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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Dia Mundial da Prevenção e Combate ao Suicídio



Embora pouco se fale a respeito, o suicídio é mais comum do que se imagina em todo o mundo. No Brasil, já se tornou um problema de saúde pública com o registro de aproximadamente 9 mil suicídios por ano ou uma morte a cada hora.

No Dia Mundial de Combate ao Suicídio, 10 de setembro, vale frisar que os números têm aumentando principalmente entre a população jovem. O suicídio é a terceira causa morte entre homens com idade de 15 a 29 anos e os distúrbios mentais estão associados a praticamente 100% de todos os suicídios registrados no país, contudo, embora o transtorno psiquiátrico seja condição necessária não é suficiente para o comportamento suicida.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) está atenta a este problema de saúde pública e acredita que poderia ser atenuado, se os profissionais que atuam na saúde mental fossem mais bem capacitados e se os serviços de emergência, funcionassem de maneira adequada.

Na área de prevenção é necessário desenvolver estratégias de promoção de qualidade de vida, de educação e de proteção e de recuperação da saúde. Na área de informação são necessárias ações de comunicação e de sensibilização da sociedade de que o suicídio pode ser prevenido.

É fundamental que se organize uma linha de cuidados integrais (promoção, prevenção, tratamento e recuperação) em todos os níveis de atenção para garantir o acesso às diferentes modalidades terapêuticas. Para qualificar o atendimento, o governo federal, em especial o Ministério da Saúde, precisa urgentemente de ações de implantação de processos de organização da rede de atenção e intervenções nos casos de tentativas de suicídio.

Faz-se necessário o desenvolvimento de métodos de coleta e analise de dados, permitindo a qualificação da gestão, a disseminação das informações e do conhecimento. Ainda, existe no Brasil emergências psiquiátricas separadas da emergência geral, o que vai na contramão da tendência mundial que é ter a psicologia e a psiquiatria como especialidades de suporte ao paciente em situação crítica.

O que o cyberbullying tem a ver com isso?

A Internet tem um papel ambivalente quando o assunto é suicídio. Por um lado, ela pode ser a origem dos problemas dos jovens que tiram a própria vida. Um caso bastante comentado no Brasil foi o de Júlia Rebeca, que em 2013 anunciou sua própria morte pelo Twitter depois que um vídeo íntimo seu com outra jovem e um homem foi divulgado no WhatsApp. Rebeca, que morava em Parnaíba, no Piauí, foi encontrada morta enrolada no fio do aparelho de fazer chapinha. Na mesma semana, uma adolescente de 16 anos se suicidou em Veranópolis, no Rio Grande do Sul, depois que um ex-namorado vazou suas fotos íntimas na internet. “Essa exposição provoca uma dor muito grande e, se os jovens não conseguem falar sobre isso com a família ou amigos porque vão sofrer rejeição, eles correm maior risco de entrar em depressão e cometer suicídio”, diz o psiquiatra Humberto Correa.

O bullying on-line já levou dezenas de jovens ao suicídio e fóruns virtuais oferecem até passo a passo para se matar. Um dos primeiros casos brasileiros de suicídio assistido foi do gaúcho Vinícius Gageiro Marques, que se matou em 2006. Marques foi orientado a usar o método barbecue, ou suicídio por inalação de monóxido de carbono. Ele consiste em manter duas grelhas queimando num local fechado e pequeno, como um banheiro. Marques pediu ajuda num grupo de discussão em inglês para saber como suportar o calor até desmaiar, e um bombeiro aposentado de Chicago lhe deu instruções. Foi uma amiga virtual do Canadá que percebeu o que estava acontecendo, ligou à polícia local e pediu que avisassem as autoridades gaúchas. Era tarde demais.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Precisamos falar sobre cyberbullying

Casos de ofensas pela web têm aumentado com o uso frequente de dispositivos eletrônicos pelos estudantes. As marcas do assédio podem acompanhar tanto o agressor quanto a vítima até a vida adulta


Postado em 01/06/2015 10:09 / atualizado em 01/06/2015 10:10
Por Manoela Alcântara , Thiago Soares


Na rotina dos estudantes do Distrito Federal existem alguns itens básicos antes de ir à escola: uniforme, sapato, mochila e celular. O último objeto, na verdade, é companheiro inseparável dos adolescentes. Basta olhar para a porta de um colégio no horário de entrada ou de saída para perceber que a maioria dos alunos estará com a cabeça baixa digitando uma mensagem no WhatsApp ou postando fotos em redes sociais. Os instrumentos são de interação, mas agravaram um problema que já preocupava toda a sociedade: o bullying.

