falta de interesse, seja porque outra coisa ou pessoa chamou a atenção da criança. Os estudiosos notaram ainda que limitações da própria tecnologia (como falta de conexão WiFi ou término de bateria) também ajudam meninos e meninas a lidarem melhor com a necessidade de largar o celular ou tablet.

De acordo com os pesquisadores, os fabricantes poderiam pensar em desenvolver aparelhos que avisassem sozinhos que o tempo de uso está acabando. A família determinaria quantos minutos o filhote teria para brincar e, quando o período estivesse terminando, o próprio dispositivo alertaria. Aí, o pequeno teria que ficar brigando com a tela – o que, convenhamos, não faz muito sentido.

Por Luiza Monteiro 
10 maio 2016, 18h22 - Atualizado em 28 out 2016, 12h37

Fonte: http://bebe.abril.com.br/familia/voce-tem-2-minutos-para-largar-o-celular-avisos-como-esse-nao-funcionam-diz-estudo/

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Intervenção precoce contra bullying na infância é essencial para evitar danos persistentes à saúde mental

Pesquisa descobriu que estar sujeito ao bullying precoce e continuadamente faz com que, ao longo do tempo, as crianças simplesmente não tentem mais enfrentar a situação.


Os pedidos de ajuda vêm de forma anônima, com deslizes gramaticais que denunciam a pouca idade de quem está por trás dos depoimentos publicados em sites e fóruns da internet. “Olá, tenho 10 anos, eu sofro de bullying, eu sou provocado, eu às vezes tenho vergonha, me chamam de feio, gay, nogento (sic), burro, mulherenco (sic), fofoqueiro, palhaço, estúpido.” “As meninas me excluem, nem falam comigo, e acho que também tô com depressão. Minha mãe nem liga, fala que isso é coisa da minha cabeça. Tô indo supermal na escola, quando eu ficar com 18 anos, vou me suisidar (sic), já vou ser mais uma aberração na sociedade.” “Não tenho com quem falar. Não tenho irmão, nem amigos. Me zoam muito, é a maior humilhação. Estou enlouquecendo. O que faço?”.

Nem sempre esses meninos e essas meninas encontram resposta para seus apelos. O bullying — problema que, de acordo com pesquisadores, é vivenciado por 75% das crianças e dos adolescentes — muitas vezes acaba subestimado, compreendido como algo normal da idade. Porém, um estudo publicado na revista Child Development, da Sociedade de Pesquisa do Desenvolvimento Infantil, nos EUA, mostra a importância de se estender a mão aos pequenos ao primeiro sinal de sofrimento. O artigo indica que a intervenção precoce é essencial para evitar danos persistentes à saúde mental que podem afetar vítimas de perseguição mais severa e prolongada, cerca de 10% a 15% daqueles que sofrem bullying.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores de três universidades americanas em escolas do ensino fundamental do país. Seiscentos e trinta e seis estudantes do segundo ao sexto anos foram acompanhados de 2011 a 2016 e, ao longo desse período, submetidos a uma avaliação de nível de estresse. O interesse dos especialistas era investigar como a forma que as crianças lidavam com eventos estressantes era afetada quando elas se tornavam alvo de vitimização pelos colegas.

“A resposta ao estresse nas relações sociais desempenha um importante papel no desenvolvimento de problemas mentais, como depressão. As crianças saem-se melhor quando podem controlar suas reações, como sentimentos, pensamentos e ações, e se endereçam ativamente aos problemas”, explica Wendy Troop-Gordon, professora de psicologia da Universidade da Dakota do Norte e principal autora do trabalho. “Essas respostas incluem estratégias como encontrar soluções para problemas, pensar neles de forma positiva e achar meios de regular as emoções. Diferentemente, quando elas evitam os fatores estressores ou quando suas reações estão muito fora de controle, o risco de problemas emocionais aumenta.”

Apatia

Normalmente, à medida que cresce, a criança lida mais facilmente com os problemas à sua volta. Contudo, no estudo, os pesquisadores descobriram que estar sujeito ao bullying precoce e continuadamente faz com que, ao longo do tempo, os pequenos simplesmente não tentem mais enfrentar a situação. É como se aceitassem serem vitimizados, como os cães de estudos realizados na década de 1960 que, de tanto levarem choques (de pequena intensidade, contudo), não buscavam sair da jaula em que estavam, nem desligar o mecanismo que acionava as descargas elétricas.

