Mostrando postagens com marcador criança na internet. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador criança na internet. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Especialistas dizem quanto tempo as crianças podem ficar no computador

Academia Americana de Pediatras lança recomendações para garantir o bem-estar físico e psicológico de jovens que acessam a internet; dos 2 aos 5 anos, por exemplo, o uso de dispositivos eletrônicos deve se limitar a uma hora por dia.

Em boa parte do mundo, crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo conectados. Segundo estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil, por exemplo, 80% da população do país entre 9 e 17 anos utilizam a rede, sendo que 66% deles navegam por ela diariamente (Leia Para saber mais). O uso exagerado das mídias, porém, pode trazer uma série de problemas para o desenvolvimento dos jovens, como obesidade e insônia. Preocupada com esses impactos, a Academia Americana de Pediatras (AAP) publicou, na última sexta-feira (21/10), um documento contendo uma série de recomendações para ajudar pais e cuidadores a garantirem o uso seguro da internet e da televisão. Divididas por faixa etária (Veja quadro), as sugestões são resultado de uma compilação dos maiores estudos já feitos sobre o impacto das mídias digitais na saúde infantil.

Apesar de comum, não é recomendável que crianças com menos de 2 anos tenham acesso à televisão e aos dispositivos móveis. Segundo o documento publicado, crianças dessa idade não aprendem muito a partir de programas e aplicativos porque não têm a capacidade de transferir as informações que veem na tela para o mundo real. A única atividade digital recomendada para essa faixa etária é a videochamada, ferramenta que pode ser utilizada para que meninos e meninas consigam se comunicar com parentes distantes, fortalecendo os laços pessoais.

A partir dos 2 anos, as crianças podem se beneficiar muito das mídias. Publicados em 2001 e 2013 nas revistas Monographs of the Society for Research in Child Delevopment e Pediatrics, dois estudos mostram que as que estão em idade escolar demonstram claras melhoras cognitivas, linguísticas e sociais ao assistirem a programas de alta qualidade, como Rua Sésamo. Para fazer boas escolhas, a pediatra Jenny Radesky, do Hospital Infantil C.S Mott, nos Estados Unidos, e participante do estudo, recomenda que os pais peçam a opinião de especialistas ou consultem sites que classifiquem programas e séries infantis de acordo com a qualidade. A equipe do trabalho também criou um dispositivo capaz de ajudar os adultos nessa empreitada (Leia Três perguntas para).

Também é necessário limitar o tempo passado na frente das telas, principalmente da televisão, alertaram os especialistas. Segundo eles, um estudo internacional publicado na revista PLoS One em 2013 indicou que assistir à tevê de uma a três horas por dia pode aumentar o risco de obesidade em crianças e adolescentes entre 10% e 27%. A recomendação atual da AAP é que o tempo seja limitado a uma hora diária para meninos e meninas entre 2 e 5 anos. A academia diz também que pais e cuidadores devem cuidar para que os pequenos sigam a quantidade recomendada de atividade física diária, também de uma hora; e de sono, entre oito e 12 horas, conforme a idade.

“Mais do que apenas limites, os pais devem entender os programas usados pelos seus filhos”, disse Etiene Macedo, doutoranda em psicologia clínica na Universidade de Brasília (UnB) e psicóloga infantojuvenil no Plin Psicologia. Segundo ela, a proibição do uso das mídias não é o melhor caminho, mas deve haver limites. A importância deve estar em saber ativamente o que as crianças buscam com os seus dispositivos. “É preciso gastar tempo com eles, mas de forma a realmente participar do universo infantil”, afirma.

A psicóloga alerta que as tecnologias não são perigosas apenas para as crianças: podem afetar também as relações entre pais e filhos. “De um lado, o adulto fica tão conectado à tecnologia, preso até, quanto as crianças. Do outro, a criança acaba imitando o seu comportamento”, explica Etiene Macedo. “É preciso clareza também por parte do cuidador sobre o que ele faz.” Entre as recomendações da AAP, está, inclusive, a importância de os pais compartilharem com outros adultos que têm contato regular com os pequenos, como babás e avós, as regras de uso dos dispositivos eletrônicos.



