sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Por onde andam as nossas crianças?

O crescimento da cibercriminalidade tem sido exponencial.

"Uma vez lido, pode ser eliminado do computador mas não da tua cabeça" [1]

Elisabete Maciel / Silêncio da Fraude
7:56 Quinta feira, 1 de Outubro de 2015



Imagem: SmashingMagazine.com
O cibercrime pode ser definido como todo o crime susceptível de ser cometido sobre ou pelo uso de um sistema informático, regra geral, ligado a uma rede. É uma nova forma de cometer os mesmo crimes, situando-se num espaço novo: o ciberespaço. Não esquecer que nos dias de hoje, este conceito é muito mais abrangente tendo em conta que os dispositivos móveis, tablets e smartphones, devido ao acesso que possibilitam à Internet, são mais um meio "facilitador" para cometer este tipo de crime.

O crescimento da cibercriminalidade tem sido exponencial. Para tal, tem contribuído o aumento significativo de utilizadores da Internet. Por um lado, foi estratégia do governo o incentivo à aquisição de portáteis por todos os alunos dos diversos graus de ensino. Por outro, segundo a Marktest, em menos de 3 anos triplicou o número de utilizadores de telemóveis com acesso à Internet. Para além disso, o acesso à internet está cada vez mais barato. De acordo com dados da Marktest, o gasto mensal na conta de telemóvel baixou 66% nos últimos 10 anos. 

Atualmente, há uma tendência clara de aumento do uso da Internet através de dispositivos móveis. Vários estudos comprovam que este aumento tende a conduzir a uma conetividade ininterrupta. Por outro lado, verifica-se o aumento da divulgação de dados pessoais nas redes sociais. Constata-se que as crianças estão online cada vez mais novas e das mais diversas formas. As crianças são um dos alvos mais fáceis e mais expostos quando falamos de cibercrimes como, por exemplo, divulgação de textos, imagens e vídeos inconvenientes, assédio, ofensas, usurpação de identidade, revelação de segredos, aliciamento, entre outros.

A EU Kids Online é uma rede de investigação multinacional cujo objetivo é melhorar o conhecimento em termos de oportunidades, riscos e segurança no acesso online das crianças europeias. Portugal é um seu parceiro e com base num estudo publicado [2], irão ser referidos alguns indicadores que apontam para a necessidade de todos os educadores, sejam eles pais ou professores, estarem preparados para acompanharem este evolução. 

Um dos alertas feito continuamente aos pais é a necessidade de colocar o computador numa sala comum e não num local reservado, como por exemplo o quarto do jovem. Tal situação torna-se cada vez mais irrelevante quando constatamos que em Portugal, 61% dos jovens entre os 9 e os 16 anos acedem à Internet em dispositivos móveis e, 80% através de portáteis. Portugal é dos países da União Europeia que menos utiliza o computador de mesa. 

Quando falamos em perfis nas redes sociais constata-se que 76% dos jovens com idades entre os 9 e os 16 têm pelo menos um perfil numa rede social. De salientar que um quarto das crianças com 9 e 10 anos já têm, pelo menos, um perfil numa rede social. E se os jovens tiverem 15 ou 16 anos obtemos o pleno (98%). Se falamos em contactos, o que normalmente se designa por "amigos", verifica-se que um quinto dos jovens, entre 9 e 16 anos têm mais de 100 contatos. 

Futuramente, todo o contexto aponta para uma tendência de aumento da utilização de dispositivos móveis bem como a intensificação do acesso online, nomeadamente na exposição às diversas redes sociais. É uma tarefa dos educadores incentivar as crianças a cumprir os limites de idade para os serviços e avisos on-line, de forma a precaver o acesso a conteúdo ou serviços inadequados para a sua idade. Dessa forma, as crianças estariam motivadas para ter um papel proativo, bloqueando conteúdos e contactos indesejáveis e, idealmente, denunciando essas mesmas situações. 

Outra preocupação que deveria estar sempre presente na mente dos educadores prende-se com a divulgação de informações pessoais, incluindo fotografias e vídeos. Uma criança não tem a perspetiva das implicações presentes e futuras que a divulgação de informação deste tipo poderá ter. Com uma câmara fotográfica e um gravador de vídeo à mão é extremamente simples desnudar a nossa vida. Os educadores deveriam estar atentos a estas atividades, por forma a evitar os estragos que daí poderão advir. Citando uma velha máxima da internet: "What has been seen cannot be unseen" (O que foi visto não pode ser desvisto).

NOTAS:

[1] Frase proferida por uma jovem portuguesa de 15 anos- EU Kids Online

[2] Children and Internet use: A comparative analysis of Brazil and seven European countries, 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Milhões de imagens retiradas do Facebook são encontradas em sites pedófilos

Imagens inocentes são partilhadas em páginas de pedófilos com comentários sexualmente explícitos e perturbadores.