Antes restrito a insultos verbais na sala de aula ou na hora do intervalo, a prática ganhou as redes de uma forma severa com o cyberbullying. Fotos, montagens e insultos são disseminados na web em questão de segundos. “Elas me 'batem' nas redes sociais e, depois, fico com medo de ir para a aula. Já fiquei duas semanas sem entrar na sala”, lamenta Amanda*, 16 anos, estudante do 2º ano do ensino médio (leia Depoimento).

As vítimas do cyberbullying muitas vezes são colocadas em situações irreversíveis. São obrigadas a mudar de colégio, se sentem acuadas e, segundo especialistas, podem ter sequelas na vida adulta. Alguns casos chegam à polícia, quando se descobre que os autores, anônimos naquela rede, são, muitas vezes, um colega de sala ou um vizinho, normalmente alguém da mesma idade. Há dois anos, a estudante do 1º ano do ensino médio Letícia*, 15 anos, sofreu as primeiras ofensas em uma rede social. Aos poucos, os comentários ofensivos se tornaram frequentes. “Todo dia alguém ia ao meu Facebook para falar algo da minha aparência. Diziam que meu nariz era muito grande, meus cabelos, feios, e outras coisas”, conta.

Sem saber como reagir aos insultos, Letícia passou a praticar o cutting — uma automutilação comum entre jovens e adolescentes que sofrem pressão psicológica. Ela começou a passar lâminas em partes dos braços. Fazia isso sempre depois de receber algum insulto na web. “Me sentia muito triste. Não queria sair de casa, por vergonha do que as pessoas poderiam falar comigo pessoalmente. Meus pais só souberam o que eu estava vivendo algum tempo depois”, afirma.

Pesquisa feita pela Kaspersky Lab com psicólogos especializados em meios de comunicação da Universidade de Wuerzburg, na Alemanha, chegou à conclusão de que um em cada cinco adolescentes entre 12 e 15 anos sofreu cyberbullying. Em 2013, a pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Lis Bastos Silvestre mostrou que 40% dos estudantes entrevistados em aulas de educação física em uma escola pública do DF tinham sofrido o cyberbullying e 95% dos estudantes entrevistados disseram já ter visto situações de violência no contexto midiático.

A tese de doutorado da professora Raquel Gomes Pinto Manzini, do Departamento de Psicologia Escolar do Instituto de Psicologia da UnB, também abordou o cyberbullying. “O cyberbullying tem se tornado cada vez mais comum, pois as pessoas se aproveitam do anominato para humilhar o outro”, diz. Segundo a especialista, o objetivo é o mesmo do bullying presencial, mas com disseminação mais rápida. “Dependendo da situação, a ofensa ainda pode ser revertida em agressão física fora da internet”, completa. 

As consequências podem chegar à vida adulta. Se não houver intervenção precoce, os adolescentes autores do cyberbullying podem se tornar adultos com o hábito de humilhar os outros e as vítimas têm chances de desenvolver depressão.

Punição

A Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) analisa somente os casos em que os adolescentes são os autores das ofensas, o que não exclui a possibilidade de punição. Em 2013, um projeto de lei tentava tipificar o crime de bullying virtual. A intenção era alterar o Código Penal e prever detenção de três meses a um ano e multa até para os casos mais simples, mas o PL nº 21 foi arquivado em abril deste ano. Mesmo assim, de acordo com a delegada-chefe da DCA I, Alessandra Lacerda Figueiredo, os autores das mensagens difamatórias podem responder por injúria, ameaça e exposição de imagem de forma inadequada que fira a dignidade da pessoa.

Embora não existam estatísticas sobre esse tipo de ocorrência na DCA, a delegada afirma que não são raros os casos de cyberbullying. Muitas das vítimas são meninas de 13 e 14 anos que tiveram fotos nuas ou seminuas divulgadas na rede. Segundo ela, existe uma investigação direcionada a esse tipo de ocorrência. “Os casos começaram a crescer na mesma medida em que as redes sociais caíram no gosto dos adolescentes. O boom do WhatsApp é quase concomitante com as ocorrências. Na maioria delas, existe um contexto de escola, de alguém que conhece a vítima”, complementa Alessandra. Para ela, a prevenção é uma das maiores aliadas para a sociedade (leia Para saber mais).

