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sábado, 26 de maio de 2018

Quem se importa em formar jovens cidadãos?

A indignação sobre o ultra noticiado caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro motivou reações claramente ilegais nas redes sociais. Há usuários que compartilham prints do vídeo e outros que vão além ao realizar buscas e fazer a divulgação de perfis e dados pessoais dos acusados pela autoria dos crimes. Tal fato nos reporta novamente aos primórdios da humanidade, onde se buscava a justiça vingativa, hoje punida pelo artigo 345 do Código Penal (Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite, detenção de quinze dias, multa mais pena correspondente aos efeitos da violência).



O estupro, a intriga e a miséria comportamental dos seres humanos, afirmam todos, é tema a ser tratado pelo Estado Democrático de Direito. Temos o direito (e dever) de expor as nossas indignações, reflexões e opiniões, mas não é licito ao cidadão comum usurpar o papel da polícia e do Ministério Público na apuração dos dados da fatalidade que se deu com uma jovem (vítima de histórico de violências), sob pena de prejudicar as investigações e atribuir culpa à inocentes. Nada, absolutamente nada justifica a violência sexual, mas a sociedade pode e deve canalizar a ira para movimentos de pacificação de conduta e alteração de comportamento dentro da sua casa, do seu trabalho da sua vizinhança.

Quando o Código Civil determina a responsabilidade dos pais em razão dos atos cometidos por seus filhos, a previsão legal tem um respaldo sociológico. Um belíssimo artigo publicado na Gazeta do Povo, redigido por João Natal Bertotti (leia aqui) demonstra os reflexos positivos de uma família presente, atenta ao cotidiano juvenil. Por óbvio, não existem fórmulas precisas de boa formação do indivíduo, mas a educação e o exemplo positivo, dentro de casa, são entes catalizadores. A delinquência e o crime podem ser reduzidos se as famílias compreenderem o nexo de causalidade entre as condutas domesticas e cotidianas com o comportamento dos jovens. Não é fácil admitir a própria responsabilidade, nem os próprios erros.

A situação remete ao fato de que precisamos nos importar verdadeiramente em formar cidadãos. A percepção de crescimento da intolerância no ambiente escolar, na falta de zelo para com a educação dentro de casa, a despreocupação em se estabelecer limites nos comportamentos das crianças por uma parcela relevante de pais, têm tornado um martírio a vida de educadores.

Os elogios que poderiam ser feitos às iniciativas de mobilização de estudantes por melhorias no ensino são nublados pelo padrão de hostilidade nas negociações, ao se impedir o direito de frequentar aulas daqueles que discordam dos métodos de ocupação e, portanto, no desrespeito à lei quando se apodera de prédios públicos, ofende-se e até agride pessoas, independente de motivos.

A mesma Internet que é veículo para o cyberbullying, pode ser porta para conhecer a lei, boas maneiras, exemplos edificantes de que como podemos lidar com inúmeras questões do mundo moderno e do antigo. Basta se importar com isso.

Enquanto não nos importamos ao ponto de fazer as medidas de proteção à infância e juventude serem, de fato, aplicadas, continuaremos a tomar conhecimento de crianças sendo vítimas de crimes nas ruas e em suas casas, mesmo quando elas mesmas são os autores dos delitos.

Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita é advogada socia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

O texto acima foi publicado no Jornal Gazeta do Povo

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Mais de 70% dos pais exageram no uso de smartphones, aponta pesquisa

Veja em quais situações a tecnologia está afetando a relação entre filhos e pais e como fazer para ter um relacionamento mais saudável com tablets e smartphones


Por Naíma Saleh - atualizada em 17/08/2015 16h3

Pais e mães de distraem com o smartphone - mesmo na companhia dos filhos (Foto: Thinkstock)


Uma pesquisa realizada pela AVG, empresa especializada em segurança online, revelou alguns dados importantes – e preocupantes – sobre como a tecnologia está afetando o relacionamento entre filhos e pais. O estudo foi feito em escala global e, segundo diretor de Marketing da AVG Brasil, Mariano Sumrell, nosso país apresenta números maiores que os demais: “O brasileiro é mais conectado com a internet do que o resto do mundo. Usamos mais o Facebook, filhos e pais usam demais o computador”, explica. Para se ter uma ideia, no Brasil, 71% dos pais acreditam checar demais seu smartphone e 87% dos filhos concordam que eles, de fato, exageram na quantidade de vezes que olham os aparelhos. Enquanto isso, a média global dos pais que acreditam checar demais o celular é de 54%.