Uma foto na praia com os pais, um registo da primeira festa de aniversário com primos e irmãos a celebrar, um vídeo de uma tarde de lazer no parque infantil. Imagens inocentes como estas são partilhadas por vários milhares de pais nas redes sociais ou em blogues. Recebem curtidas e algumas vezes acabam sendo compartilhadas por familiares e amigos. São vistas por várias pessoas e facilmente passam pelos olhos de pedófilos. Um relatório de uma instituição australiana concluiu que dezenas de milhões de fotografias publicadas em páginas como o Facebook ou Instagram foram encontradas em sites pedófilos.

A inocência da fotografia da criança mantém-se mas os comentários que a acompanham quando são publicadas nestes sites são fortemente sexuais e perturbadores. Toby Dagg, investigador do Children's eSafety Commissioner, intituição asutraliana que se dedica à observação da segurança dos menores online, atira um número imponente para mostrar a gravidade desta realidade.

Num dos sites de partilha de material pedófilo detectado pelas autoridades foram encontradas 45 milhões de imagens e que “cerca de metade desse material parecia ter como fonte direta uma rede social”. Algumas das fotografias encontradas estavam armazenadas em pastas com títulos como os amigos do Instagram da minha filha, crianças na praia ou ginastas por exemplo.

Ao Sydney Morning Herald, o comissário da instituição, Alastair MacGibbon, explicou que “muitos utilizadores identificam claramente que obtiveram os conteúdos através de contas em redes sociais”. “As imagens são quase na maioria acompanhadas por comentários muito explícitos e perturbadores”, acrescentou o responsável, sublinhando que a inocência de uma imagem é completamente distorcida pelos predadores sexuais infantis.

Alastair MacGibbon dá como exemplo um site descoberto há dois anos, que alojava 100 fotografias. Entre estas havia imagens de crianças em férias, fazendo os trabalhos de casa ou abrindo os presentes de Natal, fotografias que tinham sido catalogadas pelos próprios pais com a descrição do que os seus filhos faziam e publicadas de forma inocente nas redes sociais ou em blogues. Segundo o comissário, cerca de dez dias após o site ter ficado ativo, as fotografias tinham sido vistas 1,7 milhões de vezes e comentadas com frases sexualmente explícitas.

“Quando publicamos qualquer coisa on-line, não importa onde seja, perdemos o controlo sobre ela. Pais que partilham muito são uma peocupação porque não têm qualquer ideia sobre onde essas imagens vão parar e muitos pais não bloqueiam as suas contas da mesma forma que os jovens fazem”. A observação é da especialista em cibersegurança Susan McLean, que ao Sydney Morning Herald afirmou que os pais são muitas vezes menos conhecedores dos perigos on-line do que os seus filhos.

Susan McLean deixou o alerta: "Se é um utilizador voraz das redes socias. Se vive a sua vida vorazmente através dos seus filhos on-line e usa sites que compartilham fotos e hashtags, tem que compreender que essa foto vale alguma coisa para alguém e pode ser para um propósito que não vai gostar."

Recentemente, o Tribunal da Relação de Évora centrou uma decisão na questão da insegurança e privacidade on-line de uma menor, cuja custódia estava a ser disputada pelos pais. O tribunal impôs que os pais da criança de 12 anos não divulgassem “fotografias ou informações que permitam identificar a filha nas redes sociais”.

Além de a Relação sublinhar que “os filhos não são coisas ou objetos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo prazer” e que os "pais devem proteger os filhos" e "têm o dever de garantir e respeitar os seus direitos”, alertou para os perigos da exposição de menores em redes sociais representados por “muitos predadores sexuais e pedófilos”. 

“O exponencial crescimento das redes sociais nos últimos anos e a partilha de informação pessoal aí disponibilizada” permite que os que “desejam explorar sexualmente as crianças recolham grandes quantidades de informação disponível e seleccionem os seus alvos para realização de crimes”, conclui a Relação no acórdão de Junho deste ano.

O alerta para os perigos on-line da partilha de fotografias que identifiquem menores e os coloquem numa situação de fragilidade perante estranhos foi alvo de uma campanha lançada em Agosto pela PSP. "A melhor forma de o proteger é evitar que apareça aqui para sempre. Não publique rostos de crianças, não mencione nomes e locais, não arrisque aqui: a decisão é sua", apelou a polícia no âmbito da iniciativa.

Questionando se “será mesmo necessário publicar fotos com os rostos das suas crianças de forma ostensiva”, a PSP apelou ao “bom senso e ao conhecimento que deve prevalecer na hora de publicar uma foto”. “A escolha é sua: sugerimos apenas que não o faça de forma ostensiva e que verifique bem as suas definições de segurança e privacidade”.

Por: CLÁUDIA BANCALEIRO  01/10/2015 - 12:28

Fonte: http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/milhoes-de-imagens-retiradas-de-redes-sociais-sao-encontradas-em-sites-pedofilos-1709723

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Pesquisa revela que 83% das adolescentes brasileiras têm smartphone

Levantamento nacional feito pela CAPRICHO também mede o grau de engajamento delas como consumidoras; hiperconectadas, a maioria delas não sai do quarto.