“Quando as crianças e os adolescentes são expostos à violência escolar precocemente e por um longo período de tempo, eles não criam mais estratégias de enfrentamento, um fenômeno que chamamos de desamparo aprendido”, explica a psicóloga infantojuvenil Flávia Lacerda, facilitadora do Amigos para a Vida, um programa reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que faz prevenção e intervenção em casos de bullying e ensina os pequenos a desenvolverem meios de lidar com o estresse. “No prazo de cinco anos do estudo, crianças que começaram a sofrer vitimização com 7 já podiam ser classificadas no nível três de estresse, que corresponde à exaustão”, diz. O estresse, portanto, torna-se crônico.

As consequências disso podem ser trágicas, observa a psiquiatra Júlia Torres, diretora médica da Clínica Psicodiagnóstica, que atende o público infantojuvenil. “Quanto mais cedo a criança é exposta, piores são os impactos. É da infância que tiramos o aprendizado. Concepções do mundo surgem aí, quando se aprende como é o mundo, como são as pessoas”, lembra. Uma experiência traumática nessa fase pode deixar sequelas que persistem até a idade adulta, destaca a médica. “Toda criança convive com situações adversas. Ela estará exposta a críticas, mas o problema é quando isso extrapola. As consequências a longo prazo podem ser tanto prejuízo acadêmico quanto impacto nas relações interpessoais, como famílias, amigos, trabalho e casamento”, explica.

Desvios

Em muitos casos, a criança e o adolescente podem acabar diagnosticados com depressão e ansiedade ou se envolverem com drogas. Também não são raros os casos de suicídio — há duas semanas, um menino de 9 anos se matou nos Estados Unidos depois de sofrer continuamente nas mãos de vizinhos e colegas de escola. Em agosto, um garoto de 13 fez o mesmo, cansado das agressões em uma escola de Nova York. Ele havia reclamado várias vezes com os pais e com os professores, mas ninguém fez nada. A última mensagem do estudante foi perturbadora: “Eu desisto”.

A psicóloga Flávia Lacerda diz que o resultado do artigo publicado na Child Development é mais um chamado para que pais e educadores identifiquem o bullying precocemente e façam as devidas intervenções. “Não tem de esperar acontecer algo mais grave nem aguardar que a vitimização se intensifique. Infelizmente, apesar de o bullying ser crime (a lei que estabelece o Programa de Combate à Intimidação Sistemática foi sancionada no ano passado), as escolas não estão preparadas para criar projetos. Mesmo nas mais renomadas, essas iniciativas são vagas”, observa. Em casa, os pais devem ficar atentos a mudanças de comportamento, resistência de ir à escola e perda de fome, entre outros sinais, ensina a especialista.

ENTREVISTA com Raquel S. L. Guzzo

Escolas e adultos despreparados
A violência à qual muitas crianças e adolescentes estão expostos no contexto familiar e escolar não tem sido levada suficientemente a sério, na opinião de Raquel S. L. Guzzo, professora titular do Centro de Ciências da Vida da PUC-Campinas e integrante da Comissão de Psicologia na Educação do Conselho Federal de Psicologia. Considerado muitas vezes como uma brincadeirinha sem maiores consequências, o bullying pode levar à formação de gangues, ao suicídio e à repetição do ciclo da violência, alerta. Em entrevista ao Correio, Guzzo lamenta que, no Brasil, o sistema não valorize o educador nem aparelhe a escola para ajudar no enfrentamento de um problema grave, com forte impacto no desenvolvimento do ser humano.

Há algum período da vida da criança e do adolescente em que o bullying tem potencial maior de afetar o desenvolvimento?
Uma criança pequena tem como principais espaços de desenvolvimento seu grupo familiar e a escola. Quanto menor ela for, menos entende a provocação e a violência, acabando por internalizá-las, naturalizá-las e reproduzi-las. Quando os adultos familiares caçoam, ridicularizam, provocam com “brincadeiras”, apelidos ou mesmo até com agressão, essa violência passa a fazer parte do cotidiano, exatamente por aqueles que deveriam ser os responsáveis pelo crescimento e pelo fortalecimento das crianças. Ela chega à escola já prejudicada por esse tipo de relação social que dificulta seu processo de desenvolvimento. Na escola, quando essas situações se repetem, existe um contexto mais amplo da vida da criança cujos impactos são também graves.