“Mentores digitais”

As redes sociais devem ser um dos principais alvos de atenção, segundo especialistas. Isso pela preferência dada pelos adolescentes a elas. Conforme dados do levantamento feito pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 78% dos jovens de ambos os sexos dizem utilizá-las no país. Essas comunidades on-lines permitem uma grande conectividade, fortalecendo laços interpessoais e aumentando a exposição dos jovens a novas ideias. Além disso, podem ser utilizadas para dar suporte emocional aos adolescentes e aumentar as práticas de inclusão, como a da comunidade LGBT e a negra.

Porém, existem menos filtros na internet do que nas mídias tradicionais para proteger os adolescentes de conteúdos impróprios. Segundo a AAP, estudos demonstraram que, quanto mais exposição os jovens tiverem ao consumo de álcool, cigarro e drogas ilícitas, mais cedo começam a usar essas substâncias. Existem também comunidades que pregam atitudes perigosas, como a prática de bulimia, preconceito e extremismo político e religioso. A fim de garantir o uso saudável das mídias sociais, os pais devem conversar constantemente com os filhos sobre cidadania na internet e segurança e saber do conteúdo que eles acessam. Segundo Radesky, os adultos devem “agir como mentores digitais dos filhos”.

Gisele Jendiroba, 51 anos, afirma que o uso excessivo da internet causou problemas para a sua filha Beatriz, 11 anos. “Já aconteceu de as notas dela na escola caírem porque ela passa muito tempo no YouTube”, disse. A mãe afirma ser importante controlar o uso da internet e da televisão e diz utilizar senhas nos dispositivos para evitar conteúdos impróprios. “Não dá pra ver tudo, mas a gente tem que ficar de olho. De vez em quando, pego o celular dela para sabe o que está vendo, mas não faço isso com tanta frequência. Acho até que deveria olhar mais vezes”, afirma.


Jenny Radesky, especialista em comportamento e desenvolvimento de crianças da Universidade de Michigan e um dos autores do estudo

Como reconhecer bons conteúdos para crianças nas mídias?
Recomendamos que os pais assistam aos programas e joguem com seus filhos. Dessa forma, eles podem saber o que as crianças veem, como elas estão reagindo ao conteúdo e se estão realmente aprendendo coisas novas ou apenas mexendo com os aparelhos. Adultos devem confiar na intuição e não se sentirem mal por desinstalar um aplicativo ou jogo ou evitarem programas de televisão que eles não achem adequados para os filhos.

Os pais devem regular o uso de mídias por adolescentes também?
Nossas recomendações para adolescentes e pré-adolescentes priorizam os comportamentos fundamentais para a saúde deles, como aqueles que respeitam o sono, a prática de exercícios, prática de desenvolvimento cognitivo e socialização. O tempo de uso das mídias deve ser personalizado para cada criança, baseado no cumprimento das atividades saudáveis diárias. Isso pode ser alcançado se a pessoa evitar o uso de dispositivos digitais em certos locais, como quartos, e horários, como nas refeições.

Como funciona a ferramenta criada por vocês?

O site (http://healthychildren.org/MediaUsePlan) disponibiliza um guia para que os pais possam criar regras para o uso das mídias em casa, conforme seus valores e suas necessidades, tendo em vista que não existe uma solução que possa ser aplicada a todos da família. Ele permite que os pais registrem o nome e a idade de seus filhos e criem um plano de uso de mídia familiar para cada membro da família. Isso inclui ideias como criar “zonas desconectadas” na casa e “toques de recolher” para os dispositivos. Ele está disponível em inglês, mas esperamos traduzi-lo para outras línguas.

No Brasil, a pesquisa intitulada TIC Kids, divulgada neste mês, mostra que 80% dos jovens com idade entre 9 e 17 anos usam a internet, totalizando 23,7 milhões de crianças e adolescentes. Entre esses, o percentual dos que se conectam mais de uma vez por dia subiu de 21% em 2014 para 66% em 2015. O estudo foi feito a partir de entrevista presencial com 6,1 mil crianças e adolescentes e com 3 mil pais ou responsáveis, em 350 municípios, entre novembro de 2015 e junho de 2016.