FONTE/AUTOR.: CAIO MARTINS | DATA: 29/09/2015



A difusão das plataformas mobile e das redes sociais é a principal raiz de um traço marcante entre as adolescentes de hoje: é na comodidade de seus quartos, e não em ambientes externos, que elas desenvolvem a sociabilidade e constroem uma identidade. Esta é a principal conclusão da pesquisa 101 Quartos, realizada pela CAPRICHO, que revela que as principais atividades ligadas à afirmação da personalidade — como escolher os melhores looks, experimentar produtos de beleza, assistir às suas séries favoritas e interagir com amigos e colegas — se passa principalmente no quarto.

A pesquisa é composta de dois levantamentos — o primeiro, quantitativo, entrevistou 4.747 adolescentes entre 14 e 17 anos das classes A (22%), B (60%) e C (18%); já o segundo, qualitativo, consistiu em visitas aos quartos de 101 adolescentes, presencialmente e por Skype.

Segundo a pesquisa, 100% das entrevistadas têm conexão no quarto e a grande maioria, 83%, tem um smartphone, enquanto 48% têm um computador só delas. Conectadas a maior parte do tempo e trocando dicas e informações por mídias sociais, elas são consumidoras ativas e bem informadas. A maioria (61%) afirma ter um conjunto de make “só delas”. Alguns produtos, mostra a pesquisa, são regra entre as adolescentes: 90% usam máscara para os cílios, 70% usam batom e 64% aplicam pó. O financiamento desse consumo, em grande parte, provém da renda dos pais. Metade das entrevistadas não tem mesada e 54% não têm cartão de crédito — apenas 10% delas trabalham.

Quarto representa segurança

A revista aponta que a conectividade “arejou” o quarto, que assim deixou de ser um espaço confinado e atrelado à família. Dessa forma, as adolescentes podem interagir com outras pessoas e construir suas personalidades onde se sentem protegidas: o quarto atenua os riscos existentes no ambiente externo, como a violência, crime, a exposição física e o custo do deslocamento. Há de se considerar também o momento em que elas atravessam: na passagem para o ensino médio, elas são transferidas de escolas de bairro para colégios em uma região afastada e não familiar, obrigando a adolescente a encontrar novos espaços de convivência e interesse.

O resultado dessa nova configuração, entretanto, é um alto grau de sedentarismo: 70% das entrevistadas confessam que não praticam atividades extras. As principais atividades que se passam no quarto, segundo elas, são estudar, assistir a séries, ler e acessar a Internet.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Adolescentes postam fotos de automutilação em busca de apoio e seguidores nas redes

Imagens chocantes de braços, pernas e barrigas ensanguentados aparecem em perfis com mais de 3 mil seguidores. Marie Claire conversou com jovens sobre a nova - e perigosa - onda virtual



29/09/2015 06h02 - ATUALIZADA EM: 29/09/2015 13h19 - por Letícia González

Em 1995 não existiam redes sociais. Quando algo se tornava viral, repercutia na TV. Depois no jornal. Repetidas vezes. Foi o que aconteceu nos dias que se seguiram à famosa entrevista que a princesa Diana deu em novembro daquele ano à BBC, com confissões que aceleraram seu divórcio do príncipe Charles.

Entre várias declarações polêmicas, ela assumiu que tinha bulimia e pontuou que os vômitos eram um alerta, um pedido de socorro emocional. Na mesma época, em Hong Kong, um médico chamado Sing Lee identificou uma rápida explosão de casos de distúrbios alimentares na cidade.

Não apenas o número de pacientes aumentou em seu consultório, mas elas tinham um jeito ocidentalizado de se expressar, usavam palavras e termos parecidos com os da entrevista de Diana. Surgiu, então, a pergunta: a confissão da Princesa de Gales estimulou novos casos de bulimia? Ou só deu visibilidade aos que já existiam?

Segundo o psicanalista e escritor Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da USP, a resposta pode ser um pouco dos dois. “Ao escutar essa entrevista, o sujeito diz: isso também está acontecendo comigo. Não é uma identificação com um traço específico da princesa, mas com a causa de seu sofrimento.”

Vinte anos depois, o movimento parece se repetir numa nova geração, com a internet no papel da TV, a automutilação no lugar dos transtornos alimentares. Estimuladas por perfis de jovens depressivas que se machucam e postam as fotos dos cortes nas redes sociais, adolescentes do mundo todo se trancam nos banheiros e repetem a cena: talham a própria pele na tentativa de aplacar uma dor sentimental.

“Para essas meninas, a automutilação funciona como um tipo de ‘automedicação’, uma forma de localizar a angústia difusa em uma parte do corpo sob a forma de dor”, afirma Dunker sobre o cutting, esse fenômeno acentuadamente feminino. “Há também um prazer estético que se obtém pelo olhar do sangue que escorre.”