*Os nomes são fictícios e foram preservados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)

Depoimento
“Começou dentro da sala de aula, com um grupo de meninas que não deixa eu me entrosar com o restante da turma. Pensei que a implicância seria somente na escola, mas foi parar na internet. Uma pessoa me chamou de animal e, depois, começou uma série de ofensas. Não sei o motivo disso, nunca fiz nada para essas meninas. Avisei a diretoria sobre essa situação. Me pediram provas, mas não fizeram nada. Parece que não levaram em questão meus sentimentos. Eu me sinto mal por isso. Elas me ‘batem’ nas redes sociais, e depois eu fico com medo de ir para aula. Já fiquei duas semanas sem entrar na sala.”
Amanda*, estudante do ensino médio

Para saber mais
Confira algumas dicas para evitar o assédio na internet
» Evite adicionar pessoas fora do círculo de convívio nas redes sociais
» Reduza o número de “amigos” que podem ter acesso à rotina diária e às fotos pessoais 
» Não adicione nas redes sociais pessoas que não conhece
» Não compartilhe fotos íntimas via redes sociais ou telefone
» Caso seja vítima, junte provas como prints de telas, gravações, entre outras
» Faça a denúncia na Delegacia de Polícia mais próxima 

Hierarquia desrespeitada

As agressões que antes eram praticadas entre os colegas de classe, hoje, atingem também docentes. Qualquer ato mal interpretado pode virar motivo para o massacre virtual. O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) confirma o aumento das difamações pela rede. “O dano do bullying na internet é mais potencial e agressivo que aquele dentro dos muros da escola. Há um julgamento sumário e uma condenação imediata quando se é exposto na web, e isso traz consequências graves no rendimento e até mesmo na saúde das pessoas”, explica o diretor da entidade Washington Dourado.

Para ele, a falta de regulamentação propicia os casos. “É um espaço com uma liberdade que pode ser usada para o bem e para o mal. É necessário que se tenha controle e se coíbam os excessos para que essa não se torne uma prática ainda mais recorrente”, afirma.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe/DF), Álvaro Domingues, acredita que os casos acompanham o crescimento tecnológico. Ele também relata situações de professores e funcionários que foram alvo dos alunos nas redes sociais. “Muitas vezes, os conflitos dos alunos terminam no Judiciário. Se um grupo não gosta de um professor, também tenta desqualificá-lo nas redes sociais”, lamenta. A ação do sindicato é com treinamento e prevenção. “É preciso que as pessoas aprendam a conviver com todos os pilares da sociedade. Promovermos cursos, falamos sobre uma etiqueta da escola e sobre como agir para prevenir esses casos.”

A Secretaria de Educação do DF elaborou um plano de convivência para que cada escola crie ambientes de mediação de conflitos. Os profissionais são capacitados por meio da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Eape).

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_educacaobasica/2015/06/01/ensino_educacaobasica_interna,485180/precisamos-falar-sobre-cyberbullying.shtml

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Mensagens enviadas via WhatsApp provocam confusões entre paulistanos



Conversas no aplicativo para celular do momento têm causado estragos no trabalho, na escola e nos relacionamentos

Por: Bárbara Öberg, Carolina Giovanelli e Silas Colombo | Data: 19/06/2015 às 23:00

Lorena, de 12 anos, e sua mãe Camila Reis: ofensas racistas via mensagem no aplicativo(Foto: Mário Rodrigues)


“Vai na farmácia e toma uma pílula do dia seguinte.” Essa foi uma das mensagens trocadas por A.L. com a moça C.M., com quem tivera dias antes um encontro fugaz que resultou em gravidez. Alguns trechos da conversa nesse estilo curto e grosso que rolou em fevereiro de 2014 por meio do aplicativo WhatsApp foram aceitos pelo juiz André Salomon Tudisco, da 5ª Vara da Família de São Paulo, como indício de paternidade em um processo para comprovar a responsabilidade do rapaz em relação ao bebê. Durante o período de gestação, ele precisou desembolsar 1 000 reais mensais para a cobertura de despesas da mãe (ela deu à luz em 17 de outubro e deve realizar em breve o teste para confirmar se A.L. é mesmo o pai da criança). 

Histórias como essa relacionadas a todo tipo de confusão envolvendo um dos mais populares programas de troca de mensagens por celular estão ficando cada vez mais comuns na cidade. A ferramenta que domina os aparelhos dos paulistanos facilita a vida de muita gente, mas anda causando também conflitos entre seus muitos usuários — no Brasil, contabilizam-se pelo menos 38 milhões de adeptos. A culpa não é da tecnologia, obviamente, mas da forma como vem sendo utilizada.

