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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

#CPBR9 - Cyberbullying e violência contra mulheres nos games é tema de debate

Com o tema “Cyberbullying e a violência contra mulheres na cultura pop e nos games”, o feminismo subiu ao palco Feel The Digital Leisure da Campus Party nesta quarta-feira (27). A defensora pública Ana Rita Souza Prata conversou com a blogueira Paola Rodrigues e com a jornalista Daniela Rigon sobre os problemas que as mulheres enfrentam na internet ao interagir com as comunidades de cultura pop e de jogos eletrônicos. 


Paola, que escreve para os sites “Cartas para Helena” e “Não Pule da Janela”, contou que sofreu bastante bullying na infância, enquanto estava na escola, e que continua passando pelas mesmas sensações mesmo depois de adulta, só que na internet. “Comecei a ver como isso migrou para a internet quando comecei a jogar Tibia. Quando comecei meu primeiro blog, os comentários eram ataques diretos à minha pessoa”, contou. 

“Na internet, parece que tudo piora por causa da questão do anonimato. As pessoas acham que o que estão falando não será levado a sério, mas pode causar graves consequências na vida de alguém”, disse Daniela, que é colaboradora dos sites “ESPN Games”, “Drops de Jogos” e “Geração Gamer”.

Para Ana, que atua publicamente na defesa da mulher, “o cyberbullying nada mais é do que o bullying praticado no ambiente da internet. 90% dos jovens usam as redes sociais, então vemos condutas que todos estamos propensos a praticar na vida off-line também na internet”. 

Acabando com o clube do bolinha 

Conforme abordamos na matéria sobre o machismo no meio nerd publicada recentemente aqui no Canaltech, o “clube do bolinha” existe pois é um reflexo da nossa sociedade há muito tempo sexista e patriarcal, que segrega mulheres e as trata como seres inferiores e, portanto, submissos. Por isso, antigamente as mulheres não tinham as mesmas oportunidades que os homens na hora de estudarem ciências diversas, restando a elas o papel de mães de família, religiosas ou professoras. Então, os campos científicos (e, consequentemente, as áreas que futuramente seriam chamadas de “nerd”) acabavam contando com uma maior quantidade de indivíduos masculinos. 

Com o advento da internet — especialmente dos blogs e das redes sociais —, as meninas e mulheres estão cada vez mais tendo acesso à informação e, aos poucos, estão se empoderando. Antes, as mulheres não tinham muitos meios onde levantar a voz e dizer “hey, eu não me sinto representada pelas figuras estereotipadas das mulheres nos quadrinhos”, por exemplo, mas agora o que não faltam são canais onde as mulheres podem não somente se informar, como se expressar. 

“A gente vai tomar o nosso espaço porque ele já é nosso de direito”, contesta a defensora pública. Sobre punições, ela acredita que “a gente tem que refletir se esse mundo da internet é uma terra realmente sem lei”. Para Ana, muitas pessoas reproduzem violências sem perceber, mas quando a agressão é praticada em um ambiente real, com testemunhas, ela poderá ser penalizada, então na internet não deveria ser diferente. “A internet é mais um espaço de convívio e nela deve haver as mesmas regras que existem na sociedade”, completa. 

Menina também joga 

Segundo Daniela, quando algum usuário está agredindo virtualmente outro ou outra, “uma das reclamações constantes na comunidade gamer é com relação à falta de punição”. “Você até consegue reportar a pessoa, mas é só ela criar uma conta nova e continuará repetindo os mesmos atos”, explica. Talvez a solução para esse problema já esteja encaminhada. No League of Legends existe um recurso chamado “shadowban”, em que os usuários considerados tóxicos continuam jogando normalmente, mas suas publicações são vistas apenas por eles. Assim, eles estarão literalmente falando sozinhos, sem que suas tentativas de ofensa tenham nenhuma repercussão.



Outra reclamação das mulheres no meio dos jogos eletrônicos é com relação eo estereótipo da “garota gamer”. É muito comum vermos piadas sobre como uma garota “verdadeiramente” gamer deve se portar, ou não se portar, e essas postagens são amplamente compartilhadas nas redes sociais até mesmo por outras mulheres, que acharam a brincadeira engraçada mas não têm a noção do quanto perpetuar esses estereótipos é prejudicial para todos. 

Formadores de opinião 

Muito se engana quem pensa que em pleno ano de 2016 os formadores de opinião são somente jornalistas, publicitários e personalidades. Na era das redes sociais, qualquer pessoa pode ser uma formadora de opinião — mesmo que para um limitado círculo de contatos. 