A situação não é diferente no resto do mundo. Um estudo publicado em 2015 pelo Ofcom, órgão que regula os meios de comunicação no Reino Unido, mostrou que o tempo gasto on-line por jovens entre 8 e 15 anos mais do que dobrou desde 2005. Os mais velhos, a partir dos 12 anos, passam em média 19 horas por semana conectados. Além disso, o acesso ao mundo digital começa cada vez mais cedo, e o primeiro contato acontece atualmente por volta dos 4 meses de idade. Nos Estados Unidos, 75% das crianças de até 8 anos têm acesso a dispositivos móveis, segundo dados publicados pelo site Common Sense Media em 2013.

Por Correio Braziliense 27/10/2016 16:10
Fonte: http://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/10/27/noticias-saude,195991/especialistas-dizem-quanto-tempo-as-criancas-podem-ficar-no-computador.shtml

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Minecraft expõe privacidade de criança na Internet


As câmeras de vigilância que ficavam situadas no quarto da criança foram invadidas e os hackers começaram a transmitir as imagens que eram capturadas no interior do quarto por meio de servidores livestreaming na internet.

Nunca é demais falarmos de privacidade na internet. A cada dia ela tem se tornado algo cada vez mais preocupante para as pessoas e chamado a atenção especial para uma classe ainda sem muita defesa: as crianças. Bem a pouco tempo começaram a circular na rede questionamentos sobre o Pokémon GO já que o game lançado recentemente pela Nintendo exigia permissões demais na visão de alguns para o acesso ao mesmo. Agora, os pais têm mais uma preocupação, o Minecraft.

Em Houston, no Texas (EUA) um caso chamou a atenção da mídia e serviu para abrir os olhos de muita gente por aí. Tudo por causa da invasão de privacidade. E o pior é que aqui uma criança é que foi exposta. As câmeras de vigilância que ficavam situadas no quarto da pequena foram invadidas e os hackers começaram a transmitir as imagens que eram capturadas no interior do quarto por meio de servidores livestreaming na internet. Curiosamente algo bem parecido acontece logo em um dos primeiros episódios da série de televisão CSI Cyber.

Jennifer, a mãe da criança teve uma boa ajuda do acaso e da sorte aqui. Uma outra mãe que estava há vários quilômetros de distância, Shelby Ivie, navegando pela internet acabou encontrando o livestreaming do quarto da criança. Curiosamente Shelby estava buscando por imagens (ao vivo e por satélite) de seus próprios filhos.

Por meio de um aplicativo chamado “Live Camera Viewer“ que aponta vários feeds em diversos lugares do mundo como eventos de esporte e cruzamentos de ruas é que a nossa segunda mãe acabou achando as imagens da filha de Jennifer.

Shelby não pensou duas vezes e meio que sem saber o que fazer para encontrar a mãe da criança ela começou a compartilhar o material em grupos de Houston. Com isso, as imagens acabaram chegando a Jennifer que por sua vez contratou uma firma de consultoria para ir a fundo na questão. E a firma de segurança conseguiu descobrir o culpado: o Minecraft.

Ao que parece quando a criança de oito anos baixou o Minecraft para o iPad foi questionada por um “nome de servidor”. Sem saber o que realmente era a criança buscou na internet por nomes de servidores no YouTube e acabou configurando o jogo para conectar com qualquer server.

Foi através do IP do iPad da criança que os hackers conseguiram invadir o roteador (que por sinal ainda mantinha a senha e nome padrão) e consequentemente obtiveram o acesso às câmeras do quarto da criança.

Depois do episódio a própria mãe recomenda que outras prestem mais atenção no que seus filhos andam fazendo na Internet. Ela foi radical e cortou por completo o acesso de seus filhos à internet, ao menos até que tenham consciência dos riscos aos quais estão expostos.

Por Denisson Soares

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Uso de smartphone por crianças gera polêmica

Para especialistas, pais devem esperar o máximo de tempo possível para expor crianças à tecnologia e definir regras claras para o uso.




