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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

"O brasileiro se expõe demais na internet", diz diretor da Kaspersky


O brasileiro é despreocupado com a segurança digital dos seus dados e se expõe de forma exagerada na internet, segundo o diretor-geral da Kaspersky, Claudio Martinelli. "A gente posta muito no Facebook e compartilha muita informação que pode ser usada contra nós", diz durante a conferência de segurança da empresa para a América Latina que acontece em Los Cabos, no México.

Para quem confia no lema 'só os meus amigos vão ver o que estou postando', Martinelli faz o alerta: "você não sabe se são todos os seus amigos ou se o perfil de alguém foi invadido e está sendo usado, e você não sabe o que e com quem estes amigos vão compartilhar a respeito do que você informou", observa.

Por isso o executivo recomenda cuidado com a utilização de redes Wi-Fi públicas em restaurantes, hotéis e aeroportos. "Nada garante que você está realmente naquela rede", diz ele sobre a possibilidade de que um ponto de acesso simule a rede local para interceptar as comunicações trafegadas para roubar senhas, dados, contatos e credenciais dos usuários. Tudo o que não for criptografado pode cair nesta armadilha.

O mesmo vale para os pais que gostam de compartilhar imagens de seus filhos na internet. Para Martinelli, é preciso ficar atento e evitar a publicação de posts com crianças que possam divulgar informações pessoais, endereços e até o uniforme da escola, pois estes dados podem servir como pontos de ataque a criminosos ou usuários mal intencionados.

Bom senso em primeiro lugar

Para o executivo, nem mesmo o uso de soluções avançadas de segurança digital pode substituir o bom senso na internet. É, sobretudo, uma questão relacionada ao comportamento dos usuários e a consciência dos prejuízos que estes deslizem online podem causar. "Eu posso identificar que o site é falso e te avisar, mas se você quiser digitar eu não tenho o que fazer".

Segundo pesquisa da empresa FSecure, 70% dos brasileiros dizem temer ataques digitais e ter mudado seus hábitos para evitar ameaças, enquanto 71% se mostram preocupados com a vigilância dos seus dados. Para o executivo da Kaspersky, porém, a "preocupação com a privacidade vem em ondas, quando as pessoas tomam ciência de roubo ou de alguma celebridade que teve suas fotos roubadas".

MARCELO GRIPA 30/08/2016 14H10 
*O jornalista viajou a convite da Kaspersky

Fonte: http://olhardigital.uol.com.br/fique_seguro/noticia/-o-brasileiro-se-expoe-demais-na-internet-diz-diretor-da-kaspersky/61666

quarta-feira, 15 de junho de 2016

“O cyberbullying deve ser tratado como o que realmente é: violência”


Caso de vídeo sexual divulgado, roubo de contas, insultos e tortura psicológica, criação de contas falsas (entre elas “um blog para gozar”) e divulgação não autorizada de dados pessoais e imagens. O que têm em comum estes casos? Todos se passaram na Internet. Todos atingiram estudantes universitários. Foram todos apelidados de cyberbullying.

A portuguesa Luzia de Oliveira Pinheiro estudou durante seis anos este tema, a intimidação e a perseguição na Internet (cyberbullying e cyberstalking), até terminar a tese de doutoramento na Universidade do Minho. Resultado: 11% dos estudantes universitários afirma terem sido vítimas de cyberbullying. Vítimas de insulto, difamação, intimidação, ameaça ou perseguição intencional e sistemática na Internet.

Estas conclusões resultam de 193 inquéritos digitais a jovens das Universidades do Minho e da Beira Interior, entre Janeiro e Março de 2013 e integram a tese de doutoramento Cyberbullying e Cyberstalking de Luzia de Oliveira Pinheiro, homologada há duas semanas.

Porém, a autora do estudo adverte: os dados não podem ser generalizados. A amostra permite tirar conclusões, mas nunca generalizar os resultados para um universo de portugueses com acesso à Internet em casa que supera os 70%.

Entre aqueles questionados em inquéritos digitais, outros 11% pensam que talvez já tenham sido vítima deste tipo de bullying. Um crime de intimidação, encarado por muitos como uma moda do século XXI, que Luzia de Oliveira Pinheiro se recusa a desvalorizar. “O cyberbullying deve deixar de ser visto como um tabu social para que possa ser tratado como o que realmente é: violência.”

A autora reconhece que a Internet desinibe comportamentos, “leva à publicação por impulso, pouco ou nada ponderada”. Enquanto vítimas, os inquiridos admitiram ter vergonha, tanto de terem sido alvo de cyberbullying, como pelo conteúdo partilhado sobre eles. Os próprios acreditam serem pessoas desprevenidas e inconscientes, que desvalorizavam o perigo das relações on-line e que se expuseram demasiado.

E por quê? Para a autora do estudo, algumas das pessoas “agiram propositadamente para se sentirem famosas”. O desejo de reconhecimento e a reputação assumem uma importância extrema nestes meios, numa fase da vida marcada pela consolidação das relações entre amigos e pela preocupação com a entrada no mercado de trabalho. Outras terão sido vítimas por descuido.

A velocidade a que a informação circula na rede pode abalar de forma extrema a reputação. É um ambiente em que “tudo que entra na Internet, fica na Internet” e em que não há espaço nem tempo para deletes. “Na Internet qualquer boato, qualquer conteúdo se espalha em segundos. As imagens e os vídeos, de um momento para o outro, todos podem ver. A reputação é incrivelmente abalada, perdida”, explica a autora.

Vítimas do próprio comportamento

Quanto à Internet, os indivíduos consideram-na um espaço em que se sentem livres que oferece uma privacidade única e um mundo exclusivo de amigos e contactos pessoais. A autora do estudo salienta, porém, que a Internet cria “uma proximidade que não é real” tendo as vítimas demonstrado comportamentos inconsequentes. Expuseram-se ainda a factores de risco sem muitas vezes “medir as consequências” e “revelaram detalhes privados de forma excessiva, o que, além de as tornar alvos fáceis, também faz com que elas sejam vítimas de si mesmas”.

A autora alerta: os efeitos do cyberbullying podem ser graves. “Além de perder a reputação, a vítima pode ser estigmatizada pela sociedade, auto estigmatizar-se, entrar em depressão ou mesmo suicidar-se”, adverte a investigadora da Universidade do Minho, com base em sete casos que recolheu em blogs e redes sociais.

“Na Internet é mais rápido e fácil destruir a reputação de alguém” do que frente a frente. Exemplos concretos: uma das sete histórias que a investigadora conta é a de Laura Barns, estudante do ensino secundário, californiana. Laura pôs fim à vida três dias depois de um vídeo seu “numa situação socialmente embaraçosa” ter sido publicado e divulgado pela comunidade a que pertencia. Laura acabou cedendo perante os insultos e o gozo de que foi alvo na Internet. Como em vida, o vídeo do seu suicídio foi divulgado nas redes sociais. Em 2014, a história de Laura Barns deu origem a um filme. Unfriended deixa a mensagem: “On-line as suas memórias duram para sempre”.

MARGARIDA DAVID CARDOSO | 13/06/2016 - 07:08

Fonte: https://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-cyberbullying-deve-ser-tratado-como-o-que-realmente-e-violencia-1733513