Nunca nos comunicamos tanto e, em meio a um descontrole de mensagens na rede, encontram-se desde assuntos relevantes até as mais dispensáveis abobrinhas. Ficam ali registrados casos cujas provas muita gente gostaria de apagar para evitar constrangimentos, como puladas de cerca nas relações amorosas, ofensas racistas, fotos pornográficas e recados inconvenientes, entre outras encrencas.

Especialista em direito digital, o escritório do advogado Renato Opice Blum, nos Jardins, atendeu a cerca de trinta casos que envolviam o aplicativo nos últimos dois anos. Dizem respeito, na maioria das vezes, a vazamento de imagens íntimas e informações corporativas sigilosas. “Os usuários sentem uma falsa segurança de que suas mensagens ficam restritas àquele espaço”, diz. Nos processos, os registros do bate-papo podem servir como provas. Mas ainda é difícil chegar a punições à altura dos delitos. Como se trata de um crime de ação privada, ou seja, o interesse na apuração e na condenação é da própria vítima, apenas um boletim de ocorrência não basta. O lesado deve contratar um advogado. Só assim o delegado começa a investigação.

Além disso, o crime contra a honra costuma ser convertido em penas leves, como realização de serviço comunitário. “As pessoas compartilham uma foto como brincadeira, mas não têm noção do alcance daquilo, de como podem causar grandes estragos e destruir reputações”, afirma José Mariano de Araujo Filho, delegado da divisão de tecnologia da informação e supervisor do laboratório de crimes eletrônicos da Polícia Civil.

Cintia Junqueira, Eliane Lima, Alcione Herzog e Flávia Vallejo: mães mantêm um grupo no WhatsApp para discutir questões relacionadas aos filhos (Foto: Mário Rodrigues)

De acordo com uma pesquisa da empresa de proteção a smartphones Pitzi, o WhatsApp é o principal meio de comunicação de 75% dos casais do país. Em meio a tantas conversas apaixonadas, o aplicativo se tornou via comum ainda para facilitar traições conjugais. Em uma piada que circula na internet, a namorada solicita ao parceiro que lute com um leão para provar seu amor. “Impossível, peça outra coisa”, responde o rapaz. “Quero, então, ver seu WhatsApp”, insiste a moça, que prontamente ouve a resposta: “Qual é o tamanho desse leão?”.

A anedota faz sentido para muita gente. Há dois meses, por exemplo, o fotógrafo L.C. foi dormir e deixou o aparelho de telefone na mão do filho para ele brincar. Um aviso do joguinho apareceu na tela e a criança recorreu à mãe para descobrir o significado. Ela aproveitou para dar uma olhada nas mensagens do marido e encontrou flertes e recados do naipe de “adorei te ver ontem” e “pena que sou casado”. Acabou aí a união de quase uma década. “Aprendi minha lição, estou arrependido”, garante L.C. “Se voltarmos a ficar juntos, sempre a deixarei ver meu celular.”

Há histórias com final bem mais dramático. Em dezembro, em Mogi das Cruzes, no interior do estado, um rapaz matou a companheira com golpes de facão após ler recados que revelavam uma infidelidade. No âmbito do trabalho, as tradicionais fofocas sobre chefes ou vazamentos de informações privadas da empresa, se descobertos, também podem acabar mal. No mês passado, um atendente da rede de telecomunicações NET assediou por meio de mensagens a jornalista Ana Prado, com quem tinha acabado de falar ao telefone para oferecer um pacote. No fim da conversa, após reclamações da moça, ele a desafiou: “Caso queira me processar (...), fique à vontade. Terei o prazer de ganhar a causa”. Depois de as cópias digitais do bate- papo terem sido divulgadas na internet, foi demitido.

Stephanie Serrano e sua mãe Adriana: fotos íntimas compartilhadas no aplicativo (Foto: Fernando Moraes)

Criado em 2009, o WhatsApp, por ser gratuito, foi aos poucos substituindo os torpedos pagos. Comprado em fevereiro do ano passado pelo gigante Facebook por 16 bilhões de dólares, não para de crescer por aqui. Um levantamento da companhia Nielsen Ibope mostra que é o aplicativo mais utilizado no estado, com cerca de 14 milhões de adeptos. Atinge 81% dos paulistas com smartphone conectado. Além disso, 45% dos internautas móveis de São Paulo que assistem a vídeos pelo celular usam o programa para isso. Desde que habilitou a função de fazer ligações sem custo, a ferramenta provocou ainda mais mudanças no setor.

