quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Mais de um terço dos professores são vítimas de bullying virtual


Engana-se quem pensa que o bullying virtual – o cyberbullying – é um abuso que acontece apenas contra crianças e jovens. Agora, nem os professores estão escapando dos insultos virtuais. E o mais impressionante é que as agressões não vêm apenas dos estudantes, mas dos pais também.

Um novo estudo realizado na Inglaterra descobriu que mais de um terço dos professores tem sido vítimas do cyberbullying. A maior parte dos abusos, 72%, veio através dos alunos, mas mais de um quarto foi iniciado pelos pais.

No total, 35% dos professores entrevistados disseram já ter sido vítimas de cyberbullying, dentre os quais 60% eram mulheres. 

A maior parte das agressões acontece nas redes sociais. Alguns grupos foram criados no Facebook, por exemplo, especificamente para unir críticas e ofensas a professores. Em alguns casos, estudantes postaram vídeos de professores no YouTube, ou colocaram comentários degradantes em sites voltados para estudantes darem notas aos professores (como o ratemyteachers.com).

Os pais responderam por 26% dos comentários abusivos na internet. Muitas vezes, eles iniciaram campanhas negativas na web contra outros alunos também. 

Casos de crianças que sofrem bullying on-line são bastante conhecidos e só agora o abuso contra os professores nas redes sociais está recebendo atenção, pois é um problema crescente. O custo humano de tudo isso é alto. 300 professores vítimas de cyberbullying foram entrevistados, e relatos de problemas psicológicos e tendências suicidas foram comuns.

Esse novo fenômeno ilustra bem a nova visão que os pais estão tendo sobre a escola e os professores – que muitas vezes são tratados como mercadorias ou objetos que devem ser essencialmente produtivos. O professor já não é visto como alguém que deve ser apoiado para o desenvolvimento da educação, e as queixas dos pais são cada vez mais comuns (bem como o sentimento de que seus filhos podem tudo). 

Algumas redes sociais resolveram combater a situação. O Facebook oferece dicas para professores e promete responder a denúncias de assédio moral dentro de 24 horas. “Essas discussões online são um reflexo do que está acontecendo offline”, afirmou um porta-voz do Facebook. 

Tradução: http://hypescience.com/mais-de-um-terco-dos-professores-sao-vitimas-de-bullying-virtual/
Fonte: http://www.bbc.com/news/technology-14527103

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Intel Security alerta sobre os perigos escondidos nas mídias sociais

45% das crianças brasileiras começaram a usar mídias sociais quando tinham entre 08 e 10 anos; 20% dos respondentes entre 8 e 12 anos dizem já se encontraram ou se encontrariam com alguém que conheceu na Internet.

http://cenariotocantins.com.br/principal/wp-content/uploads/2012/03/Perigos-das-redes-sociais.jpg


No dia das crianças, a Intel Security alerta os pais para que fiquem atentos à segurança dos pequenos na Internet. Uma pesquisa [1] realizada pela companhia, que ouviu 507 crianças e adolescentes no Brasil, revelou que 83% das crianças entre 8 e 12 anos já são ativas nas redes sociais. O índice sobe para 97% entre adolescentes de 13 a 16 anos.

A pesquisa revelou também que as crianças começam a atuar nas mídias sociais bem cedo. Quase metade das crianças entrevistadas (45%) criou sua conta no Facebook quando tinha entre 8 e 10 anos de idade. As regras de segurança da rede social só permitem a criação de contas para pessoas com mais de 13 anos; mesmo assim crianças mentem a idade para conseguir criar o perfil. Outro dado bastante assustador revelado pela pesquisa é que 20% dos entrevistados entre 8 e 12 anos dizem que já se encontraram ou se encontrariam com alguém que conheceu na Internet.

Thiago Hyppolito, engenheiro de produtos da Intel Security, comenta que esta realidade é bastante preocupante, pois as mídias sociais escondem vários perigos que não são identificados pelas crianças. “Muitos pais acham que os filhos sabem mais sobre mídias sociais do que eles próprios e, por isso, não acompanham de perto o comportamento das crianças. Além da possibilidade de ser abordado por algum estranho mal intencionado, a mídia social também é muito usada pelas próprias crianças para cometer cyberbullying”, explica. 