Não faz muito tempo, muitos pais se perguntavam com que idade seus filhos deveriam ter acesso à chave do carro. Hoje, a questão é mais complicada: com que idade eles podem ter um smartphone? O celular inteligente, afinal, é a chave para o acesso irrestrito à internet e aos muitos benefícios e perigos que isso envolve. Mas, ao contrário de dirigir um carro, que é legal em alguns Estados a partir dos 16 anos, não existe nenhuma diretriz legal para um pai determinar quando a criança está pronta para manusear um smartphone.

O assunto vem sendo cada vez mais debatido, à medida que as crianças começam a ter em mãos um celular cada vez com menos idade. Em média, elas recebem seu smartphone com 10 anos, segundo a empresa de pesquisa Influence Central – em 2012, a idade média era de 12 anos. Em alguns casos, o celular chega ainda mais cedo, aos 7 anos, por exemplo. “Acho que a idade vai diminuir mais porque os pais estão ficando cansados de dar o seu celular para os filhos usarem”, disse Stacy DeBroff, diretor executivo da Influence Central.

Essa redução de idade tem enfrentado resistência, disse James P. Steyer, executivo da organização sem fins lucrativos Common Sense Media, que analisa conteúdo e produtos para famílias. Ele tem uma regra estrita em sua casa: seus filhos só terão um smartphone quando começarem o ensino médio, depois de ter aprendido o valor da comunicação cara a cara. Outros pais podem achar que os filhos estão prontos mais cedo. “Nenhum filho é igual ao outro, não existe um número mágico. A idade de uma criança não é tão importante quanto a responsabilidade ou nível de maturidade”, diz o executivo.

Parâmetros. Então, como determinar a idade correta? Quanto mais tempo você esperar para dar um smartphone a seu filho, melhor. Segundo alguns especialistas, 12 anos é a idade ideal, ao passo que outros falam em 14. Todos concordam que, quanto mais tarde, mais seguro, pois os smartphones se tornam uma distração que vicia e distrai a criança do trabalho da escola ao mesmo tempo que a expõe ao bullying na internet, pedófilos e mensagens de caráter sexual. “Quando mais tempo mantiver a caixa de Pandora fechada, melhor”, disse Jesse Weinberger, um analista de segurança na internet que dá palestras para pais, escolas e autoridades policiais no estado norte-americano de Ohio. “Sem o aparelho, não há nenhuma conexão com esse lado sombrio da comunicação.”

Num estudo publicado este ano, a Common Sense Media entrevistou 1.240 pais e crianças e concluiu que 50% das crianças admitiram estar viciadas nos smartphones. E, para 66% dos pais, seus filhos usavam muito os aparelhos móveis, com o que 52% das crianças concordaram. Cerca de 36% dos pais disseram que discutem diariamente com os filhos sobre o aparelho.

Há um aspecto biológico a considerar também. O córtex pré-frontal, parte do cérebro de controla o impulso, só está totalmente desenvolvido em torno dos 20 anos. Em outras palavras, os pais não devem ficar surpresos com o fato de as crianças mais novas com smartphones não conseguirem se controlar.

Prós e contras. Sem dúvida, os smartphones trazem benefícios. As crianças têm acesso a aplicativos, incluindo ferramentas educacionais para estudo e conexão com amigos. Mas também são um passo para jogos que desviam a atenção do estudo, aplicativos de redes sociais, nos quais aproveitadores estão à espreita. No fim, os contras podem superar os prós. Ao negar um smartphone para os filhos, eles ainda assim terão acesso a ferramentas por meio de aparelhos como PCs e tablets.

Uma opção é começar com aparelhos móveis simples, em que se possa apenas enviar mensagens ou telefonar. Cabe aos pais determinar quando seu filho realmente está pronto para um smartphone.