Quando postam as imagens nas redes sociais, essas jovens recebem comentários carinhosos: conhecidos e desconhecidos escrevem mensagens de apoio para que encerrem a prática. Em geral, são escritas por meninas com as mesmas angústias. Assim um ciclo vicioso de dor e consolo se mantém.

A carioca Aline*, 14 anos, viu pela primeira vez uma dessas imagens em fevereiro de 2014, em um grupo de WhatsApp das amigas. Depois de um desentendimento com a própria Aline, uma das integrantes enviou uma foto do braço recém-perfurado, dizendo que havia se cortado por estar magoada.

“Nunca tinha visto aquilo. Fiquei com medo de ela se matar. À meia-noite, estava sozinha em casa e fiz igual”, lembra. Tinha tanto em comum com a amiga, que gostava de Justin Bieber e funk como ela, que sentiu um impulso incontrolável de imitá-la.

“Estava nervosa com a briga. ‘Se ela fez e a gente é igual, tenho que fazer também’, foi o que pensei. Senão ia ficar com aquilo na cabeça.” Passou, então, a buscar páginas de outras garotas com o hábito de se automutilar no YouTube, no Facebook e no Instagram e a acompanhar suas postagens, tentando entender por que faziam aquilo. “Elas diziam que era um jeito de desabafar.”

#garotastristes


Dois meses depois, quando o namorado terminou o relacionamento com ela, Aline não pensou duas vezes. “Me tranquei no quarto, peguei a lâmina que uso para fazer a sobrancelha e passei forte pela parte interna do braço. Aí virou um vício. Comecei a me cortar todos os dias e faço isso até hoje.”

Em julho deste ano, ela viu cicatrizes horizontais no braço de uma prima e perguntou se a menina também se mutilava. “Ela se abriu comigo e eu, com ela.” Cúmplices, as duas criaram uma conta no Instagram com um nome que remete a “pulsos” e “danos”. Nela, publicam imagens de seus braços e barrigas cortados, intercalando-se na autoria. “Acho que a dor vai sair e não sai”, diz uma das legendas escritas por Aline.

Para a psiquiatra Jackeline Giusti, especializada em automutilação e membro do grupo dedicado ao hábito do Instituto de Psiquiatria da USP, em São Paulo, a prática está longe de ser uma modinha adolescente. “Os cortes são sempre a expressão de um outro problema”, afirma. “Normalmente estão associados a depressão, compulsão alimentar ou TOC [transtorno obsessivo compulsivo].”

Como o nível de estresse mascara a dor, explica, cada corte é seguido de uma liberação de endorfina, o hormônio do prazer. É por isso que tantas meninas relatam sentir alívio com a lâmina. Uma vez que provam essa medida desesperada, caem no gatilho da compulsão.

Na noite do dia 27 de julho, a carioca Marcela*, 17 anos, adicionou uma imagem inédita ao seu Instagram. Até então, a página tinha selfies sorridentes exibindo batons coloridos e delineadores estilo gatinho, além de óculos de armação grossa e cabelo afro acima dos ombros.

Com corpo bem torneado e rosto delicado, Marcela diz receber elogios constantes à sua beleza. Mas, nessa madrugada, em vez da menina feliz e atraente de sempre, apenas um braço iluminado pelo flash do celular apareceu na foto. O pulso tinha sete cortes horizontais, o sangue ainda fresco contrastando com as unhas pontiagudas pintadas de nude. “Postei logo depois de cortar. Quis mostrar para todo mundo que não sou bonita por dentro.”

O motivo era a rejeição do namorado, com quem ficou por quase dois anos. A briga se estendeu por dias, sem que Marcela entendesse o porquê do término. Na escola, depois de conversar com o rapaz, ficou tão nervosa que começou a puxar os cabelos com força, até ficar com chumaços de cachos na mão. Dentro do banheiro, cravou as unhas nos antebraços e deixou neles marcas vermelhas de desespero. A coisa evoluiu para arranhões e, então, para os cortes.

epidemia :(

A automutilação apareceu pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Sociedade Americana de Psiquiatria em 2000 e ainda não é vista como um distúrbio isolado. “Esse comportamento é muito influenciado socialmente”, concluiu a psicóloga e pesquisadora canadense Nancy Heath em um estudo de 2009 feito com jovens, a maioria meninas universitárias, que se cortavam em seu país.

Antes do primeiro corte, conclui a pesquisa, quase 60% já conhecia e convivia com alguém que se machucava. A estimativa de adolescentes com esse perfil chega a 20% da população, segundo a Association of Young People’s Health, baseada no Reino Unido e que compila dados de EUA, Canadá e Europa.

Em geral, os pais demoram a tomar conhecimento do problema. “Você nunca acha que vai acontecer na sua família”, diz a pedagoga paulistana Carla*, que trabalha em escolas de São Paulo, cuja filha foi diagnosticada como borderline há dois anos, depois de um episódio grave de cutting.

