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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

“Você tem 2 minutos para largar o celular”: avisos como esse não funcionam, diz estudo

É isso que muitos meninos e meninas ouvem quando estão brincando com aparelhos eletrônicos. Mas, segundo uma pesquisa recente, o alerta só faz com que a interrupção da atividade seja mais conturbada. 


Basta colocar um celular ou um tablet na frente de uma criança agitada para que ela sossegue na hora. O problema é quando a distração vira vício e o pequeno não consegue tirar os olhos – ou as mãos – da tela. Aí, o que muitos pais fazem é impor limites. E, quando o tempo de uso do equipamento (e a paciência) está estourando, vem o aviso: “Você tem dois minutos para sair desse tablet/celular/videogame!”.

No entanto, segundo um estudo recente da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, o hábito de alertar que o tempo de tela está acabando só piora o processo, não contribuindo para que a meninada se desvencilhe da tecnologia. Os pesquisadores notaram que crianças de 1 a 5 anos de idade que ouviam o aviso ficavam mais irritadas quando se separavam dos eletrônicos do que aquelas que não recebiam a intimação do pais.

Participaram do levantamento 28 famílias que, ao longo de duas semanas, documentaram informações como o tempo que passavam em frente às telas, o que os pequenos assistiam, em quais aparelhos, o que os pais faziam nesses períodos, o que motivava a atividade a acabar e o quão bravas ou amigáveis ficavam as crianças quando isso acontecia. Os resultados demonstraram que, na maior parte das vezes, a garotada reagia bem ao fim das brincadeiras com eletrônicos. O problema é quando ouviam a ordem de que, em poucos minutos, deveriam parar o que estavam fazendo. “Ficamos realmente chocados – ao ponto de pensarmos ‘bem, talvez os pais só deem o alerta pouco antes de algo ruim acontecer ou quando sabem que o filho vai ser resistente'”, diz Alexis Hiniker, autora do estudo. “No entanto, fizemos diversas análises e, de todos os jeitos, o aviso de que o tempo estava acabando sempre levava a reações piores”, relata a pesquisadora.

Atitudes positivas

Os especialistas notaram que os baixinhos lidavam melhor com a interrupção dessas atividades quando elas estavam inseridas em uma rotina ou quando a brincadeira acabava naturalmente, seja por falta de interesse, seja porque outra coisa ou pessoa chamou a atenção da criança. Os estudiosos notaram ainda que limitações da própria tecnologia (como falta de conexão WiFi ou término de bateria) também ajudam meninos e meninas a lidarem melhor com a necessidade de largar o celular ou tablet.

De acordo com os pesquisadores, os fabricantes poderiam pensar em desenvolver aparelhos que avisassem sozinhos que o tempo de uso está acabando. A família determinaria quantos minutos o filhote teria para brincar e, quando o período estivesse terminando, o próprio dispositivo alertaria. Aí, o pequeno teria que ficar brigando com a tela – o que, convenhamos, não faz muito sentido.

Por Luiza Monteiro 
10 maio 2016, 18h22 - Atualizado em 28 out 2016, 12h37

Fonte: http://bebe.abril.com.br/familia/voce-tem-2-minutos-para-largar-o-celular-avisos-como-esse-nao-funcionam-diz-estudo/

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Uso de eletrônicos em excesso atrasa desenvolvimento infantil, diz Unicamp

Estudo foi feito com crianças de 8 a 12 anos, na região de Campinas. Pesquisadora se surpreendeu com o tempo gasto com os aparelhos.



Um estudo da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, em Campinas (SP), concluiu que as crianças que usam aparelhos eletrônicos sem controle e não brincam, ou brincam pouco, no "mundo real" podem ter atraso no desenvolvimento. A pesquisa foi realizada com meninos e meninas de 8 a 12 anos de idade, que ficam de quatro a seis horas diante das telas de computadores, tablets, celulares e videogames.

Para a pedagoga Ana Lúcia Pinto de Camargo Meneghel, que desenvolveu o estudo na FE durante o mestrado na linha de psicologia da educação, as crianças que se enquadram neste perfil acabam não brincando e nem tendo uma rotina, o que afeta no ritmo de construção do desenvolvimento cognitivo.

Ao todo, 21 meninos e meninas de uma escola particular na região de Campinas (SP) passaram por testes para avaliar as capacidades que eles precisam ter para, inclusive, aprender bem o conteúdo ensinado na escola. Para a surpresa da pesquisadora, de todas as crianças, apenas uma mostrou as habilidades esperadas para essa faixa.

"Apenas uma criança, de 12 anos, tinha construído as noções lógico-elementares, que seriam as noções matemáticas e a noção de espaço", afirma a pesquisadora da Unicamp.

Brincar aumenta a criatividade

O uso de eletrônicos em si não é exatamente o problema, segundo a pesquisa, mas sim a falta de brincadeiras no "mundo real".

"O mais importante é eles brincarem. Num parquinho, na piscina, na escola. Precisa oferecer para essas crianças atividades criativas. Atividades que eu vou buscar, que eu tenha curiosidade". explica Ana Lúcia.

Moradora de uma chácara em Vinhedo (SP), Isabella Bracalente, de 9 anos, aproveita para subir em árvores e explorar brincadeiras, como andar de bicicleta, patins e pular corda.

"Eu acho que só ficar no tablet o dia inteiro, a gente não desenvolve a nossa criatividade. Por isso que eu gosto de brincar", conta a menina.

Segundo a pesquisa, quando a criança brinca, faz uso das operações infralógicas, que garantem noção operatória de espaço, tempo e causalidade. Um exemplo é uma brincadeira simples de entrar debaixo de uma cadeira. A criança precisa viver a experiência para saber se cabe naquele espaço ou não.

Crianças foram entrevistadas

A pedagoga e pesquisadora Ana Lúcia conversou com as crianças e todas afirmaram ter pelo menos quatro aparelhos eletrônicos em casa. Sobre brincadeiras na rua, os meninos e meninas responderam que não brincavam porque os pais não deixavam, por ser perigoso.

Sobre a prática de atividades físicas, das 21 crianças avaliadas, 14 afirmaram que não praticavam nenhuma. As que disseram sim, afirmaram fazer natação, uma ou duas vezes na semana.

A pesquisadora percebeu em outros questionamentos, sobre o que as crianças fazem quando não estão na escola, que muitas não conseguem descrever suas rotinas.

Dificuldades para medir espaço

Entre os testes desempenhados, as crianças tiveram que montar uma torre com peças de madeira em uma mesa e depois outra no chão, com peças diferentes. A ideia é que construíssem torres de igual tamanho. Elas tiveram dificuldades para medir as duas.

Em outra prova, a pesquisadora avaliou a perspectiva. Com a ajuda de uma maquete de casas e fotos de diversos ângulos da maquete, muitas das crianças não conseguiram definir as posições das casas. Ana Lúcia concluiu que essas crianças ainda não tinham desenvolvido a noção de espaço.

E em atendimentos psicopedagógicos, verificou que as crianças sem oportunidade de brincar, explorar e que passam horas diante dos aparelhos eletrônicos, apresentaram dificuldade na hora de organizar os pensamentos. Foi difícil, por exemplo, montar contas matemáticas no papel com um número embaixo do outro.

29/09/2016 11h50 - Atualizado em 29/09/2016 11h50