Por Brian X. Chen - THE NEW YORK TIMES | 23/07/2016 | 03h00

/TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Fonte: http://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,uso-de-smartphone-por-criancas-gera-polemica-nos-eua,10000064537

quarta-feira, 22 de junho de 2016

10 razões pelas quais os aparelhos móveis devem ser proibidos para crianças menores de 12 anos

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria afirmam que crianças de 0 a 2 anos não devem ter nenhuma exposição à tecnologia, crianças de 3 a 5 anos devem ser limitadas à uma hora de exposição por dia e crianças e adolescentes de 6 a 18 anos devem ser restritas a duas horas por dia (AAP 2001/13, CPS 2010). Crianças e jovens usam de quatro a cinco vezes a quantidade de tecnologia recomendada, provocando consequências graves e, em muitos casos, colocando suas vidas em risco (Fundação Kaiser 2010, Active Healthy Kids Canada 2012). Aparelhos eletrônicos móveis (telefones celulares, tablets, jogos eletrônicos) aumentaram muito o acesso e uso de tecnologia, especialmente por crianças muito pequenas (Common Sense Media, 2013). Como terapeuta ocupacional pediátrica, convoco pais, professores e governos a proibir o uso de todos os mobiles para crianças com menos de 12 anos. Seguem dez razões, todas apoiadas em pesquisas, para justificar essa proibição. Para ter acesso às pesquisas com referências, procure o Zone'in Fact Sheetno site zonein.ca.

1. Crescimento cerebral acelerado

Entre 0 e 2 anos de idade, o cérebro da criança triplica de tamanho, e ele continua em estado de desenvolvimento acelerado até os 21 anos de idade (Christakis 2011). O desenvolvimento cerebral infantil é determinado pelos estímulos do ambiente ou a ausência deles. Já foi comprovado que o estímulo a um cérebro em desenvolvimentocausado por superexposição a tecnologias (celulares, internet, iPad, TV) é associadoao déficit de funcionamento executivo e atenção, atrasos cognitivos, prejuízo da aprendizagem, aumento da impulsividade e diminuição da capacidade de se autorregular, por exemplo, acessos de raiva (Small 2008, Pagini 2010).

2. Atraso no desenvolvimento

O uso de tecnologia restringe os movimentos, o que pode resultar em atraso no desenvolvimento. Hoje uma em cada três crianças ingressa na escola com atraso no desenvolvimento, o que provoca impacto negativo sobre a alfabetização e o aproveitamento escolar (HELP EDI Maps 2013). A movimentação reforça a capacidade de atenção e aprendizado (Ratey 2008). O uso de tecnologia por menores de 12 anos é prejudicial ao desenvolvimento e aprendizado infantis (Rowan 2010).

3. Obesidade epidêmica

Existe uma correlação entre o uso de televisão e videogames e o aumento da obesidade (Tremblay 2005). Crianças às quais se permite que usem um aparelho digital no quarto têm incidência 30% mais alta de obesidade (Feng 2011). Uma em cada quatro crianças canadenses e uma em cada três crianças americanas são obesas (Tremblay 2011). 30% das crianças com obesidade vão desenvolver diabetes, e os obesos correm risco maior de AVC e ataque cardíaco precoce, resultando em grave redução da expectativa de vida (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, 2010). Em grande medida devido à obesidade, as crianças do século 21 talvez formem a primeira geração da qual muitos integrantes não terão vida mais longa que seus pais(Professor Andrew Prentice, BBC News 2002).

4. Privação de sono

60% dos pais não supervisionam o uso que seus filhos fazem de tecnologia, e 75% das crianças são autorizadas a usar tecnologia no quarto de dormir (Fundação Kaiser 2010). 75% das crianças de 9 e 10 anos têm déficit de sono em grau tão alto que suas notas escolares sofrem impacto negativo (Boston College 2012).

5. Doença mental 

O uso excessivo de tecnologia é um dos fatores responsáveis pelas incidências crescentes de depressão infantil, ansiedade, transtorno do apego, déficit de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento infantil problemático (Bristol University 2010, Mentzoni 2011, Shin 2011, Liberatore 2011, Robinson 2008). Uma em cada seis crianças canadenses tem uma doença mental diagnosticada, e muitas tomam medicação psicotrópica que apresenta riscos (Waddell 2007).

6. Agressividade 

Conteúdos de mídia violentos podem causar agressividade infantil (Anderson, 2007). A mídia de hoje expõe as crianças pequenas cada vez mais violência física e sexual. O game "Grand Theft Auto V" retrata sexo explícito, assassinato, estupros, tortura e mutilação; muitos filmes e programas de TV fazem o mesmo. Os EUA classificaram a violência na mídia como Risco à Saúde Pública, devido a seu impacto causal sobre a agressividade infantil (Huesmann 2007). A mídia informa o uso crescente de restrições físicas e salas de isolamento para crianças que exibem agressividade descontrolada.