O ambiente escolar de alguma forma favorece a vitimização entre crianças?
A criança na escola, em um contexto de menos adultos e, muitas vezes, com dificuldades para o estabelecimento de vínculos afetivos mais fortes, fica mais propensa a ser vítima desse tipo de violência. Por essa razão que é importante que a escola mantenha uma relação de adultos/criança em uma proporção em que seja possível a interação singular, além de uma atenção redobrada na dinâmica das relações em sala de aula. É comum que a professora, ou o professor, não perceba de onde vem a agressão e responda atribuindo culpa à vítima, quando ela reage, o que contribui de modo mais drástico à internalização da violência.

por Paloma Oliveto 03/11/2016 08:50

Fonte: http://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/11/03/noticias-saude,195363/veja-quais-sao-os-impactos-do-bullying-a-longo-prazo.shtml

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Especialistas dizem quanto tempo as crianças podem ficar no computador

Academia Americana de Pediatras lança recomendações para garantir o bem-estar físico e psicológico de jovens que acessam a internet; dos 2 aos 5 anos, por exemplo, o uso de dispositivos eletrônicos deve se limitar a uma hora por dia.

Em boa parte do mundo, crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo conectados. Segundo estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil, por exemplo, 80% da população do país entre 9 e 17 anos utilizam a rede, sendo que 66% deles navegam por ela diariamente (Leia Para saber mais). O uso exagerado das mídias, porém, pode trazer uma série de problemas para o desenvolvimento dos jovens, como obesidade e insônia. Preocupada com esses impactos, a Academia Americana de Pediatras (AAP) publicou, na última sexta-feira (21/10), um documento contendo uma série de recomendações para ajudar pais e cuidadores a garantirem o uso seguro da internet e da televisão. Divididas por faixa etária (Veja quadro), as sugestões são resultado de uma compilação dos maiores estudos já feitos sobre o impacto das mídias digitais na saúde infantil.

Apesar de comum, não é recomendável que crianças com menos de 2 anos tenham acesso à televisão e aos dispositivos móveis. Segundo o documento publicado, crianças dessa idade não aprendem muito a partir de programas e aplicativos porque não têm a capacidade de transferir as informações que veem na tela para o mundo real. A única atividade digital recomendada para essa faixa etária é a videochamada, ferramenta que pode ser utilizada para que meninos e meninas consigam se comunicar com parentes distantes, fortalecendo os laços pessoais.

A partir dos 2 anos, as crianças podem se beneficiar muito das mídias. Publicados em 2001 e 2013 nas revistas Monographs of the Society for Research in Child Delevopment e Pediatrics, dois estudos mostram que as que estão em idade escolar demonstram claras melhoras cognitivas, linguísticas e sociais ao assistirem a programas de alta qualidade, como Rua Sésamo. Para fazer boas escolhas, a pediatra Jenny Radesky, do Hospital Infantil C.S Mott, nos Estados Unidos, e participante do estudo, recomenda que os pais peçam a opinião de especialistas ou consultem sites que classifiquem programas e séries infantis de acordo com a qualidade. A equipe do trabalho também criou um dispositivo capaz de ajudar os adultos nessa empreitada (Leia Três perguntas para).

Também é necessário limitar o tempo passado na frente das telas, principalmente da televisão, alertaram os especialistas. Segundo eles, um estudo internacional publicado na revista PLoS One em 2013 indicou que assistir à tevê de uma a três horas por dia pode aumentar o risco de obesidade em crianças e adolescentes entre 10% e 27%. A recomendação atual da AAP é que o tempo seja limitado a uma hora diária para meninos e meninas entre 2 e 5 anos. A academia diz também que pais e cuidadores devem cuidar para que os pequenos sigam a quantidade recomendada de atividade física diária, também de uma hora; e de sono, entre oito e 12 horas, conforme a idade.

“Mais do que apenas limites, os pais devem entender os programas usados pelos seus filhos”, disse Etiene Macedo, doutoranda em psicologia clínica na Universidade de Brasília (UnB) e psicóloga infantojuvenil no Plin Psicologia. Segundo ela, a proibição do uso das mídias não é o melhor caminho, mas deve haver limites. A importância deve estar em saber ativamente o que as crianças buscam com os seus dispositivos. “É preciso gastar tempo com eles, mas de forma a realmente participar do universo infantil”, afirma.