De acordo com o estudo da Intel Security, as crianças e adolescentes brasileiros admitem esconder suas atividades online dos pais (48%) e mudar seu comportamento quando sabem que os pais estão vigiando (33%). Entre as técnicas mais usadas pelas crianças para esconderem o que fazem estão: apagar o histórico do navegador (23%), apagar mensagens (20%), usar um dispositivo móvel em vez de laptop ou desktop (17%) e minimizar o navegador quando adultos estão por perto (16%).

Nas mídias sociais, para esconder o que fazem, parte das crianças prefere usar nomes falsos ou apelidos em seus perfis (26%). Segundo eles, fazem isso para postarem o que querem sem que os colegas saibam quem eles são (53%) ou porque não querem que os pais ou professores descubram que estão envolvidos com algum tipo de conteúdo impróprio (40%).

O tempo que as crianças estão passando conectados também é bastante preocupante. Quase 30% das crianças passam de 2 a 5 horas por dia usando dispositivo móvel em atividades como assistir vídeos (62%), mídias sociais (59%) e trocar mensagens (47%). Entre as informações pessoais que as crianças dizem que já postaram em mídias sociais estão fotos (73%), nome da escola (44%), data de nascimento (35%), endereço de e-mail (34%), nome de familiares (28%) telefone (23%) e endereço residencial (10%).

Hyppolito explica que a superexposição nas redes sociais também pode causar muitos danos às crianças hoje e no futuro. “A criança muitas vezes encara a mídia social como uma ferramenta para a sua popularidade entre os amigos e não tem noção do alcance dessas informações. Ao divulgar os locais onde frequenta, ostentar seus pertences ou postar foto com uniforme da escola, ela está divulgando informações pessoais que podem ser usadas por criminosos”, comenta.

Veja algumas dicas da Intel Security para aumentar a segurança das crianças nas mídias sociais.

1. Converse com seus filhos. Frequentemente converse com as crianças sobre os riscos das mídias sociais e assuntos como reputação online, cyberbullying, interação com estranhos, etc. Aproveite os temas sobre violação de segurança abordados em notícias ou casos acontecidos em escolas para conversar com as crianças.

2. Defina regras. Defina um tempo máximo que a criança pode ficar na Internet por dia e quais são os jogos, sites e aplicativo que ela pode usar.

3. Tenha acesso às senhas. Os pais devem ter as senhas para total acesso aos dispositivos dos filhos e também as senhas usadas por eles nas contas de mídia social e aplicativos.

4. Conheça as mídias sociais que seu filho usa. Crie contas nas mídias sociais mais populares para entender como funcionam e quais os perigos que podem oferecer. Tente ficar bem informado sobre os novos aplicativos e redes sociais que aparecerem.

5. Leia as indicações de jogos e aplicativos. Antes de permitir que seu filho baixe um novo jogo ou aplicativo conheça as restrições de idade e leia os comentários de clientes sobre eles, assim você será capaz de discernir se um aplicativo é adequado para o seu filho ou não.

Pesquisa: Realidade cibernética: O que os pré-adolescentes e adolescentes estão fazendo on-line, 2015.

Sobre a Intel Security

A McAfee agora é parte da Intel Security. Com sua estratégia Security Connected, a abordagem inovadora para a segurança aprimorada por hardware e o exclusivo McAfee Global Threat Intelligence, a Intel Security concentra-se intensamente no desenvolvimento de soluções e serviços de segurança proativos e comprovados que protegem sistemas, redes e dispositivos móveis para uso profissional e pessoal no mundo todo. A Intel Security combina a experiência e especialização da McAfee com a inovação e o desempenho comprovados da Intel para tornar a segurança um ingrediente fundamental em cada arquitetura e em cada plataforma de computação. A missão da Intel Security é proporcionar a todos a confiança para viver e trabalhar com segurança no mundo digital. www.intelsecurity.com.

Intel, o logotipo Intel, McAfee e o logotipo McAfee são marcas registradas da Intel Corporation nos EUA e em outros países.

Outros nomes e marcas podem ser reivindicados como propriedade de outros.


Data: 06/10/2015 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Facebook tem 5,6 milhões de crianças em sua rede social


Não Pode! Mas estima-se que 5,6 milhões dos usuários do Facebook, aproximadamente 3,5 por cento de seus usuários norte-americanos, sejam crianças, as quais a companhia diz que estão banidas de participar da rede social.

