Mostrando postagens com marcador bullying causa automutilação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bullying causa automutilação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de junho de 2017

Cutting: Como lidar com uma criança que se automutila

Os casos são frequentes entre adolescentes, e a escola precisa ter um olhar atento e acolhedor sobre quem o pratica.


"Uma aluna de 10 anos puxou as mangas da blusa de frio perto de mim. Vi umas marcas de corte no seu braço e aquilo me deu um gelo na barriga. Me chamou a atenção e busquei os cadernos da aluna. Lá, tinham letras de funk pesadas, poemas tenebrosos, muita coisa sobre morte e abuso sexual. Os registros não condiziam com a realidade aparente da família e com a própria postura da menina. Ela era reservada, mas tinha boas notas e comportamento excelente."


O relato é de uma coordenadora pedagógica, e histórias como essa pipocaram ao longo da manhã de 27 de maio na redação de NOVA ESCOLA e Gestão Escolar.

A partir de situações da série 13 Reasons Why, produzida pela Netflix, que perpassam o ambiente da escola, convidamos nossos leitores, sobretudo professores, para discutir clima escolar. Temas como saúde mental, bullying, nudes, suicídio e automutilação (também chamada de cutting) foram casos de muitas histórias reais que professores e gestores enfrentam todos os dias em suas instituições.


Crianças e adolescentes que se cortam talvez tenha sido o tema mais puxado pelos educadores presentes. Apesar de ser mais comum na forma de pequenos cortes pelo corpo, a automutilação consiste em qualquer autolesão, como queimar-se, morder-se ou bater-se.


A incapacidade de lidar com os próprios sentimentos se reflete nas marcas do corpo. E esse sofrimento pode inclusive estar associado a uma dificuldade ou situação que o estudante está passando na escola.

"As principais vias de prevenção estão relacionadas à manutenção do bem-estar psicológico. Cuidados com o clima escolar, o estímulo ao autoconhecimento e a criação de estratégias que facilitem o diálogo sobre as emoções são caminhos bem-sucedidos para a prevenção", aponta Gustavo Estanislau, especialista em Psiquiatria da Infância e da Adolescência e integrante do grupo Cuca Legal, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que promove o tema saúde mental nas escolas.

Como os praticantes de cutting também podem ser ou ter sido por um longo período alvos de bullying, abordagens relacionadas ao tema e atividades que melhorem a autoestima podem ajudar na prevenção.

De acordo com o psiquiatra, ao descobrir que um aluno está se cortando, o primeiro passo é manter a calma. É preciso ter uma atitude acolhedora para tentar entender de onde parte o comportamento, pois uma reação excessiva pode fazê-lo sentir-se ainda mais sozinho. "Antes de se preocupar com o que dizer, é importante escutar ativamente e sem julgamentos", indica Gustavo.

Apesar de não necessariamente haver um transtorno psiquiátrico, geralmente há uma tristeza envolvida. "O educador deve ter muita sensibilidade ao buscar saber o que está se passando com o jovem, e uma pergunta importante é a respeito de o jovem ter pensamentos suicidas. Essa pergunta é importante, pois uma parcela das pessoas que se cortam tem a intenção do suicídio", alerta o especialista.

A empatia é sempre importante para que os estudantes se sintam confortáveis para compartilhar como estão se sentindo e o que está se passando. No caso dos adolescentes, os pais devem ser comunicados apenas quando há risco para saúde ou vida do jovem ou quando há autorização para evitar quebrar o elo de confiança.

"No caso das crianças, os pais devem ser convocados porque os precisam saber. Não se trata apenas de uma relação de confiança, mas de obediência", esclarece Luciene Tognetta, professora de psicologia escolar da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral.

Para que essa comunicação seja efetiva, ela deve seguir a mesma linha da conversa com os alunos. "É preciso fazê-la de forma que não se culpabilize nem o jovem nem os pais, que se estabeleça um clima de apoio aos familiares e para que não se perca a parceria com o aluno", explica Gustavo. Cabe à escola também sugerir que o estudante seja encaminhado a um especialista - psicólogo ou psiquiatra - para avaliação do caso e, se necessário, tratamento.