A psicóloga alerta que as tecnologias não são perigosas apenas para as crianças: podem afetar também as relações entre pais e filhos. “De um lado, o adulto fica tão conectado à tecnologia, preso até, quanto as crianças. Do outro, a criança acaba imitando o seu comportamento”, explica Etiene Macedo. “É preciso clareza também por parte do cuidador sobre o que ele faz.” Entre as recomendações da AAP, está, inclusive, a importância de os pais compartilharem com outros adultos que têm contato regular com os pequenos, como babás e avós, as regras de uso dos dispositivos eletrônicos.



“Mentores digitais”

As redes sociais devem ser um dos principais alvos de atenção, segundo especialistas. Isso pela preferência dada pelos adolescentes a elas. Conforme dados do levantamento feito pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 78% dos jovens de ambos os sexos dizem utilizá-las no país. Essas comunidades on-lines permitem uma grande conectividade, fortalecendo laços interpessoais e aumentando a exposição dos jovens a novas ideias. Além disso, podem ser utilizadas para dar suporte emocional aos adolescentes e aumentar as práticas de inclusão, como a da comunidade LGBT e a negra.

Porém, existem menos filtros na internet do que nas mídias tradicionais para proteger os adolescentes de conteúdos impróprios. Segundo a AAP, estudos demonstraram que, quanto mais exposição os jovens tiverem ao consumo de álcool, cigarro e drogas ilícitas, mais cedo começam a usar essas substâncias. Existem também comunidades que pregam atitudes perigosas, como a prática de bulimia, preconceito e extremismo político e religioso. A fim de garantir o uso saudável das mídias sociais, os pais devem conversar constantemente com os filhos sobre cidadania na internet e segurança e saber do conteúdo que eles acessam. Segundo Radesky, os adultos devem “agir como mentores digitais dos filhos”.

Gisele Jendiroba, 51 anos, afirma que o uso excessivo da internet causou problemas para a sua filha Beatriz, 11 anos. “Já aconteceu de as notas dela na escola caírem porque ela passa muito tempo no YouTube”, disse. A mãe afirma ser importante controlar o uso da internet e da televisão e diz utilizar senhas nos dispositivos para evitar conteúdos impróprios. “Não dá pra ver tudo, mas a gente tem que ficar de olho. De vez em quando, pego o celular dela para sabe o que está vendo, mas não faço isso com tanta frequência. Acho até que deveria olhar mais vezes”, afirma.


Jenny Radesky, especialista em comportamento e desenvolvimento de crianças da Universidade de Michigan e um dos autores do estudo

Como reconhecer bons conteúdos para crianças nas mídias?
Recomendamos que os pais assistam aos programas e joguem com seus filhos. Dessa forma, eles podem saber o que as crianças veem, como elas estão reagindo ao conteúdo e se estão realmente aprendendo coisas novas ou apenas mexendo com os aparelhos. Adultos devem confiar na intuição e não se sentirem mal por desinstalar um aplicativo ou jogo ou evitarem programas de televisão que eles não achem adequados para os filhos.

Os pais devem regular o uso de mídias por adolescentes também?
Nossas recomendações para adolescentes e pré-adolescentes priorizam os comportamentos fundamentais para a saúde deles, como aqueles que respeitam o sono, a prática de exercícios, prática de desenvolvimento cognitivo e socialização. O tempo de uso das mídias deve ser personalizado para cada criança, baseado no cumprimento das atividades saudáveis diárias. Isso pode ser alcançado se a pessoa evitar o uso de dispositivos digitais em certos locais, como quartos, e horários, como nas refeições.

Como funciona a ferramenta criada por vocês?

O site (http://healthychildren.org/MediaUsePlan) disponibiliza um guia para que os pais possam criar regras para o uso das mídias em casa, conforme seus valores e suas necessidades, tendo em vista que não existe uma solução que possa ser aplicada a todos da família. Ele permite que os pais registrem o nome e a idade de seus filhos e criem um plano de uso de mídia familiar para cada membro da família. Isso inclui ideias como criar “zonas desconectadas” na casa e “toques de recolher” para os dispositivos. Ele está disponível em inglês, mas esperamos traduzi-lo para outras línguas.

No Brasil, a pesquisa intitulada TIC Kids, divulgada neste mês, mostra que 80% dos jovens com idade entre 9 e 17 anos usam a internet, totalizando 23,7 milhões de crianças e adolescentes. Entre esses, o percentual dos que se conectam mais de uma vez por dia subiu de 21% em 2014 para 66% em 2015. O estudo foi feito a partir de entrevista presencial com 6,1 mil crianças e adolescentes e com 3 mil pais ou responsáveis, em 350 municípios, entre novembro de 2015 e junho de 2016.