O Facebook e muitos outros sites proíbem pessoas abaixo de 13 anos por que o Ato de Proteção à Privacidade Online de Crianças (COPPA, na sigla em inglês) exige que sites dêem tratamento especial para crianças com 12 anos ou menos.

A lei busca evitar que análises obtenham informações pessoais de crianças ou utilizem os dados delas para fazer publicidade. Sites devem conseguir permissões dos pais antes de permitir que crianças entrem neles, e devem tomar medidas para proteger sua privacidade.

A questão ganha relevância à medida que um regulador dos EUA, a Federal Trade Commission (FTC), finaliza as regras para restringir ainda mais companhias e sites cujo público-alvo são audiências infantis.

O Facebook, maior rede social do mundo, com 955 milhões de usuários, disse que a lei não se aplica a ele porque explicitamente restringe a utilização do site a pessoas com menos de 13 anos.

O Facebook fez progresso na identificação de pré-adolescentes e em excluí-los do site. Um estudo da June Consumer Reports mostrou que o Facebook elimina até 800 mil usuários abaixo de 13 anos por ano, em um processo de busca que a empresa declina em detalhar.

Mesmo assim, o estudo estima que 5,6 milhões de crianças ainda estão no Facebook, um número sobre o qual, segundo especialistas, grande parte dos pais ajudam a criar as contas.

O Facebook rejeitou discutir os dados ou descrever seus esforços sobre esta questão. O porta-voz da empresa, Frederic Wolens, disse em um email apenas que o Facebook está “comprometido a melhorar proteções para todos os jovens online”.

Por: Thais Ferreira Guimarães 
Fonte: http://www.geekaco.com/facebook-tem-56-milhoes-de-criancas-em-sua-rede-social

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Plenário aprova urgência para projetos de combate a drogas e ao bullying


O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para dois projetos de lei:

- PL 4852/12, que estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas sintéticas; e

- PL 5369/09, que obriga as escolas e os clubes de recreação a adotarem medidas de conscientização, prevenção, diagnose e combate ao bullying.


Está em votação nominal, no momento, o regime de urgência para o PL 6726/13, que retoma o regime de concessão para a exploração de petróleo nas áreas do pré-sal, atualmente licitadas pelo regime de partilha, no qual a União fica com uma parte do óleo explorado.

Para ser aprovado, o requerimento precisa de 257 votos favoráveis.

Íntegra da proposta:

06/10/2015 - 18:23 
Fonte: Câmara Notícias | http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=visualiza_noticia&id_caderno=20&id_noticia=134479

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Perfil on-line das crianças brasileiras está mais social e pornografia não chama mais tanta atenção, segundo a Kaspersky Lab

Empresa também une forças com o projeto Enable, que tem o apoio da União Europeia, para combater a prática de bullying na Internet.



De acordo com as estatísticas de 2015[1] da ferramenta de Controle dos Pais da Kaspersky Lab, a maior preocupação dos pais brasileiros é as redes sociais. Neste período, a empresa registrou cerca de 6,5 milhões de tentativas de visitas a redes sociais, seguido de mais de um milhão de tentativas de acesso ao e-mail (1,3 milhão) e a jogos online (1,05 milhão). O mais curioso é que a categoria pornografia ocupa agora o 7º lugar, com um pouco mais de 200 mil tentativas de acesso.

Em 2013, o bloqueio de conteúdos com conotação sexual ocupava a 2ª colocação no Brasil, sendo quase 19% das ocorrências; atualmente este índice representa 0,65%. Já as redes sociais apresentaram um crescimento vertiginoso, passando de 22,34% (1ª colocação) há dois anos para 54,48% em 2015[1].

As ferramentas de correio eletrônico não apareceram entre as principais categorias do ranking nacional de 2013 e este ano ocupam o segundo lugar, com 11,11% dos bloqueios. Apenas para referência, no ranking global o e-mail ocupava a quinta colocação há dois anos, sendo 7,39% das restrições de acesso.

Outra mudança no comportamento infantil ocorreu no horário em que os bloqueios acontecem. Em 2011, as detecções aconteciam principalmente no fim da tarde entre 15h e 20h, com pico às 16h. Ao levantar as dados de 20151, Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab, verificou que o pico acontece hoje em dia mais próximo das 19h e o surgimento de um pico menor logo após o almoço, entre às 13h e 14h. 