Dentre os piores hábitos reportados pela pesquisa no Brasil estão: distração enquanto conversam com os filhos (65% dos pais o fazem, 50% das crianças concordam e 74% delas têm o mesmo comportamento); usar celular durante o jantar (48% dos pais o fazem, 28% das crianças concordam e 49% fazem o mesmo), usar o smartphone enquanto brincam com os filhos (29% dos pais fazem isso, 33% das crianças concordam e 59% também o fazem).
Tecnologia na dose certa

Segundo a pesquisa, 29% dos pais assumem não dar um bom exemplo aos filhos em relação ao uso de dispositivos móveis e 24% das crianças concordam. Para a psicopedagoga Elizabete Duarte, do colégio Nossa Senhora do Morumbi, a missão dos pais não é apenas impor algumas regras sobre o uso de gadgets, mas também incentivar a convivência com as pessoas: “A tecnologia está aí: nossas vidas são organizadas por esses aparelhos, por isso eles precisam fazer parte do cotidiano da criança, assim como de todos nós. Mas cabe aos pais mostrar e incentivar o outro lado: o da conversa, de olhar no olho, da presença”, explica.

Outro dado surpreendente do estudo é que 40% dos pais e 47% das crianças mandam mensagens de texto para pessoas que estão na mesma casa. Pode parecer clichê, mas é esse o grande paradoxo da tecnologia: ela consegue aproximar aqueles que estão fisicamente distantes e acaba afastando quem está mais próximo. “Percebe-se um distanciamento entre as pessoas: o uso da tecnologia torna o contato de criança com os pais e com os amigos mais restrito. Por isso, algumas regras para o uso dos aparelhos são necessárias, tanto dentro de casa quanto no relacionamento com os amigos”, explica Elizabete.

Um bom começo para tornar o relacionamento com esses aparelhos mais saudável é avaliar se a criança realmente precisa ter um para chamar de seu. A psicopedagoga, que já observou crianças de 2 e 3 anos com seus próprios tablets, orienta: “Os pais devem pensar em qual é a porcentagem do aparelho que a criança pode aproveitar. Se o seu filho vai usar apenas um joguinho do smartphone, então ele ainda não está pronto para ter um aparelho desses”. Vale lembrar que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que esses dispositivos só sejam utilizados por crianças maiores de 2 anos.

Outra dica é estabelecer algumas horas do dia para ficar 100% livre das telas, como durante as refeições e na hora de brincar – e isso vale para adultos e crianças! É claro que se desvencilhar desses aparelhos, pelo menos por algumas horas, de fato não é uma tarefa fácil. Enquanto para as crianças o lazer está associado ao uso de tecnologia, para grande parte dos adultos, a internet é uma ferramenta de trabalho e, por esse motivo, há necessidade de checar e-mails e mensagens frequentemente. Nesse caso, a dica não é fazer um jejum virtual, mas tentar reduzir a frequência. Em vez de ficar com o celular na mão ao chegar em casa do trabalho, estabeleça alguns momentos para checá-lo: depois do jantar e antes de dormir, por exemplo. Aos fins de semana, dê uma olhada pela manhã e outra à noite se o trabalho permitir.

Segurança na vida real e no mundo virtual

Algumas vezes, o uso exagerado da tecnologia acaba prejudicando não só os relacionamentos sociais e afetivos como também a saúde e até a segurança da família. Um dos dados mais perturbadores registrados no estudo é que 59% dos pais usam seu smartphone enquanto dirigem – e 32% das crianças concordam que eles fazem isso. De acordo com uma pesquisa realizada pelo NHTSA, o departamento de Trânsito dos Estados Unidos, o uso de celulares na direção aumenta cerca de 400% o risco de acidentes. Já imaginou colocar sua vida em risco só para responder uma mensagem pelo Whatsapp?