A situação não é diferente no resto do mundo. Um estudo publicado em 2015 pelo Ofcom, órgão que regula os meios de comunicação no Reino Unido, mostrou que o tempo gasto on-line por jovens entre 8 e 15 anos mais do que dobrou desde 2005. Os mais velhos, a partir dos 12 anos, passam em média 19 horas por semana conectados. Além disso, o acesso ao mundo digital começa cada vez mais cedo, e o primeiro contato acontece atualmente por volta dos 4 meses de idade. Nos Estados Unidos, 75% das crianças de até 8 anos têm acesso a dispositivos móveis, segundo dados publicados pelo site Common Sense Media em 2013.

Por Correio Braziliense 27/10/2016 16:10
Fonte: http://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/10/27/noticias-saude,195991/especialistas-dizem-quanto-tempo-as-criancas-podem-ficar-no-computador.shtml

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Uso de eletrônicos em excesso atrasa desenvolvimento infantil, diz Unicamp

Estudo foi feito com crianças de 8 a 12 anos, na região de Campinas. Pesquisadora se surpreendeu com o tempo gasto com os aparelhos.



Um estudo da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, em Campinas (SP), concluiu que as crianças que usam aparelhos eletrônicos sem controle e não brincam, ou brincam pouco, no "mundo real" podem ter atraso no desenvolvimento. A pesquisa foi realizada com meninos e meninas de 8 a 12 anos de idade, que ficam de quatro a seis horas diante das telas de computadores, tablets, celulares e videogames.

Para a pedagoga Ana Lúcia Pinto de Camargo Meneghel, que desenvolveu o estudo na FE durante o mestrado na linha de psicologia da educação, as crianças que se enquadram neste perfil acabam não brincando e nem tendo uma rotina, o que afeta no ritmo de construção do desenvolvimento cognitivo.

Ao todo, 21 meninos e meninas de uma escola particular na região de Campinas (SP) passaram por testes para avaliar as capacidades que eles precisam ter para, inclusive, aprender bem o conteúdo ensinado na escola. Para a surpresa da pesquisadora, de todas as crianças, apenas uma mostrou as habilidades esperadas para essa faixa.

"Apenas uma criança, de 12 anos, tinha construído as noções lógico-elementares, que seriam as noções matemáticas e a noção de espaço", afirma a pesquisadora da Unicamp.

Brincar aumenta a criatividade

O uso de eletrônicos em si não é exatamente o problema, segundo a pesquisa, mas sim a falta de brincadeiras no "mundo real".

"O mais importante é eles brincarem. Num parquinho, na piscina, na escola. Precisa oferecer para essas crianças atividades criativas. Atividades que eu vou buscar, que eu tenha curiosidade". explica Ana Lúcia.

Moradora de uma chácara em Vinhedo (SP), Isabella Bracalente, de 9 anos, aproveita para subir em árvores e explorar brincadeiras, como andar de bicicleta, patins e pular corda.

"Eu acho que só ficar no tablet o dia inteiro, a gente não desenvolve a nossa criatividade. Por isso que eu gosto de brincar", conta a menina.

Segundo a pesquisa, quando a criança brinca, faz uso das operações infralógicas, que garantem noção operatória de espaço, tempo e causalidade. Um exemplo é uma brincadeira simples de entrar debaixo de uma cadeira. A criança precisa viver a experiência para saber se cabe naquele espaço ou não.

Crianças foram entrevistadas

A pedagoga e pesquisadora Ana Lúcia conversou com as crianças e todas afirmaram ter pelo menos quatro aparelhos eletrônicos em casa. Sobre brincadeiras na rua, os meninos e meninas responderam que não brincavam porque os pais não deixavam, por ser perigoso.

Sobre a prática de atividades físicas, das 21 crianças avaliadas, 14 afirmaram que não praticavam nenhuma. As que disseram sim, afirmaram fazer natação, uma ou duas vezes na semana.

A pesquisadora percebeu em outros questionamentos, sobre o que as crianças fazem quando não estão na escola, que muitas não conseguem descrever suas rotinas.

Dificuldades para medir espaço

Entre os testes desempenhados, as crianças tiveram que montar uma torre com peças de madeira em uma mesa e depois outra no chão, com peças diferentes. A ideia é que construíssem torres de igual tamanho. Elas tiveram dificuldades para medir as duas.