Até então, ela tinha um quadro depressivo e havia sido uma adolescente com grande facilidade para se machucar acidentalmente, era o que a mãe pensava. Sozinha em casa, enquanto Carla trabalhava, a jovem fez dezenas de cortes nas duas pernas, do peito do pé à altura da coxa, usando uma faca de cozinha.“

Tivemos de levá-la ao hospital para fazer curativos e, no dia seguinte, ao posto de saúde para tomar uma vacina antitetânica. A psiquiatra me orientou a vigiá-la constantemente, até que a nova medicação agisse para controlar os impulsos. Tirei licença do trabalho, escondi todos os objetos cortantes e proibi que se trancasse no quarto. Passei 15 dias sem dormir. Até hoje, quando vejo uma faca solta sobre a pia da cozinha, meu coração gela.”

Em março deste ano, depois de um ano e meio estável, a filha de Carla teve uma recaída, no dia do aniversário da mãe. “Você se culpa, enfrenta os olhares dos outros e está sempre na linha de fogo. O maior medo de uma mãe é que o filho se machuque. Saber que ele faz isso nele mesmo é dolorido demais”, diz Carla, que visita os grupos de Facebook sobre automutilação e depressão.

“Os relatos me ajudam a entender a linha de raciocínio de quem se corta. Mesmo assim, nunca vi mediação de um profissional clínico nessas comunidades. É como se fosse um grande desabafo coletivo”, afirma. O ponto de encontro aberto e sem controle que a internet proporciona preocupa muitos adultos.

Em abril, o Instagram atualizou suas diretrizes para o uso do site, e avisou: “Qualquer conta que encoraje ou incite usuários [...] a se cortarem, se automutilarem ou cometerem suicídio será desabilitada sem aviso prévio”. O site deixa um espaço, no entanto, para perfis de “recuperação”, e eles são muitos.

“Nós encorajamos veementemente as pessoas que buscam ajuda para si mesmas. Essas diretrizes não se aplicam a contas criadas para discutir de maneira construtiva”, diz um posicionamento oficial enviado pelo site à Marie Claire. Na prática, palavras-chave como “automutilação” e “cutting” são suficientes para encontrar centenas de perfis cujo discurso é de autoajuda mas as imagens, explicitamente violentas.

~REDE SOCIAL~

Diferentemente da pornografia, que é identificada com facilidade pelos filtros automáticos do Instagram e do Facebook, o cutting é bem mais difícil de ser localizado. Segundo Jonathan Razen, diretor do Instituto Beta para a Internet e Democracia, as imagens dos ferimentos são publicadas em um volume muito menor que os conteúdos de nudez e sexo.

“Para serem tiradas do ar, elas teriam que ser classificadas na categoria ‘incitação ao suicídio’, o que viola as regras de uso”, explica. “Mas o problema é que a tecnologia que filtra essas fotos ainda não é eficiente ao ponto de encontrar um padrão representativo. Como seios e genitais, que são ‘entendidos’ pelos filtros como pornografia.”

Mesmo assim, as redes sociais não estão livres de serem obrigadas a retirar certas contas do ar. “Os sites podem ser notificados judicialmente por instituições de defesa da criança e do adolescente, como o Ministério Público, por exemplo”, afirma Razen.

Para o desembargador Siro Darlan, conhecido por seus 15 anos de atuação na Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, as empresas de internet têm uma responsabilidade social sobre o que é publicado nelas, mas a atenção nesses casos deve se voltar à família.“

Estamos falando de garotas que estão sofrendo. Se elas usam as redes para chamar atenção, a família deve buscar as causas. Se não o faz, e uma vez que o problema se tornou público pela internet, o Ministério Público pode averiguar se há negligência.” O jurista é contra a censura massiva de conteúdo.

“Imagens de violência podem, sim, ter um impacto sobre adolescentes que gostam de experimentar. Mas essas contas também são um pedido de ajuda. Você vai calar esse pedido? Precisamos acompanhar mais que proibir hoje no Brasil.”

“Não aconselho ninguém a fazer o primeiro corte”, diz Larissa*, uma bissexual de 16 anos que mora em Goianésia, em Goiás, e cuja página de Instagram, onde posta fotos de seus braços cheio de retalhos, tem mais de 3 mil seguidores. O nome da conta faz referência a alguém que sorri quando, na verdade, gostaria de chorar. Nas postagens, frases tristes como “O silêncio também grita” ou “Toc, toc. Quem é? A decepção. Entra, você já é de casa”, além de fotos da automutilação.“

Comecei a me cortar no dia 30 de agosto de 2013. Estava sozinha em casa e me sentia mal, pois sofria bullying no colégio [por causa de seu visual, Larissa era chamada de gótica, emo e vampira]. Além disso, meu pai, que é separado da minha mãe, nunca foi legal comigo. Ele não paga pensão e já ameaçou me bater e me tirar da minha mãe. Depois de uma briga dos meus pais, peguei uma faca e passei pelo braço. Fiz três cortes grandes”, conta.