Por: Laís Semis | Nova Escola

10/06/2017 16:32 -03 | Atualizado 10/06/2017 21:58 -03 

Fonte: http://www.huffpostbrasil.com/2017/06/10/cutting-como-lidar-com-uma-crianca-que-se-automutila_a_22132863/

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Cyberbullying está ligado ao aumento dos casos de automutilação entre jovens



O número de jovens internados em hospitais em consequência de automutilação subiu vertiginosamente nos últimos dez anos, revelaram novas cifras. Especialistas atribuem o fenômeno ao bullying online e nas redes sociais.

Cifras do NHS (o Serviço Nacional de Saúde britânico) indicam que o número de meninas tratadas em hospitais depois de se cortarem subiu 385%, de 600 em 2005-2006 para 2.311 em 2014-2015.

Houve um aumento grande também no número de rapazes hospitalizados depois de se mutilarem: em 2014-2015, 457 homens jovens foram tratados, contra 160 dez anos antes.

Estatísticas aos quais o jornal The Guardian teve acesso mostraram que a automutilação por enforcamento e envenenamento também vem aumentando entre os jovens.

Especialistas atribuem esse aumento preocupante à ascensão da Internet e das redes sociais nos últimos dez anos.

O número de meninas com menos de 18 anos hospitalizadas por cortar-se quadruplicou nos últimos dez anos.

Ruth Ayres, gerente de projetos do selfharmUK, disse que os jovens têm dificuldade em escapar do bullying online: “Hoje em dia, quando uma pessoa sofre bullying, isso continua quando está em casa. Muitas vezes pode lhe parecer que o sofrimento que ela está sentindo nunca acaba.

“As mídias sociais geram uma dependência enorme nos jovens. Acho que nós, adultos, precisamos começar a ajudar os jovens a navegar em segurança pela internet.”

Ayres também apontou para a presença de muitos sites que oferecem aos jovens informações sobre como se mutilarem.

Quase 14 mil mulheres jovens foram internadas em hospitais no ano passado depois de ingerir substâncias tóxicas – 4.112 mais que o número que o fez em 2005-2006, 9.741. O número de rapazes que se envenenaram não subiu.

O enforcamento como método de automutilação também se tornou mais comum, com 220 jovens com menos de 18 anos sendo tratados em hospitais entre 2014 e 2015. Em 2004-2005, 78 jovens foram hospitalizados depois de se enforcar.

O Dr. Peter Hindley, catedrático da Faculdade de Psiquiatria Infantil e Adolescente no Royal College of Psychiatrists, concordou que as mídias sociais são um dos muitos fatores que levam adolescentes e jovens a se mutilarem, dizendo ao Guardian:

“É provável que a alta seja resultante de muitos fatores, mas os mais importantes provavelmente são: disparidade crescente na era da austeridade, o impacto negativo da era digital, a sexualização crescente – isso é especialmente nítido no caso das meninas--, o impacto do abuso sexual e da exploração sexual e as pressões crescentes para alcançar sucesso.”

Na semana passada o secretário de Saúde britânico, Jeremy Hunt, criticou os serviços de saúde mental disponíveis para adolescentes e jovens, caracterizando-os como “a maior área de carência na cobertura de saúde feita pelo NHS”.

Hunt disse que muitas tragédias acontecem porque os serviços não intervêm de modo precoce, quando problemas como transtornos alimentares primeiro se manifestam.

A ONG Young Minds, que trabalha com saúde mental, informa que mais de um quarto (26%) dos jovens no Reino Unido já teve pensamentos suicidas.

Mas, segundo Ayres, ainda existem muitos lugares aos quais jovens que se automutilam podem recorrer para buscar apoio.

“Nosso site é um site em favor da recuperação de jovens, que os incentiva a formular perguntas e postar suas histórias. É um lugar seguro que jovens podem procurar quando precisam de ajuda e apoio.

“Recentemente o ChildLine lançou um serviço de aconselhamento online que pode ser acessado por jovens dia e noite, e pode ser útil para jovens que se automutilam saber que há alguém com quem podem conversar”, ela disse.

“Eu também incentivaria as famílias a procurar um bom clínico geral, alguém em quem confiam e com quem possam falar dessas coisas abertamente.”

The Huffington Post UK | De Jasmin Gray
Publicado: 04/11/2016 17:29 BRST Atualizado: 04/11/2016 17:29 BRST

Fonte: http://www.brasilpost.com.br/2016/11/04/bullying-automutilacao_n_12798350.html