De acordo com uma análise da empresa de inteligência em telecomunicações Teleco, o tempo das chamadas de voz tradicionais, realizadas pelas operadoras móveis do país, caiu com a chegada desse recurso — passou da média mensal de 132 minutos, no último trimestre do ano passado, para 111 minutos, no primeiro trimestre deste ano. Já houve quem tentasse frear o desenvolvimento da rede. Em fevereiro, um juiz do Piauí determinou a suspensão temporária da ferramenta no Brasil, pois a empresa se recusou a dar informações para uma investigação relacionada a um caso de pedofilia. A decisão, porém, foi depois barrada por um desembargador.

Muito além de conflitos e confusões, o programa traz diversos benefícios aos usuários e ajuda a incrementar os negócios. A pizzaria Ártico, em Diadema, por exemplo, recebe pedidos de delivery pelo WhatsApp. Dez funcionários da loja de roupas femininas Adithiva, com três unidades na Grande São Paulo, divulgam as novas peças da marca pelo celular.

A estudante Thaís Santos: foi assediada pelo porteiro via WhatsApp (Foto: Fernando Moraes)

O advogado Sergio Angelotto Junior, com escritório no bairro da República, começou a usar a ferramenta no início do ano e aumentou em torno de 30% o número de clientes. Faz cerca de 150 consultas por mês no aplicativo. Para dar uma força nos estudos, a professora Rosana Giannoni, da Universidade Anhembi Morumbi, utiliza o programa para auxiliar trabalhos de conclusão de curso. Motivos para entrar na onda do WhatsApp há de sobra. Em assuntos mais delicados, no entanto, é fundamental pensar duas (ou três ou quatro) vezes antes de apertar a tecla enviar.


MÃES EM AÇÃO

Em Santos, no Litoral Sul, dezesseis mães mantêm um grupo no WhatsApp há mais de um ano para discutir questões relacionadas aos filhos, que são colegas de classe. No início do mês, elas notaram, alertadas por uma das integrantes, que os garotos, na faixa dos 13 anos, utilizavam o aplicativo de forma imprópria. “Foi um choque”, afirma a arquiteta Carla Felippi. “Agiam sem nenhum respeito pelos colegas.” Além de fotos pornográficas e comentários preconceituosos e machistas, elas descobriram que os jovens vinham se comunicando com um ex-funcionário da escola. Ele os abordava pela internet com mensagens sexuais. “Os meninos estavam levando tudo na brincadeira, sem perceber o perigo da situação”, diz a veterinária Flávia Vallejo. As mulheres fazem agora encontros semanais com os pré-adolescentes para orientá-los sobre o uso do programa e outras questões.


RACISMO NA ESCOLA

Lorena, de 12 anos, vai ao colégio sorrindo com seu cabelo black power. Não era assim até o mês passado, quando foi vítima de racismo por parte de colegas na escola estadual onde estuda, em São Bernardo do Campo, no ABC. Sua mãe, Camila dos Santos Reis, diz que a menina sofreu agressões por mensagens de voz em grupos no WhatsApp. Lolô, como é conhecida, chorou após ler ofensas do tipo “sua preta” e “cabelo de macarrão”. Na época, usava os fios trançados. Chegou a trocar de turma. A instituição tomou maiores providências depois da intervenção do Conselho Tutelar, do Departamento de Políticas Afirmativas de São Bernardo e da Secretaria de Educação. Os pais dos agressores foram chamados e medidas socioeducativas aplicadas. A garota ficou quinze dias sem conseguir frequentar as aulas. Nesse período, começou a ter acompanhamento psicológico e fez contato com coletivos de orgulho negro para que entendesse melhor suas origens. Ela continua na mesma escola, e, de acordo com Camila, o bullying continua. Hoje, a mãe ainda permite o uso do aplicativo, mas fiscaliza as mensagens. “A culpa não é dela”, diz. “Não seria justo privá-la disso e não ensiná-la a lidar de forma saudável com a rede.”