Mariano lembra também dos riscos envolvidos quando os filhos têm um acesso precoce à internet: “Crianças pequenas não deveriam acessar a internet desassistidas porque podem encontrar conteúdo impróprio, ser assediadas, sofrer bullying”. Para os maiores, uma conversa sobre os perigos na web é muito válida: eles devem ter a noção clara de que todo mundo pode se passar por outra pessoa no mundo virtual.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Familia/Rotina/noticia/2015/08/mais-de-70-dos-pais-exageram-no-uso-de-smartphones-aponta-pesquisa.html


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Intel Security alerta pais sobre o risco de cyberbullying na volta às aulas

Pesquisa aponta que 21% das crianças já foram vítimas de agressões on-line

Data: 28/07/2015

INFO & TI FONTE/AUTOR.: MEDIALINK COMUNICAÇÃO 

Reprodução: cena do filme The Duff


O período de volta às aulas traz de volta também preocupações rotineiras dos pais como o desempenho dos filhos na escola, o comportamento social das crianças e adolescentes, o bullying (prática de agressões físicas ou verbais, intencionais e repetidas contra uma pessoa indefesa) e a sua versão online, o cyberbullying. Recente pesquisa realizada pela Intel Security mostrou como as crianças e adolescentes lidam com esta questão.

A pesquisa[1] realizada no Brasil com 507 crianças e adolescentes entre 8 e 16 anos revelou que a maioria das crianças (66%) já viram práticas de comportamento cruel e intimidação nas mídias sociais, enquanto 21% dos entrevistados disseram já terem sido vítimas de cyberbullying. Meninos e meninas com idades entre 13 e 16 anos são a maior parte das vítimas.

Entre as atividades realizadas por 24% dos entrevistados em mídias sociais, que podem ser consideradas cyberbullying, as crianças admitiram falar mal de uma pessoa para outra (14%), zombar da aparência de alguém (13%); marcar pessoas em fotos vexatórias (7%), ameaçar alguém (3%), zombar da sexualidade de alguém (3%), postar intencionalmente sobre festas e atividades onde alguém foi excluído (2%), entre outros. As explicações dadas pelas crianças para justificar este comportamento é porque tais pessoas os trataram mal (36%), simplesmente não gostam dessas pessoas (24%) ou porque outros também estavam zombando dessas pessoas (13%).

Thiago Hyppolito, engenheiro de produtos da Intel Security, explica que as crianças estão expostas a diversos riscos na web e os pais devem sempre monitorar o comportamento online dos filhos para evitar que eles sejam vítimas de agressões ou golpes na internet e também para evitar que os filhos cometam bullying com outras crianças.

“Muitos pais acham que os filhos sabem mais sobre tecnologia do que eles próprios e acabam por não monitorar apropriadamente o comportamento do filho na internet por achar que eles sabem o que estão fazendo. No entanto, conhecer as ferramentas não significa saber usá-las com sabedoria. A Internet é um ambiente inóspito e as crianças precisam de orientação, assim como quando estão na rua. Se você não deixaria seu filho sair sozinho em uma cidade grande, não o deixe sozinho na internet”, comenta Hyppolito.

Veja algumas dicas da Intel Security para proporcionar maior segurança digital para crianças e adolescentes:

- Mantenha sempre soluções de segurança abrangentes como o McAfee Live Safe TM instaladas e atualizadas em todos os dispositivos usados pelos seus filhos, sejam computadores, tablets ou smartphones. Utilize as ferramentas de controle parental para bloquear sites e aplicativos inadequados e para controlar o que as crianças fazem na Internet.

- Estabeleça um controle de tempo para o acesso das crianças à internet e às mídias sociais. Algumas soluções de segurança também contam com ferramentas capazes de bloquear o acesso à web nos horários delimitados pelos pais.

- Conheça as redes sociais que o seu filho frequenta, os jogos que ele joga, os aplicativos que ele usa e fique sempre atento às novidades tecnológicas. A tecnologia avança rapidamente e as crianças estão sempre interessadas nas novidades.

- Tenha as senhas de acesso para todos os dispositivos, aplicativos e redes sociais usadas por seus filhos.

- Converse frequentemente com as crianças sobre os perigos escondidos na Internet como golpes, excesso de exposição, interação com estranhos e cyberbullying.

Sobre a Intel Security

A McAfee agora é parte da Intel Security. Com sua estratégia Security Connected, a abordagem inovadora para a segurança aprimorada por hardware e o exclusivo McAfee Global Threat Intelligence, a Intel Security concentra-se intensamente no desenvolvimento de soluções e serviços de segurança proativos e comprovados que protegem sistemas, redes e dispositivos móveis para uso profissional e pessoal no mundo todo. A Intel Security combina a experiência e especialização da McAfee com a inovação e o desempenho comprovados da Intel para tornar a segurança um ingrediente fundamental em cada arquitetura e em cada plataforma de computação. A missão da Intel Security é proporcionar a todos a confiança para viver e trabalhar com segurança no mundo digital. www.intelsecurity.com.