Em outra prova, a pesquisadora avaliou a perspectiva. Com a ajuda de uma maquete de casas e fotos de diversos ângulos da maquete, muitas das crianças não conseguiram definir as posições das casas. Ana Lúcia concluiu que essas crianças ainda não tinham desenvolvido a noção de espaço.

E em atendimentos psicopedagógicos, verificou que as crianças sem oportunidade de brincar, explorar e que passam horas diante dos aparelhos eletrônicos, apresentaram dificuldade na hora de organizar os pensamentos. Foi difícil, por exemplo, montar contas matemáticas no papel com um número embaixo do outro.

29/09/2016 11h50 - Atualizado em 29/09/2016 11h50

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Crianças sem Internet: o que elas fazem?


Um experimento realizado pela psicóloga infantil Yekaterina Murashova observou o comportamento de um grupo de crianças norte-americanas quando elas tiveram que passar um dia inteiro sozinhas e sem acesso à internet e outras tecnologias atuais. 

A pesquisa foi realizada com 68 jovens, de 12 a 18 anos, que voluntariamente se submeteram a essa "tortura", deixando de lado computadores, smartphones, videogames e qualquer outro tipo de aparato eletrônico. Apesar de estar sem diversos confortos, eles tinham acesso a outros recursos, como livros, lápis e canetas, cadernos, instrumentos musicais, caminhadas, esportes, etc. Passear pela cidade, desde que sem contato com produtos eletrônicos, também foi permitido. 

Durante o tempo do experimento, a atividade preferida foi cozinhar e comer. Outros preferiram a leitura de revistas ou livros. Teve gente que, tomada pelo tédio, chegou a pegar os livros escolares e fazer a lição de casa. Esportes e atividades físicas também foram bastante realizados. 

Outro ponto observado por Murashova foi que o tempo sem internet fez os jovens brincarem com seu lado criativo. Mesmo sem ter conhecimento ou treinamento prévio, algumas crianças resolveram experimentar com pintura e instrumentos musicais. Por falar em criatividade, outros realmente pensaram "fora da caixa" para passar o tempo. Um passou cinco horas andando de ônibus pelos bairros de sua cidade. 

Falando assim, até parece que a pesquisa foi tranquila. Ledo engano. Somente três dos participantes - dois rapazes e uma garota - chegaram bem ao final das oito horas. Um dos rapazes ocupou seu tempo montando uma miniatura de um navio, com pausas para refeições e brincar com seu cachorro. Três crianças tiveram pensamentos suicidas. Cinco tiveram ataques de pânico e vinte e sete voluntários passaram por algum tipo de desconforto físico como tonturas e dores. Todos demonstraram sintomas de medo ou ansiedade e tentaram dormir para ver se o tempo passava, mas não conseguiam devido ao estado mental abalado. 

Terminado o experimento, 14 jovens imediatamente logaram em redes sociais, 20 ligaram para amigos no celular. Outros ligaram a TV ou computadores. Apesar dos resultados preocupantes, todos os jovens não apresentaram traumas dias depois da pesquisa. 

Por Redação | em 24.09.2016 às 18h47

Fonte: Brightside.me

Matéria completa: http://canaltech.com.br/noticia/comportamento/criancas-sem-internet-o-que-elas-fazem-80837/

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Pais e filhos, perdidos na estrada do futuro



O amplo acesso das crianças aos smartphones no Brasil expõe os pequenos a riscos, muitas vezes, subestimados pelos pais e responsáveis legais. O adulto brasileiro, erroneamente, acredita que possui total domínio do uso dos smartphones. Os fatos cotidianos comprovam: não têm e ainda servem de mau exemplo para seus filhos. Além de não conseguir controlar o acesso à internet por parte das crianças, genitores têm praticado atrocidades nas redes sociais em nome de uma suposta “liberdade de expressão” e da vontade incontrolável de exibir seus filhos como se fossem objetos. Na prática, desconhecem e desrespeitam a lei com argumentos pífios, por exemplo: não querer que o filho se sinta discriminado por não possuir um celular de última geração ou não usar os aplicativos de comunicação instantânea.