“A gente precisa ter muita noção sobre a nossa voz na internet”, acredita Paola. “Mesmo sendo só na sua timeline, seu discurso está impactando a sua rede de amigos. Temos que ter responsabilidade sim sobre a interpretação de quem está nos lendo”, completa a blogueira. Muito disso vem da ideia de que a vida “real” é uma coisa, e a vida online é outra totalmente diferente. Na verdade, já passamos a maior parte dos nossos dias conectados a alguma plataforma, então a internet se tornou parte da vida real. 

Com isso, vem a desumanização. A defensora pública Ana acredita que “a internet desumaniza. Não se vê a expressão da pessoa enquanto ela reage à sua ação”, logo, fica mais fácil enxergar o outro como qualquer coisa, menos um ser humano, enquanto estamos nos relacionando apenas virtualmente. 

A conclusão que fica é que a violência praticada na internet e nos games contra usuárias do gênero feminino não é um problema somente delas: é de todos, uma vez que esse cenário é consequência de uma violência ainda maior, que acontece em toda a sociedade. Sendo assim, não devemos nos preocupar com dicas para as mulheres fugirem de situações potencialmente violentas: devemos ensinar as pessoas a não praticarem a violência. 

Por Patrícia Gnipper RSS | em 27.01.2016 às 19h35 - atualizado em 27.01.2016 às 22h12

Matéria completa: http://canaltech.com.br/noticia/comportamento/cpbr9-cyberbullying-e-violencia-contra-mulheres-nos-games-e-tema-de-debate-56911/

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Jogadores de RPG roubam fotos de crianças para promover fetiche no Instagram

Mãe conta como viu fotos de seu filho sendo usadas na conta de outra pessoa; 'brincadeira' têm versões sexualizadas.


Por BBC Brasil | 05/08/2015 09h21 - Atualizado em 05/08/2015 09h21


Muitos "jogadores" parecem ser adolescentes brincando, mas não é difícil encontrar versões sexualizadas da hashtag. (Foto: BBC) 

Se você costuma postar fotos dos seus filhos no Instagram, pode ser capaz, ao ler essa história, de querer mudar imediatamente as configuração de privacidade de sua conta.

Como parte de uma espécie de jogo de role playing (jogo de representação) fetichista, participantes roubam fotos de crianças em contas do Instagram de outras pessoas.

Depois, eles postam as fotos roubadas na própria conta, usando hashtags como #BabyRP ou #KidRP (RP sendo a sigla para role playing).

Nas legendas das fotos, eles inventam nomes e histórias para as crianças, convidando outras pessoas para serem "mãe" ou "pai" adotivos.

O BBC Trending conversou com Dana Pecina-Phillips, uma mãe que descobriu dezenas de fotos que ela havia postado do próprio filho em uma conta de Instagram onde a pessoa, aparentemente uma mulher, fazia essa "adoção virtual".

"Eu estava postando fotos do meu filho no Instagram e percebi que alguém havia curtido centenas de fotos dele. Achei estranho. Eu entrei no perfil dela e imediatamente vi que tinha fotos do meu filho. Meu coração parou", disse.

"Conforme ia clicando nas fotos e lendo as legendas, percebi que o que eles estavam fazendo era 'role playing' com meu filho. Entrei em pânico. Comentei dizendo que as fotos eram do meu filho e que era para ela tirá-las de sua conta. Mas ela deletou os comentários e continuou postando ainda mais fotos dele."

Participantes acham que por o perfil da pessoa ser público, as fotos também seriam e podem ser usadas à vontade. (Foto: BBC) 

BBC entrou em contato com esses jogadores de RPG e alguns aceitaram falar, sob condição de anonimato, por mensagem via Instagram.

Uma das pessoas disse: "BabyRP é como assumir um papel em um jogo. Alguém é um bebê, alguém é uma mamãe. Você só finge."

"A maioria das pessoas pega as fotos de outras contas do Instagram. Nós podemos usá-las porque não tem marca d'água nas fotos", disse outro.

"Não é errado. Se a conta é pública, as fotos também são", afirmou um outro.

Dana contou ter reportado as fotos e a conta ao Instagram centenas de vezes. (Foto: BBC)

Dana contou ter reportado as fotos e a conta ao Instagram "centenas de vezes".

"Eu sei que eles (o Instagram) sempre diz que trabalha rapidamente para tirar esses perfis do ar. Mas esse não foi o meu caso e nem de outras famílias que passaram pela mesma situação."

Contatado pela BBC, o Instagram afirmou: "Esse tipo de conteúdo viola nossos termos. Uma vez que um pai, mãe ou responsável reportar a foto, nós agimos rapidamente para remover a foto".