CANTADA DE PORTEIRO

Há dois meses, por volta das 2 horas da manhã, a estudante Thaís Regina Santos, de 18 anos, recebeu uma mensagem no WhatsApp de um homem desconhecido. Dizia: “Boa noite, princesa”. Os elogios continuaram. “Sou o cara que te admira quando passa na portaria.” Pensando ser um malentendido, a menina perguntou com quem estava falando. O rapaz, então, trocou a foto do perfil. A imagem mostrava um homem alto e forte, vestindo um uniforme, com o hall do prédio dela, no Belenzinho, como cenário. Tratava-se de um dos porteiros. “Foi desesperador”, lembra ela. “Corri para trancar as portas e me certificar de que minha irmã e minha mãe estavam bem.” Passou a noite em claro. No dia seguinte, o funcionário voltou a entrar em contato com a moradora, sem resposta: “Não gostou que eu tenho o seu número? Você está brava?”. Sentindo-se prisioneira na própria casa e inconformada com a situação, Thaís escreveu um e-mail sobre o ocorrido, com uma cópia digital da conversa em anexo, e o enviou para todos os moradores. Em pouco tempo, outros casos parecidos no condomínio apareceram e o profissional acabou sendo afastado do cargo. “Até hoje é aterrorizante pensar que ele sabe onde moro, meu número de telefone, quando chego da faculdade...”, lamenta Thaís.


FOTOS ÍNTIMAS NA REDE


Em maio de 2014, a estudante de engenharia civil Stephanie Serrano, de 22 anos, foi surpreendida ao descobrir que fotos de seu perfil no Facebook estavam sendo compartilhadas em grupos de WhatsApp de alunos da universidade que frequenta, no centro. Suas imagens foram enviadas (não se sabe por quem) junto com retratos íntimos de uma garota parecida com ela. “Quando me contaram, não dei muita bola, achei que iam saber que não era eu”, diz. Mas, no dia seguinte, o caso tinha tomado grandes proporções. Professores e amigos de outras cidades chegaram a receber os cliques. Rapazes ligavam perguntando se ela queria fazer “programa”. Durante uma entrevista de emprego, Stephanie foi questionada sobre a situação. “Ela ficou deprimida, terminou o namoro, não saía mais de casa e faltava em provas”, diz a mãe, a advogada Adriana Serrano. A família cogitou tirá-la do país. “Viramos reféns da situação”, afirma Stephanie. A mãe entrou com uma ação na Justiça a fim de conseguir a quebra de sigilo das informações do WhatsApp e, assim, encontrar o culpado do transtorno. O processo ainda não foi concluído.


SEM PAGAR MICO


Dicas de etiqueta para não enfrentar saias-justas no celular

1 - Nos grupos, aposte em conteúdos relevantes. Ninguém aguenta correntes, fotos em excesso e dez respostas a um “bom-dia” todas as manhãs.

2 - Para evitar desentendimentos, avise antes de sair de um grupo e diga que estará disponível para conversas privadas. Também é possível optar por silenciar as mensagens.

3 - Fique de olho no relógio ao contatar pessoas de fora de seu círculo de amizades. Atenha-se ao horário comercial.

4 - Tenha cuidado ao ouvir recados de voz em público. Você não sabe o que vem por aí.

5 - Não espere respostas imediatas, mesmo após saber que a mensagem foi lida. Cobrar um retorno também pega mal.

6 - Pense muito bem antes de enviar qualquer conteúdo particular. Ele pode ser compartilhado rapidamente, sem que você saiba.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Pesquisa da Intel revela dados sobre cyberbullying no Brasil

Por Redação em | 28.07.2015 às 14h49


O bullying é uma prática que, infelizmente, acontece com bastante frequência nas escolas. E as agressões, tanto físicas quanto verbais, são bastante preocupantes. Atualmente, essa manifestação de ódio está se tornando a cada vez mais comum devido ao constante uso da Internet. Com base nisso, a Intel Security desenvolveu uma pesquisa que mostra como crianças e adolescentes lidam com esse problema.

O estudo foi realizado no Brasil com 507 crianças e adolescentes de idades entre 8 e 16 anos, e mostra que a maioria (66%) já presenciou casos de agressões nas mídias sociais. Cerca de 21% afirmaram que já sofreram cyberbullying e grande parte das vítimas tem entre 13 e 16 anos.

Entre as atividades realizadas em redes sociais por 24% dos entrevistados da pesquisa, que são consideradas cyberbullying, 14% das crianças admitiram falar mal de uma pessoa para outra, 13% afirmaram tirar sarro da aparência de alguém, 7% marcaram pessoas em fotos vexatórias, 3% ameaçaram alguém, 3% assumiram zombar da sexualidade de outra pessoa, 2% disseram já terem postado intencionalmente sobre eventos em que um colega foi excluído, entre outros casos.

As crianças entrevistadas justificaram o comportamento com três principais motivos: defesa, porque a pessoa afetada as tratou mal (36%); por simplesmente não gostar da pessoa (24%); e para acompanhar outras pessoas que já estavam praticando o cyberbullying.