O hábito se tornou frequente. Em uma foto chocante, Larissa mostra a parte interna do braço, do pulso à dobra, em que se pode contar 34 incisões. “Só o início de uma grande noite...”, diz a legenda.

Em uma mercearia da pequena cidade de 65 mil habitantes, ela compra as lâminas avulsas que usa para se machucar quando sente que está “explodindo”. Por não falar de seus sentimentos a quase ninguém e não rebater os insultos que ouve dos colegas, Larissa diz acumular muita raiva dentro de si. Até que, em alguns momentos, sente um impulso de se cortar para buscar algum alívio.

Os ferimentos são feitos por afiadas placas metálicas, dessas que eram usadas em antigos barbeadores. Elas compõem a estética de suas fotos e das de outras centenas de garotas pela internet. Em meados de agosto, a jovem recebeu pela quarta vez um recado que o Instagram envia depois de receber denúncias de conteúdo inapropriado.

“Um amigo seu está preocupado”, diz a mensagem. Ela se irritou com a intromissão. “O corpo é meu”, reclama, sem saber explicar por que publica as imagens toda vez que se machuca. Na primeira conversa que teve com a reportagem, contou que não se mutilava havia um mês e 23 dias. Essa conta exata é muito comum em meninas que tentam parar. Como os dependentes químicos em recuperação, chamam o tempo sem cortes de “dias limpos” e parabenizam umas às outras por eles.

Já o perfil das cariocas Aline e sua prima, que aparecem no início da matéria, permaneceu inalterado até o fechamento desta edição: “Dias limpos: 00”. Mas, na página delas, é possível ver outro lado dessa comunidade entristecida. Às fotos de braços sangrando, as seguidoras respondem com ofertas de ajuda: “Quer desabafar?”. Algumas convidam para falar direct, usando o serviço de mensagens privadas do Instagram, e outras chamam para um papo no WhatsApp.

Fornecer o próprio celular para conversas particulares, aliás, não é raro e muitas meninas incluem o número na descrição principal de seu perfil. “Garota triste. Quer ajuda? Chama no direct. On 24h”, diz um deles.

demi lovato <3

Alguns perfis que se autointitulam suicidas e depressivos e mostram essas imagens contam com mais de 5 mil seguidores. Um rosto que se repete nessas páginas é o da atriz e cantora teen Demi Lovato, diagnosticada como bipolar e fonte de inspiração para milhares de adolescentes.

Em 2010, no meio de uma grande turnê, a estrela norte-americana se internou em uma clínica de reabilitação para drogados e admitiu sofrer distúrbios alimentares e se cortar. A confissão fez de Demi um símbolo da fragilidade juvenil, uma prova do que as pressões sociais podem causar em mentes em formação. Nos pulsos, uma tatuagem que diz “Stay strong” resume o que Demi repete em entrevistas: as dificuldades não terminam de uma hora para outra.

“A internet tem dois lados”, acredita a psiquiatra Jackeline. “Pode incentivar a automutilação, mas também pode ajudar quem quer parar. Lá você vê muitas meninas lutando contra essas urgências.” Em seu consultório, a médica trata dezenas de adolescentes que sofrem com o problema. Indica psicoterapia e, em determinados casos, alguma droga que controle os impulsos.

Com tempo e acompanhamento, é possível amenizar a angústia que dá origem aos cortes. Um dos sintomas de quem está melhorando, explica Jackeline, é justamente perder a liberação de endorfina. “Aí, quando se corta, a pessoa volta a sentir dor.” Só que desta vez, a dor é física.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Veja 17 atitudes inconvenientes comuns nos grupos de WhatsApp


Ainda que o WhatsApp tenha se tornando uma ferramenta importante para unir famílias, amigos e até colegas de trabalho, o aplicativo muitas vezes é um grande inconveniente. Seja pelo excesso de mensagens, pelo recebimento de notificações em situações nada convencionais ou mesmo pelo consumo do plano de internet.

Problemas que poderiam ser evitados diante da mudança de comportamento dos usuários. Veja abaixo 17 atitudes inconvenientes comuns nos grupos de WhatsApp. 

Do UOL, em São Paulo | 24/09/2015

Imagem: LUIS PAREJO


1. Mensagens em horários inconvenientes

Não é nada agradável ser acordado pelo toque do WhatsApp, ainda mais quando se trata de uma mensagem sem qualquer importância. Evite mandar mensagens muito cedo ou muito tarde ao menos que seja algo importante.

2. Assuntos pessoais

Como é chato ser espectador de discussões familiares, amorosas ou cobranças. Portanto, se o assunto não interessar ao menos um terço do grupo, opte por conversas individuais

3. Charadas

Ainda que seja uma forma de engajar e entreter as pessoas que participam do grupo, as charadas têm grande potencial de incômodo pelo aumento no número de notificações que provoca.

4. Correntes

As correntes seguem vivas no WhatsApp com conspirações, conteúdos religiosos e promessas para a realização de desejos--caso (é claro) você encaminhe essas mensagens aos seus amigos. Mas será que realmente funcionam?