Para Assolini, esta mudança de comportamento está diretamente associada à maior preocupação dos pais em terem seus filhos como vítimas de cyberbullying – que é qualquer assédio moral realizado pela internet. De acordo com uma pesquisa global da Kaspersky Lab com a B2B International (2014), quase metade (48%) dos pais têm esta preocupação.

“Nosso estudo mostrou que as crianças são relutantes em admitir que são vítimas de bullying, tanto que 51% dos pais só descobriram depois de um longo tempo (25%) ou quando o abuso online se transformou em assédio moral no mundo real (26%). O impacto emocional do cyberbullying pode ser devastador para os jovens e os pais precisam se informar mais sobre este tema para saber agir”, orienta o analista.

É difícil evita-lo completamente, mas existem algumas medidas simples para proteger as crianças: as configurações de privacidade em redes sociais permite que os adultos ajudem as crianças a controlar quem pode ver suas publicações e escrever mensagens. A utilização plena das definições de controle parental nos aplicativos e em soluções de segurança, como o pacote Kaspersky Total Security Multidispositivos para PCs, Mac ou Android, ajudam a dar mais proteção às crianças e paz de espírito aos pais.

Mas também é preciso ir além da tecnologia. Os pais precisam conversar com seus filhos para alertar sobre os riscos no mundo online, mas apenas 38% o fazem! Da mesma forma que eles educam suas crianças em como se comportar no mundo real, é preciso explicar a importante de manter as informações pessoais protegidas e não revelar online detalhes como endereço, número de telefone, escola etc. “Reflita sobre o que eles estão compartilhando e com quem; e a quem recorrer em busca de apoio quando houver abuso ou alguma angustia”, sugere Assolini.

Para ajudar a combater o cyberbullying, a Kaspersky Lab acaba de fechar uma parceria com a ENABLE (European Network Against Bullying in Learning and Leisure Environments – Rede europeia contra o bullying em ambientes de aprendizagem e lazer) e está apoiando o evento Hackathon, que tem como objetivo promover inovações em TI e combater o problema mundial dos assédios morais pela internet.

O ENABLE Hackathon ocorrerá dia 13 de outubro, no European Coding Week 2015, e incentiva jovens entre 9 e 17 anos a trabalhar em equipe para criar um aplicativo ou ferramenta criativa que ajude na redução do bullying. Como parceiro, a Kaspersky Lab selecionará a equipe que apresentar a solução tecnológica mais revolucionária e a premiará com uma viagem para a fábrica e o museu da Ferrari em Maranello, Itália, para conhecer e falar com um dos pilotos de Fórmula 1 da Scuderia Ferrari.

“Queremos ver os jovens desenvolvendo suas habilidades online enquanto os ajudamos a entender a dinâmica por trás do bullying e orientamos seu trabalho em equipe para encontrar soluções criativas para combatê-lo”, afirma Janice Richardson, consultora sênior da European Schoolnet, ex-coordenadora da Insafe Network e coordenadora da ENABLE.

Para David Emm, pesquisador-chefe de segurança da equipe global de pesquisa e análise (GReAT) da Kaspersky Lab, a empresa está empenhada em tornar a internet um lugar mais seguro. “O bullying – especialmente o cyberbullying – é um problema muito grave com implicações sociais e emocionais. Nossa missão é educar e apoiar as crianças e seus pais na luta contra as ameaças que encontram online”, afirma.

Em março de 2015, a Kaspersky Lab organizou um grupo para debater o problema no Mobile World Congress, em Barcelona. A empresa também se comprometeu a doar um Euro para o Insafe Helpline Fund a cada Kaspersky Total Security multidispositivos vendido pela Internet na Europa durante o mês de dezembro de 2014, garantindo ainda uma doação mínima, em 2015, para lidar com nove mil chamadas adicionais referentes a problemas on-line, como cyberbullying e violência cibernética.

Para saber mais sobre o trabalho da Kaspersky Lab para evitar o cyberbullying, sua parceria com a EUN e outras atividades de responsabilidade social, acesse https://kas.pr/CSR_2014_eng.


Data: 06/10/2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Manda nudes?