Intel, o logotipo Intel, McAfee e o logotipo McAfee são marcas registradas da Intel Corporation nos EUA e em outros países.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Com quantos anos uma criança pode ter um smartphone?


Data: 10/08/2015 21:10 | Por Leigh Weingus, do Brasil Post

Criança usando celular
Estudo indica que 56% dos pais de crianças entre 8 e 12 anos deram um celular para os filhos

Você quer saber se chegou a hora de dar um celular para seu filho? Normal. Faz sentido que você queira que seu filho esteja conectado com você 24 horas por dia. Além do mais, muitas crianças têm celular.

Infelizmente, o uso de celulares está associado a diminuição da atenção, dores nos punhos e problemas de sono.

A chave para evitar esses problemas é fazer um uso consciente do aparelho, o que exige um nível de responsabilidade e autocontrole que só vem com a idade. Como decidir se chegou a hora?

Conversamos com John Breyault, da Liga Nacional dos Consumidores. Em 2012, ele trabalhou num estudo sobre crianças e celulares.

O estudo indicou que 56% dos pais de crianças entre 8 e 12 anos deram um celular para os filhos, mas Breyault afirma que é difícil recomendar uma idade específica.

“Não acho que exista uma hora ‘certa’ para uma criança ter um celular. Os pais é que devem decidir se ela está pronta para essa responsabilidade”, disse Breyault ao The Huffington Post.

“Algumas perguntas que os pais devem se fazer incluem: ‘Por que meu filho precisa de um celular?’ e ‘Será que ele é maduro o suficiente para usar o telefone de maneira responsável, sem acessar ou enviar conteúdos inadequados?’.

Fazer essas perguntas (para si mesmo e para seus filhos) antes de sair às compras pode evitar dores de cabeça na hora de escolher o aparelho e o plano certos, além de garantir que o celular será usado da forma certa”.

Também consultamos Michael Rich, professor da Escola de Medicina de Harvard e fundador e diretor do Centro de Mídia e Saúde da Criança no Hospital da Criança de Boston.

Rich estudou extensivamente o impacto da mídia nas crianças. Eis o que você precisa saber sobre celulares e crianças:


Quando seu filho precisa de um smartphone?


A função mais importante do aparelho é manter a criança em contato com os pais. Apesar de “tecnicamente” seus filhos nunca precisarem de um smartphone, você decide qual é a hora certa.

“Como toda mídia, de TVs a computadores, celulares são ferramentas”, disse Rich ao The Huffington Post.

“Elas são eficazes para certas tarefas, e as crianças só ‘precisam’ de celulares quando eles forem a melhor ferramenta para determinada tarefa, como ligar para casa depois de um treino para os pais irem buscá-la.”


Quais são os potenciais problemas?


Como mencionado acima, há vários problemas associados ao uso de smartphones. “Há muita preocupação em relação a atividades danosas, como o cyberbullying e as mensagens de texto de caráter sexual”, explica Rich.

“O maior risco para o bem estar e o desenvolvimento de longo prazo é que as crianças se distraiam das pessoas e experiências reais.”


E os benefícios? 


O smartphone tem seu lado bom. Como nota Rich, o que importa não é o telefone, mas sim de como ele é usado.

“Se as crianças aprendem a fazer um uso consciente, focado e efetivo do aparelho e não distraem de experiências mais produtivas e significativas, os smartphones podem ser usados sem maiores riscos”, afirma Rich.

Antes de tomar a decisão, tenha uma conversa.

Se você tem planos de comprar um celular para seu filho no futuro próximo, certifique-se de estabelecer as regras primeiro. Se você não quer que ele use certos aplicativos, por exemplo, deixe isso claro.

“Os pais têm de mostrar para as crianças qual é o uso correto do celular, e qual é o uso incorreto, além das consequências do mau uso.”

Apesar do que você possa ter ouvido, o mundo não vai acabar se seu filho tiver um smartphone. Basta deixar as regras bem claras.

Fonte: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/com-quantos-anos-uma-crianca-pode-ter-um-smartphone