O engenheiro de produtos da Intel Security, Thiago Hyppolito, afirma que os pais sempre devem estar atentos ao comportamento on-line dos filhos para evitar possíveis agressões ou, até mesmo, golpes na internet. Além disso, é necessário também evitar que os filhos sejam os autores dessas ofensas.

"Muitos pais acham que os filhos sabem mais sobre tecnologia do que eles próprios e acabam por não monitorar apropriadamente o comportamento dos filhos na Internet por achar que eles sabem o que estão fazendo. No entanto, conhecer as ferramentas não significa usá-las com sabedoria. A Internet é um ambiente inóspito e as crianças precisam de orientação, assim como quando estão na rua. Se você não deixaria seu filho sair sozinho em uma cidade grande, não o deixe sozinho na Internet", afirma o engenheiro.

A Intel Security recomenda que os pais estabeleçam um controle do tempo em que a criança passa na internet e nas mídias sociais, e que conheçam quais são as plataformas sendo frequentadas por eles. Também é indicado o uso de ferramentas de controle parental.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

7 sinais de que seu filho é o que está causando bullying

Caroline Canazart


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Reprodução: Internet
 
Além da preocupação com as notas dos filhos, muitos pais também ficam alerta para perceber se eles estão sofrendo algum tipo de coação na escola. O bullying é um termo em inglês que descreve uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. A palavra bullying tem origem na palavra bully, que significa valentão ou brigão.
Mas, e se for o seu filho ou filha a criança que provoca atos de violência contra um colega? Você já parou para pensar nisso? Alguns especialistas associaram o bullying a algumas situações que ocorrem dentro da família e reflete nas atitudes das crianças na escola.
Veja os itens abaixo e saiba se seu filho se encaixa no perfil.

·         1. Ele tem problemas para dormir

A Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriu por meio de uma pesquisa com 341 crianças que as que tinham problemas em dormir, como distúrbios respiratórios do sono, têm mais tendência em desenvolver atitudes agressivas contra os colegas da escola ou ter algum problema de má conduta na instituição de ensino.
Uma forma de ajudar seu filho a não desenvolver essas atitudes negativas é, caso ele ofereça sinais de problemas para dormir, procurar um especialista do sono para checar o que pode ser feito. Afinal, uma boa noite de sono ajuda muito para que o próximo dia seja mais calmo e produtivo.

·         2. Ele tem problemas comportamentais

De acordo com D. Janell Dietz, autor de livros sobre bullying e ex-conselheiro de escola e professor, existem três sinais importantes que podem ser encontrados em crianças que praticam o bullying: nervosismo, ser impulsivo ou frustrar-se facilmente. A frustração por algo que não conseguiu pode levar a criança a não ter empatia por outra e acabar atacando quem acredita ser mais fraco. Normalmente essas crianças têm histórico de indisciplina.

·         3. Ele está tendo problemas na escola

Se você tem recebido chamados da escola porque seu filho tem brigado constantemente, pode ser um sinal de que ele tem um comportamento de quem pratica bullying em outras crianças. Perceba se ele sempre age com atitude dominante e agressiva com outros alunos. É um sinal amarelo.

·         4. Ele é obcecado em ter popularidade

A vontade de ser popular na escola pode levar a criança ou adolescente a tratar outros de forma hostil e excluir outros que ele considere diferente de sua roda de amizade. De acordo com especialistas esses sinais são relacionados a quem tem insegurança.

·         5. Os amigos de seu filho têm tendências agressivas

Talvez você não consiga observar a agressividade ou intimidação nas ações de seu filho. Porém, se você conseguir ver isso nos amigos dele, provavelmente ele estará envolvido com ações de assédio moral contra outras crianças. Quem tem amigos que praticam bullying, possivelmente também estará praticando.

·         6. Sofre violência em casa

O Controle e Prevenção de Doenças do Departamento de Saúde Pública de Massachusetts, nos Estados Unidos, concluiu depois de um estudo que as crianças que sofrem algum tipo de violência em casa estão mais propensas a praticar intimidações e bullying. A pesquisa diz que é quatro vezes maior a chance delas praticarem assédio moral e físico do que uma criança que não experimenta a violência no lar.