Com apps como o WhatsApp, enviar fotos de si mesmo nu ganha nome e fica popular, mas gera medo de vazamentos




Fotos de nudez do ator Stênio Garcia, 83, e de sua mulher vazaram na semana passada e geraram rebuliço nas redes sociais – só no dia do vazamento, houve mais de 71 mil menções relacionadas a "nudes" no Twitter, segundo medição da empresa de monitoramento Scup. O número é três vezes maior que a média do mês.

Fotografar-se nu não é, obviamente, um comportamento restrito ao ator. E não só fotografar, mas também "mandar nudes" – expressão que ficou popular na Internet para o ato de enviar fotos sensuais principalmente por apps de mensagens.

Segundo pesquisa on-line do Instituto Qualibest com 579 pessoas feita na semana passada, 12% dos entrevistados já compartilharam fotos ou vídeos da própria nudez na Internet. O levantamento reflete a população internauta brasileira de 16 a 30 anos.

O WhatsApp é o principal aplicativo para esse tipo de troca de mensagens, escolhido por 87% dos usuários. O Snapchat, em que as fotos desaparecem após serem vistas, aparece na segunda posição, com 25%.

A universitária Tatiana (nome fictício), 20, de São Paulo, e o namorado têm até dia para enviar nudes: quartas-feiras. O casal mora em cidades diferentes e escolheu esse dia para matar a saudade.

"O nude é uma forma de se relacionar a distância. Nos sentimos mais próximos e até ganhamos confiança, pois estamos mandando algo bastante íntimo", afirma.
Na opinião da psicanalista Marielle Kellermann, que pesquisa a relação entre psicanálise e tecnologia, a instantaneidade dos aplicativos de mensagem exacerba o exibicionismo. "Eles despertam e potencializam a vontade intrínseca das pessoas de valorizar o corpo", diz.

O estudante João Godoy, 19, criou um um grupo no WhatsApp com mais nove amigos e amigas só para mandar imagens sensuais.

A brincadeira, que durou quatro dias, era temática – os assuntos foram de "cowboy" a "dia do estudo". "Meu amigo tirou uma foto deitado em cima da cama, do lado de vários livros." No final, eles escolhiam a melhor imagem.

AS ORIGENS

"Manda nudes" virou uma expressão popular depois que o publicitário Vinícius Curi, 27, criou uma página no Tumblr com esse nome. Ali, ele alterava imagens conhecidas, como o logo da "Sessão da Tarde", para "Manda Nude". As ilustrações viralizaram na rede.

"No começo fiquei assustado, porque diziam que o meme incentivava as pessoas a mandarem fotos peladas. Depois percebi que muita gente acabou discutindo os perigos", diz Curi.

Entre os riscos está o vazamento das imagens, que já provocaram casos de suicídio no Brasil. A ONG SaferNet, que oferece auxílio psicológico a vítimas do crime, atendeu a 224 casos desse tipo no ano passado, um crescimento de 120% em relação a 2013.

Isabela (nome fictício), 15, é uma das vítimas da exposição indesejada. Colegas da escola da menina criaram um grupo anônimo no WhatsApp com o objetivo de divulgar fotos íntimas suas para todo o ensino médio.
"Eu fiquei muito mal, me sentindo muito culpada", conta a garota, cujo maior medo é que as imagens cheguem até seus pais. "Eu não tinha conhecimento de que isso poderia me prejudicar para o resto da vida."

Das denúncias recebidas pela SaferNet, 81% são de mulheres. E a maior parte dos outros 19% são de homens que marcaram encontros com outros homens e passaram a ser ameaçados de ter sua orientação sexual revelada.

"Trata-se de uma questão de gênero. Geralmente os homens heterossexuais não procuram ajuda e não sofrem grande consequência. As mulheres sentem um impacto social grande", afirma a coordenadora psicossocial da SaferNet, Juliana Cunha.

Godoy, o estudante que montou o grupo de WhatsApp para trocar imagens íntimas, diz que não tem medo de suas fotos vazarem. O motivo: ele ser homem.

"Se alguém recebe uma foto de homem, fala só: 'Nossa, que merda'. Se é de uma menina, a foto se espalha."


Por: MATEUS LUIZ DE SOUZA | JÚLIA BARBON
DE SÃO PAULO