Compartilhar mensagens, fotos, vídeos e até a própria intimidade virou moda. Isso merece atenção por parte de todos, pais principalmente. Todos precisam estar conscientes de que os aplicativos em smartphones aumentam o risco de exposição a casos de cyberbullying, pedofilia, revenge porn, slap happy e outros crimes e abusos virtuais. A quantidade de processos nas cortes paulistas confirmam o quadro de perda de controle parental e a falta de informação das instituições do ensino sobre o tema. Além disso, a Deep Web é frequentemente utilizada por adolescentes sem a ciência dos responsáveis legais. Por meio desse recurso, crianças e adolescentes adentram no submundo da Internet sob o manto do anonimato, gerando uma lacuna para criminosos atuarem livremente dentro das máquinas de usuários incautos. 

Assim, os adultos expõem não apenas a si, mas também os jovens aos vírus, ao “phishing” (coleta não autorizada de dados), à exposição a conteúdos impróprios e à pedofilia em razão de um processo de negação da circunstância atual. Não querem acreditar que o cenário é preocupante, negam a possibilidade dos próprios filhos praticarem ou serem vítimas de crimes. Negam que as crianças podem, a qualquer momento, falar com estranhos. E reclamam que muitas vezes os especialistas “exageram” os problemas na web. Quase sempre, pais consideram tais questões como pontuais, porque outros falharam, sem admitir que podem estar incorrendo no mesmo erro, sem perceber.

Infelizmente, os dados apurados por renomados institutos de pesquisa demonstram que inexiste pontualidade na agressão virtual. A violência se inicia na escola, se estende pelo universo acadêmico e culmina dentro das empresas, que constantemente são obrigadas a lidar com a massa despreparada para a interação presencial e virtual. Ao contrário dos anos 90, os erros de hoje ficarão gravados na “nuvem” por quase uma eternidade.

Ignorantes quanto aos termos de uso das redes sociais, ávidos para serem vistos como “pais amigos”, os responsáveis pelos nossos jovens abdicam diariamente do dever de zelar. Assim, sob a nevoa da ignorância, operadores da Justiça atendem todos os dias pais e filhos perdidos na estrada do futuro virtual propagada por Bill Gates, que soube – como relatam matérias sobre educação – proteger seus filhos de tais armadilhas.

Por: Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita -  Advogada especialista em Direito Digital e sócia do SLM Advogados

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

‘O Presente’ aborda adultos que não superaram efeito do bullying

O bullying tem sido usado como tema central de várias produções cinematográficas e é também o tema central de “O Presente”, em cartaz nos cinemas de Uberlândia desde quinta-feira. Porém a ideia do diretor Joel Edgerton, que também atua no longa, foi ir além de um filme com o que se acontece dentro da escola. “Me entusiasmei para fazer um filme sobre o assunto quando pensei em como isso afeta as pessoas no decorrer de suas vidas. Ao invés de contar uma história que acontece no colegial, queria contar uma história com pessoas da minha idade usando esse conceito de como seria encontrar a pessoa que você tratou mal na época da escola ou o contrário”, diz ele, em vídeo de divulgação do longa.


O thriller tem colecionado elogios da crítica especializada e conta a história de um jovem casal que muda drasticamente quando um conhecido do passado do marido ressurgir na vida deles. Ao trazer presentes misteriosos, um terrível segredo que ficou enterrado por mais de 20 anos vem à tona. “Sempre fui interessado em temas como bullying e esses papéis que fazemos na escola. Lembro-me de alguns incidentes em que estive dos dois lados. Aprendi muito cedo que não se pode ser cruel com ninguém por saber como ruim quando acontece com você”, afirma Edgerton.

O ator e diretor interpreta Gordon, um antigo colega de escola que reaparece na vida de Simon (Jason Bateman), trazendo uma sombria revelação do passado. À medida que a esposa de Simon, Robyn (Rebecca Hall) vai conhecendo Gordon, ela começa uma busca pela verdade até descobrir o que realmente aconteceu entre eles. Dessa forma, o passado parece não ter ficado para trás.

Estratégia

A distribuidora do filme “O Presente”, PlayArte Pictures, criou um hotsite para promover a estreia do filme no Brasil. O internauta responde a algumas perguntas em “Você mudou desde a época da escola?”. As perguntas do teste fazem alusão ao tema do longa e o resultado pode ser compartilhado direto nas redes sociais ou por e-mail. Em menos de uma semana, mais de 10 mil pessoas participaram da brincadeira, que continua no ar.



Fonte: http://www.correiodeuberlandia.com.br/entretenimento/o-presente-aborda-adultos-que-nao-superaram-efeito-do-bullying/