·         7. Os pais não têm um bom relacionamento com o filho

A presença do pai e da mãe na formação dos filhos é fundamental para que se sintam amados e valorizados ou se tornem pessoas com um comportamento duvidoso. De acordo com Dietz, as crianças são mais propensas a intimidar outras se elas sentem que são um incômodo para seus pais. Ter um relacionamento mais aberto e com diálogo leva a diminuir a possibilidade de tornar-se alguém que irá praticar bullying.
O bullying é algo sério e precisa da atenção das famílias de crianças e adolescentes que sofrem e as que praticam os atos de violência. O relato emocionante de uma mãe, Amy Briggs, que perdeu o filho de 16 anos por causa do bullying têm movimentado a internet. Daniel cometeu suicídio após receber uma mensagem no celular. Depois de anos de violência física e moral na escola, ele não suportou a pressão. "Faça alguma coisa quando você souber que alguém está sofrendo bullying. Você é tão culpado quanto a pessoa que está cometendo o bullying quando você não faz nada", afirmou emocionada a mãe do menino. 

Você pode ver o vídeo completo no link:http://www.dailymotion.com/video/x2u0vlc_daniel-bullying_people

Fonte: http://familia.com.br/filhos/7-sinais-de-que-seu-filho-e-o-que-esta-causando-bullying

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cresce número de professores vítimas de bullying cometido por pais de alunos na internet, diz estudo

Publicado em 02/04/2015, às 11h26
Da Agência O Globo


O bullying, personagem tão conhecido no ambiente escolar, não está mais restrito aos alunos. De acordo com um estudo do sindicato dos professores do Reino Unido, NASUWT, os educadores também estão sendo alvo de abuso, que é cometido, principalmente, nas redes sociais pelos pais dos estudantes. Segundo a pesquisa, 60% dos mestres relataram ter sofrido comentários agressivos na internet, enquanto que em um estudo do mesmo tipo, feito em 2104, a proporção era de 21%.

O estudo submeteu 1500 professores a um questionário e identificou que os pais dos alunos utilizam, sobretudo, o Facebook para ofender os profissionais. Entre as publicações na internet, os professores são alvo de posts racistas, sexistas e até mesmo ameaças. Além de serem ridicularizados, os educadores também são alvo de acusações falsas de pedofilia, por exemplo.

O sindicato ainda chama atenção para o fato de que as escolas não têm tomado providências com medo de que os pais tenham reações ainda piores. Uma professora relata que chegou a pedir uma posição da instituição, mas obteve como resposta do diretor que a escola não gostaria de se envolver porque poderia “levar a reputação do colégio à ruína”. O quadro preocupante pode explicar a dificuldade encontrada pelas escolas para recrutar novos profissionais.

O aumento no índice de cyberbullying sofrido pelos docentes está relacionado justamente ao maior envolvimento dos pais nesses abusos. Na pesquisa de 2014, 27% dos professores haviam sido alvo de comentários abusivos por parte dos responsáveis pelos estudantes, enquanto que nos resultados deste ano, a quantidade saltou para 40%. Em relação ao número de ameaças, o dado passou de 7% na pesquisa de 2014, para 15% neste ano.

Entre os casos identificados pelo sindicatos, então professores que tiveram vídeos e fotos postados nas redes à revelia (33%), como uma professora que teve a imagem publicada no Facebook por um aluno e foi alvo de comentários como “vadia”. Outra profissional relatou ter sido perseguida durante nove meses por um aluno que a enviava mensagens com conteúdo sexual e criou no Facebook uma conta falsa em seu nome.

Há ainda o caso de uma docente que foi chamada de “lixo” e de “puta” pelos pais de uma aluna que a acusavam de tentar matar a estudante por não permitir que ela usasse seu inalador em sala. De acordo com a professora, a acusação era falsa. O sindicato relatou ainda que à outra professora foram destinados comentários como: “Espero que ela tenha câncer”.

— É preocupante observar que o abuso contra professores tenha crescido tanto neste ano. E igualmente preocupante é que parece que principalmente os pais são autores desse tipo de coisa — afirmou a secretária geral do NASUWT, Chris Keates que pediu que o poder público encare a questão e exigiu que as escolas usem de todas os métodos disponíveis para coibir os abusos.

De acordo com a secretária geral do sindicato, muitos professores afirmam suspeitar que estão sendo alvo de agressões na rede, “mas evitam olhar por medo de depois não conseguirem andar pela escola novamente e encarar seus agressores.”

A pesquisa conclui que a maioria dos abusos são cometidos por alunos da educação secundária— que compreende alunos do segundo segmento do ensino fundamental e do ensino médio— principalmente no Facebook, mas também em outras redes como o Snapchat e o Instagram.