5. Áudios em excesso

As mensagens de voz se tornaram um grande atalho para as conversas, mas sempre há aquele usuário que usa e abusa do recurso. Não seria nada conveniente apertar o play e ser surpreendido por um áudio constrangedor em meio a uma multidão de pessoas, não é mesmo? Além disso, haja paciência e memória para a todo momento carregar o arquivo e encostar o aparelho no ouvido para escutá-lo.

6. Frases picadas

Como enviar mensagens é gratuito, alguns usuários do WhatsApp não economizam nas interações e, ao invés de formular uma frase, enviam palavra por palavra. Pode parecer um detalhe bobo, mas a cada mensagem, o remetente recebe uma notificação, o que incomoda bastante.

7. Excesso de emojis

O problema aqui não está nos emojis, que por sinal são bem legais e divertidos. Mas há algumas pessoas que acabam pendendo a mão e usando o recurso exageradamente. Às vezes, é até difícil identificar o que querem dizer.

8. CAPS LOCK

NÃO É MUITO AGRADÁVEL LER TEXTOS EM LETRA MAIÚSCULA. Evite usar o Caps Lock, ao menos que realmente queira enfatizar algo ou gritar com alguém.

9. Cobrança de respostas

Ainda que o WhatsApp dedure as pessoas que leram a sua mensagem, não é muito agradável ser cobrado por uma resposta. Nem sempre a pessoa que está online está disponível para te atender.

10. "Bom dia" e "boa noite"

A chateação do "bom dia" e "boa noite" assombram diariamente os grupos do WhatsApp. Um sinal de educação? Até pode ser. Mas receber notificações a cada uma dessas menções não é nada agradável.
Foto: Reprodução

11. Boletim de tempo

Sempre há um aprendiz de meteorologista nos grupos do WhatApp. Será que realmente esse tipo de informação é relevante para ser compartilhada?

12. Excessos de vídeos

Haja plano de internet móvel para ver todos os vídeos enviados pelas pessoas que enviam esse tipo de conteúdo o dia todo.

13. Efeito narcisista

A moda das selfies invadiram os grupos do WhatsApp e se tornou uma grande vilã para o pacote de dados dos usuários.

14. Diário de bordo

Será que é realmente necessário compartilhar cada minuto do seu dia nos grupos em que participa? O bom senso é muito bem-vindo sempre.

15. Discussões polêmicas

Ainda que os grupos do WhatsApp seja um espaço aberto para se discutir qualquer tema, debates políticos, religiosos ou futebolísticos nunca acabam muito bem. Pelo bem estar de todos, o ideal é evitar entrar nesse tipo de discussão e aprender a respeitar a opinião do outro.

16. Mensagens motivacionais


Independente do seu estado de humor, há sempre aquele seu contato que manda mensagens motivacionais. As intenções podem ser boas, mas, dependendo do seu ânimo, pode ser o estopim para um bloqueio temporário no WhatsApp. Sem contar que essas mensagens geralmente são transmitidas por meio de fotos --que comprometem ainda mais o seu plano de Internet.

17. Convites inesperados

Adicionar um amigo em um grupo sem avisá-lo pode não ser uma boa ideia. Você pode deixá-lo em uma posição constrangedora. Afinal, quem garante que ele realmente quer participar desse bate-papo?


Fonte: http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/09/24/veja-17-atitudes-inconvenientes-comuns-nos-grupos-de-whatsapp.htm

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Cyberbullying preocupa 78% dos pais, segundo aponta pesquisa

Pais têm papel fundamental para evitar este tipo de violência


De acordo com a pesquisa da associação Chicos.net com apoio da Disney, entre os aspectos que mais preocupam os pais brasileiros no ambiente virtual estão a possibilidade de seus filhos serem abordados por um adulto (82%) e de sofrerem cyberbullyingbullying por meio de alguma tecnologia, ou seja, uma violência sistemática realizada por meio da internet — (78%). Carolina Lisboa explica que cyberbullying pode ter o agravante do anonimato e do grande alcance, podendo tornar a criança completamente refém da exposição.

Os pais têm papel fundamental no monitoramento do uso das redes sociais para evitar a incidência de cyberbullying e, como vítimas dificilmente relatam as humilhações a um adulto, deve-se ficar atentos aos sinais. Se a criança está mais deprimida, triste, tem dificuldade de comer, de dormir ou passou a ir mal na escola, deve-se ficar alerta.

Outra opção é buscar o apoio da escola, já que boa parte dos casos começam no colégio. A psicóloga ainda defende que os pais fiquem atentos à possibilidade de os filhos cometerem cyberbullying — estes costumam ficar mais agressivos e ansiosos. Um risco, nesse caso, é incorporar esse tipo de atitude para a vida, uma vez que na infância e na adolescência as pessoas.