Conta privada

A maioria dos jogadores de RPGs no Instagram parece ser adolescentes brincando de ser pais e mães. Mas não é difícil encontrar versões sexualizadas da hashtag.

Mas por que essas pessoas participam desse "jogo"?

Um dos participantes disse à BBC: "A maioria dos role players faz isso para sair um pouco desse mundo. Eles podem ser alguém que é amado. Eu gosto porque se estou tendo um dia difícil, posso jogar e me divertir com meus amigos."

"Eu tenho saudades de ser uma criança", disse outro.

Restringir a conta do Instagram pode diminuir o risco de ter fotos roubadas. (Foto: BBC) 

Dana conta ter ficado muito revoltada por alguém estar fazendo esse tipo de coisa com as fotos do filho. "Mas também me senti culpada por ter postado as fotos, por ter sido inocente."

Como as pessoas apenas criam novas contas e seguem postando fotos, ela desistiu de procurar punição para elas.

"Eu agora tenho de viver com o fato de que alguém tem centenas de fotos do MEU filho salvas no computador ou no celular dela, e que eles podem usar do jeito que quiserem. É um sentimento horrível, de impotência."

Sophie Linington, do site The Parent Zone, recomenda tomar muito cuidado com quem você compartilha suas fotos. "Mantenha sua conta privada e não aceite pessoas que você não conhece. E se você quiser realmente compartilhar, coloque uma marca d'água e sempre desative o localizador".

Fonte: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2015/08/jogadores-de-rpg-roubam-fotos-de-criancas-para-promover-fetiche-no-instagram.html


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Games podem ter riscos ocultos

Por: Patricia Knebel | Data: 24/07/2015


Mais de meio bilhão de pessoas em todo o mundo joga games diariamente, acumulando cerca de três bilhões de horas por semana. Apesar de ainda não existirem números específicos para o Brasil, os adeptos dos jogos vem crescendo mês a mês, e levam junto uma indústria cada vez mais voltada para esse perfil de usuário, como fabricantes de computadores, teclados e outros dispositivos que possam melhorar a performance. Empresas desenvolvedoras de jogos crescem e o próprio Rio Grande do Sul é um polo reconhecido pela qualidade dos games produzidos aqui.

Essa é a parte boa da história. A ruim está voltada para os riscos à segurança dos usuários. A especialista em Direito Digital, Patrícia Peck, alerta que as armadilhas vão desde clonagem de cartões até pedofilia, prostituição a estelionato.

O maior risco é justamente dos jogos em rede, nos quais pessoas que geralmente não se conhecem passam a interagir durante a competição - quase metade dos adolescentes americanos se comunica por chat com outros jogadores enquanto jogam, segundo o The Statistics Portal. "Muitas vezes a abordagem parece inofensiva, mas o aumento da convivência durante o jogo vai afastando a percepção de que quem está falando é um estranho e as pessoas podem se tornar vulneráveis", comenta Patrícia.

Análises e mapeamentos feitos por especialistas em segurança para identificar esses riscos revelaram que existem dois tipos de quadrilhas atuando a partir de informações recolhidas junto aos gamers: as especializadas em assaltar casas e as voltadas para a pedofilia.

Em ambos os casos, os cibercriminosos começam conquistando a confiança do usuário. Enquanto dão dicas de jogos específicos e ensinam como conquistar mais vidas virtuais, fazem perguntas para levantar a rotina da vítima, como saber se moram sozinhas, se costumam jogar em casa, se os pais estão viajando, entre outras.

"É uma abordagem que tenta pegar usuários entre 8 a 14 anos, que ainda não tem muita malícia. Estes dados passam a embasar a engenharia social que depois vai resultar em um crime", alerta a especialista em Direito Digital. Quadrilhas que antes costumavam ligar para o celular das pessoas e fingir que tinham sequestrado um parente passaram a usar os jogos em rede para praticar crimes.

Os criminosos envolvidos com o crime de pedofilia também começam tentando conhecer melhor a vítima. Mas, logo já tentam habilitar a webcam para poder captar imagens das crianças e jovens. Fazem isso estimulando os jogadores a ligarem o dispositivo ou enviando links com códigos maliciosos com a falsa promessa de que deve ser instalado para ter uma melhor performance no jogo. São sistemas que habilitam a webcam sem o usuário perceber.

Patrícia comenta que muitos adolescentes jogam no quarto, geralmente com roupas mais íntimas, como pijama. E isso é suficiente para alimentar com imagens sites de pedofilia

"O cuidado com a segurança da informação deve estar intrínseco à cultura das pessoas, das famílias. As pessoas vão continuar jogando, claro, mas precisam estar atentas de que devem fazer isso sem revelar assuntos pessoais", sugere.