7. Demência digital

O conteúdo de mídia que passa em alta velocidade pode contribuir para o déficit de atenção e também para a redução de concentração e memória, devido ao fato de o cérebro "podar" os caminhos neurais até o córtex frontal (Christakis 2004, Small 2008). Crianças que não conseguem prestar atenção não conseguem aprender.

8. Criação de dependência

À medida que os pais se apegam mais e mais à tecnologia, eles se desapegam de seus filhos. Na ausência de apego parental, as crianças podem apegar-se aos aparelhos digitais, e isso pode resultar em dependência (Rowan 2010). Uma em cada 11 crianças e jovens de 8 a 18 anos é viciada em tecnologia (Gentile 2009).

9. Emissão de radiação

Em maio de 2011 a Organização Mundial de Saúde classificou os telefones celulares (e outros aparelhos sem fios) como risco de categoria 2B (possivelmente carcinogênico), devido à emissão de radiação (OMS 2011). Em outubro de 2011, James McNamee, da Health Canada, lançou um aviso cautelar dizendo: "As crianças são mais sensíveis que os adultos a uma série de agentes, porque seus cérebros e sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento." (Globe and Mail 2011). Em dezembro de 2013 o Dr. Anthony Miller, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Toronto, recomendou que, com base em pesquisas novas, a exposição a frequências de rádio seja reclassificada como risco de categoria 2A (provavelmente carcinogênico), não 2B (possivelmente carcinogênico). A Academia Americana de Pediatria pediu uma revisão das emissões de radiação de campo eletromagnético de aparelhos de tecnologia, citando três razões relativas ao impacto sobre as crianças (AAP 2013).

10. Insustentável

O modo em que as crianças são criadas e educadas com a tecnologia deixou de ser sustentável (Rowan 2010). As crianças são nosso futuro, mas não há futuro para crianças que fazem uso excessivo de tecnologia. É necessária e urgente uma abordagem de equipe para reduzir o uso de tecnologia pelas crianças.

As Diretrizes de Uso de Tecnologia para crianças e adolescentes, vistas abaixo, foram desenvolvidas por Cris Rowan, terapeuta ocupacional pediátrica e autora de Virtual Child; o Dr. Andrew Doan, neurocientista e autor de Hooked on Games; e a Dra. Hilarie Cash, diretora do Programa reSTART de Recuperação da Dependência da Internet e autora de Video Games and Your Kids, com contribuições da Academia Americana de Pediatria e da Sociedade Pediátrica Canadense, no intuito de assegurar um futuro sustentável para todas as crianças.

Diretrizes de Uso de Tecnologia para Crianças e Adolescentes:



Publicado: 24/03/2014 11:20 BRT Atualizado: 26/06/2014 17:49 BRT

Por Cris Rowan




quarta-feira, 8 de junho de 2016

Mãe denuncia a polícia bate-papo de filha com pedófilo na Internet

A mãe que flagrou uma conversa entre a filha dela, de oito anos, e um perfil falso no Facebook, que ela credita ser de um pedófilo, registrou um Boletim de Ocorrência nesta segunda-feira (6). Ela contou que entregou cópias do diálogo e do perfil do suspeito à polícia para que o caso seja investigado.

O caso aconteceu na manhã deste sábado (4), em Itapoã, Vila Velha. Mãe e filha estavam juntas quando o suspeito adicionou a menina no Facebook. "Minha filha me perguntou se podia aceitar o pedido de amizade. Eu achei que fosse um fã clube da cantora e falei que sim", contou a administradora.

As conversas suspeitas começaram poucos minutos depois. A menina mostrou para a mãe, que pegou o tablet e começou a conversar com o suposto pedófilo se passando pela criança.

"Ele fazia chamadas de vídeo, mas eu cancelava. Aí ele falou 'meu tio quer ver você. Ele quer mandar foto sem roupa, mas precisa saber se você está sozinha'", afirmou a mãe.

A mulher reuniu cópias das conversas e as entregou na Delegacia da Polícia Federal, onde prestou queixa. De acordo com ela, o perfil do suspeito foi apagado.