06/03/2015 - 06h05min

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2015/03/cyberbullying-preocupa-78-dos-pais-segundo-aponta-pesquisa-4712703.html

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Escolas desconhecem lei que determina ensino de educação digital

Pesquisa feita com 400 escolas paulistas mostra que a educação digital está fora do currículo dos alunos do ensino médio e fundamental, que as instituições de ensino não sabem o que é Marco Civil da Internet e que estão desinformadas sobre a obrigatoriedade da inclusão da educação digital no sistema educacional brasileiro.

Foto: SEMEC


Por Claudia Rolli
De São Paulo
05/05/2015

Os dados constam da primeira edição da pesquisa "Educação Digital nas Escolas Brasileiras" feita pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) e será apresentada nesta terça-feira (5) em um congresso realizado pelo Conselho de Tecnologia da Informação da entidade.

Por meio de questionários, foram entrevistados 400 donos e diretores de escolas públicas e privadas, de ensinos fundamental e médio do Estado, para avaliar o nível do preparo dos dirigentes das escolas em relação ao uso de mídias sociais pelos alunos, os níveis de alerta e de conhecimento sobre cyberbullying e se existem escolas que já incorporaram em sua grade curricular a disciplina educação digital.

"Um dos fatos que nos surpreendeu foi saber que 82% das escolas públicas permitem que professores sejam amigos virtuais e mantenham contato com seus alunos em redes sociais e grupos de WhatsApp. O professor mantém maior contato. Já nas escolas privadas são 76,75%", diz o advogado Renato Opice Blum, presidente do conselho de TI da federação.

Mas também chama a atenção, ressalta, que entre as que afirmaram permitir o contato somente 36,59% das escolas públicas informaram estipular regras claras sobre essa relação virtual. Nas instituições privadas, sete em cada dez (72,64%) disseram possuir regras de conduta.

A pesquisa destaca ainda que metade dos dirigentes das escolas públicas informaram estar preparados para resolver os conflitos dos alunos ocorridos no ambiente virtual. Entre as escolas particulares, esse percentual é de 77,25%.

Quando o assunto é ter planejamento de procedimentos a serem adotados se ocorrerem conflitos ou incidentes digitais envolvendo seus alunos, como cyberbullying e sexting (o ato de compartilhar mensagens de conteúdo sexual usando das tecnologias digitais com uma ou mais pessoas) 64,2% das escolas, na média, se dizem preparadas. Entre as públicas, esse percentual é de 55% e nas privadas, 66,5%.

"No caso de cyberbullying o que vemos, de forma geral, é que há um atraso da escola em tomar conhecimento. E, ainda que tome ciência de forma atrasada, não há um comitê multidisciplinar formado, com pedagogos, advogados e psicólogos, para avaliar medidas e buscar alternativas com agilidade", diz Blum.

Em março deste ano,alunos do colégio Bandeirantes vazaram informações em redes sociais conteúdo de reuniões sigilosas de professores da escola. Nelas havia informações pessoais sobre alunos e ex-alunos. O episódio virou polêmica sobre a forma como dirigentes lideram com o tema.

RESPONSABILIDADE

No geral, a maior parte dos dirigentes (68%) considera que a responsabilidade pelo que os alunos fazem na internet e em seus próprios dispositivos móveis dentro da escola é de pais, escolas e professores: 12,2% creditam a responsabilidade à escola; 9,6% aos pais; 8,4% aos professores; 1% não permite o uso na escola; e 0,8% não sabe ou não respondeu.

Sobre a relevância do tema "educação e cidadania digital" –preparar o aluno para a era digital ensinando direitos e deveres, uso adequado das tecnologias e de segurança da informação e privacidade, 99,4% dos entrevistados admitem sua importância.

Entretanto, a maioria das escolas (95,6%) públicas e privadas do Estado de São Paulo afirma não possuir a disciplina Educação Digital em suas grades curriculares. Somente 4,75% das escolas privadas adotaram a disciplina, como determina o artigo 26 do Marco Civil da Internet - a lei 12.965, criada em abril de 2014, que regula o uso da Internet no país. Nas escolas públicas, esse percentual cai para 1%.

Entre as escolas públicas, oito em cada dez (83%) não sabem o que é o Marco Civil da Internet e 54,12% não estão cientes da obrigatoriedade da lei que inclui o tema nas escolas. Outras 65,9% das instituições afirmaram que não há a intenção de incluir a nova disciplina na grade curricular.

"Curioso é que elas admitem a importância de discutir conceitos básicos de segurança, ética e responsabilidade no uso da internet com os alunos, antes de introduzir noções de informática, mas não pretendem instituir a disciplina", afirma o presidente do conselho de TI da entidade.

"O envolvimento e a inserção de crianças, adolescentes e adultos no ambiente digital é uma realidade. Seja por meio de videogames, objetos, Internet ou celulares. É extremamente necessário que profissionais, pais e educadores estejam aptos a lidar com esse cenário", completa.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/05/1624829-escolas-desconhecem-lei-que-determina-ensino-de-educacao-digital.shtml