“No sábado à noite já tínhamos bloqueado o perfil. Ele adicionou novamente, e tentou começar nova conversa, mas não atendemos. Eu denunciei a página e o Facebook a excluiu. No domingo, o perfil dele já não estava mais no ar”, disse.

Em nota, a Polícia Civil esclareceu que quando o caso é no âmbito estadual, a investigação é feita pela Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos. Mas, se for fora do Espírito Santo, é feita pela Polícia Federal. Ainda, se o autor da pedofilia virtual for conhecido da vítima, a investigação será feita pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.



06/06/2016 18h05 - Atualizado em 06/06/2016 18h05

Naiara Arpini Do G1 ES

Fonte: http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2016/06/mae-denuncia-policia-bate-papo-de-filha-com-pedofilo-na-internet.html

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sem exageros: saiba como usar apps para crianças de forma positiva


A família se encanta ao ver o seu mais novo membro deslizar com desenvoltura os dedinhos em telas sensíveis ao toque. Não demora muito para alguém comentar que as crianças de hoje já nasceram adaptadas às novas tecnologias ou que se tratam de verdadeiros gênios. Mas para elas, saber usar não significa estar pronto para isso, ou que tenham discernimento para escolher o conteúdo.

O uso indiscriminado de celulares e tablets pode comprometer o crescimento intelectual e motor de crianças e adolescentes. Em 2014, a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria divulgaram uma pesquisa que condenava o uso de tablets e smartphones por crianças com até dois anos. Entre três e cinco anos, a exposição à tecnologia deveria se limitar a uma hora por dia e duas horas até os 18 anos.

Segundo o estudo, crianças que usavam aparelhos digitais apresentaram déficit de atenção, obesidade, problemas de sono, agressividade, demência e dependência. Se seu filho não morar em uma caverna, ele estará exposto diariamente aos aparelhos móveis, dentro e fora de casa. Então, é melhor limitar o tempo em frente às telas e escolher bem o aplicativo que ele usa.

"Muito embora sejam atraentes e, desde muito cedo, exista um interesse pelos aparelhos eletrônicos, quanto mais tarde as crianças puderem usá-los, melhor", diz a psicopedagoga Sandra Lia em entrevista ao UOL. "Os pais devem ficar atentos e selecionar e oferecer jogos com atividades adequadas à faixa etária de seus filhos, propostas que estimulem a percepção, a concentração e o raciocínio lógico na resolução de problemas".

Lia, presidente da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia) seção São Paulo, lembra que jogos violentos devem ser evitados, mesmo que a criança receba estímulo dos amigos. "O melhor caminho é o diálogo para aprofundar o entendimento pela escolha. Deve-se apontar os significados do jogo tanto na vida dele, como na história das pessoas na vida real".

Segundo a psicopedagoga Rebeca Lescher, que trabalha com jogos eletrônicos desde 2006, o ideal é escolher aplicativos que estimulem o aumento de vocabulário, a atenção, a concentração e a memória, além de desafios de lógica e de construção e quizzes. "Aconselho os pais a limitarem horários, pois deve haver hora para estudo, brincadeiras ao ar livre, esportes e artes. E, principalmente, para o ócio, onde a brincadeira pode surgir espontaneamente".

"Ficar simplesmente jogando, sem pausa, pode empobrecer o convívio com outras crianças", diz Lescher. "Também recomendo evitar que usem na hora das refeições, pois é importante que a família possa conversar entre si".

Lia e Lescher concordam que é difícil, se não impossível, manter os pequenos longe da tecnologia. É necessário, porém, a supervisão dos pais e que o uso desses aparelhos não seja desculpa para aquietar os filhos em determinadas situações.

"Existe o lado perverso deste avanço tecnológico de entretenimento", conta Lescher. "Quando você não consegue mais a atenção de seu aluno/filho/amigo/namorado/marido, pois não conseguem deixar de olhar para seu celular, nem por um segundo".

Fabio Andrighetto
Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/01/2016 | 06h00 

Fonte: http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/01/14/apps-para-criancas-podem-ser-aliados-ou-viloes-sabia-o-que-escolher.htm#fotoNav=38