sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Referendo por nossa vida privada





A Câmara Municipal começa discussão de projeto de lei sobre o uso de dados pessoais de cidadãos pela administração pública municipal. O objetivo é regulamentar a coleta e o tratamento dos dados pela prefeitura e suas autarquias na prestação de serviço público. Com todo respeito, os vereadores podem até debater o assunto. Mas de fato, por sua dimensão e impacto em nossas vidas, deveria haver coragem para ser realizado um referendo sobre a questão, conforme previsto na lei orgânica da cidade: As questões relevantes aos destinos do Município poderão ser submetidas a plebiscito ou referendo por proposta do Executivo, por 1/3 (um terço) dos vereadores ou por pelo menos 2% (dois por cento) do eleitorado, decidido pelo Plenário da Câmara Municipal.



Inteligência artificial contra suicídio é último recurso

É preocupante o noticiário sobre a adoção pelo Facebook de protocolos baseados em inteligência artificial para identificação de posts capazes de prever atividades relacionados a comportamento e incitação a suicídios. Máquinas, mesmo as dotadas de inteligência artificial, não compreendem a perspicácia humana. E o Facebook não consegue, de fato, acompanhar e agir como guardião de vidas privadas, como ficou demonstrado em matéria da BBC sobre como é o ambiente de trabalho (leia). Mas, vamos acreditar que possa. Como vai agir? Aqui, a lei é clara, tem de acionar a polícia nos casos de induzimento de suicídio. E também quando tomar conhecimento da possibilidade de o fato ocorrer, pois é crime deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública. Mas como definir isso à distância? Por meio de uma máquina? A única certeza futura é de que está aberta a porta para a rede social ser processada também por ter prévio conhecimento e ter agido de forma errada ou omissa. Ah sim! Se, indevidamente, acionar a polícia e os fatos não forem corroborados pela apuração, o lesado poderá buscar os devido ressarcimento por dano moral.

#cyberbullyingsqn





Esse é o novo canal no YouTube para a Dra Ana Paula expor temas emergentes e urgentes da vida digital, sua relação com as leis e a busca por um modelo de educação para harmonia nas relações nos ambientes de ensino. Inscreva-se e siga.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Projeto lança revista em quadrinhos e 10 mandamentos contra o cyberbullying



Os relatos de alunos de escolas públicas paulistas sobre o bullying vivenciado por eles nas redes sociais resultaram na publicação de uma revista em quadrinhos e na criação dos 10 Mandamentos contra o Cyberbullying. A iniciativa, que é do projeto Liga Acadêmica de Prevenção e Intervenção a Violência (Lapiv), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi lançada nesta semana.

O cyberbullying é a agressão por meios virtuais, como redes sociais, muito comum na vida dos adolescentes. A revista em quadrinhos “Segredos do Meta – a verdade por trás das redes”, traz à tona os perigos decorrentes da prática a fim de conscientizá-los sobre os limites entre uma brincadeira e o cyberbullying, além de alertá-los sobre segurança na internet.

No projeto do Lapiv, estudantes de enfermagem e medicina, coordenados por profissionais da universidade, realizaram atividades com alunos de escolas públicas, a partir de 11 anos, sobre o problema. O projeto surgiu em 2013, por iniciativa da médica psiquiatra da Unifesp Sara Bottino, quando teve conhecimento do número de suicídios e tentativas de suicídio que estavam associadas a fenômenos de agressão nas redes sociais. Entre as atividades do projeto, há rodas de conversa sobre as vantagens e desvantagens do uso das redes sociais e dicas de como os estudantes podem se proteger na rede.

“Percebemos que os adolescentes usam as redes sociais e eles não têm nenhum mecanismo de controle sobre o que eles postam, sobre as pessoas com as quais eles compartilham notícias pessoais e, às vezes, até informações sobre endereço e sobre o que fazem. Então temos um roteiro de discussão que começa a partir daí”, disse Sara.

Nas conversas, os estudantes também são levados a refletir sobre os riscos de uma aparente brincadeira entre colegas virar um problema grave. “Às vezes, eles começam com uma brincadeira na rede, que eles chamam de 'zoação', e muitas vezes não sabem o impacto que isso tem para quem está sendo 'zoado'. O limite entre o que é uma brincadeira e como esta pode ser vivenciada pela vítima pode ser muito diferente”, explicou.

A estudante de enfermagem da Unifesp, Victoria Nery, que participa do projeto, ressaltou que o objetivo das atividades é reduzir a violência nas redes sociais dos adolescentes em geral, não apenas daqueles que frequentam as escolas integrantes do projeto. Segundo ela, a publicação da revista em quadrinhos é um meio para que essa conscientização continue para além dos muros dessas escolas.

Uma atividade importante do projeto é o encontro em que os adolescentes falam sobre seus gostos, rotinas e preferências em diversas áreas. “Mesmo sendo diferentes, eles percebem que têm coisas em comum. Eles concluem 'por que vou fazer bullying com essa pessoa, se tem um pouco de mim nela e um pouco dela em mim?'”, disse Victoria.

Além disso, ela ressaltou que muitas pessoas não têm noção de que a rede não é um ambiente totalmente seguro. “Eles ficam bem impressionados quando falamos que já houve vários casos de suicídio, que as pessoas param de ir para a aula, têm decréscimo em relação a notas, perdem amigos, então eles começam a ver realmente o que isso causa”, disse.

Mandamentos

O grupo da Unifesp desenvolveu os “10 Mandamentos contra o Cyberbullying”, presentes na revista em quadrinhos. Entre as recomendações estão não responder quando estiver com raiva, guardar evidências de agressões, evitar compartilhar informações pessoais com desconhecidos, pedir ajuda a pessoas de confiança e bloquear o agressor, por exemplo. O último deles é “não se torne um agressor”.

Segundo Sara, que coordena o grupo, o projeto tem dado ênfase à figura do espectador. “Porque é ele quem vai dar visibilidade para a vítima e para o agressor na forma de 'likes', na forma de 'curtir'. Então temos trabalhado muito para que esse espectador, que não é vítima nem agressor, denuncie. Em vez de curtir, que fale 'isso não tem nada a ver, isso não é legal'. Se eles [casos de cyberbullying] têm um reforço negativo, certamente aquilo ali para. Mas se tem várias curtidas, então fica muito difícil [combater a situação]”, disse.

A coordenadora de uma das escolas em que o projeto foi implantado, Marli de Almeida, confirmou que as situações de cyberbullying se refletem dentro do ambiente escolar. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Armando de Arruda Pereira, onde trabalha, muitas brigas já ocorreram devido a agressões nas redes sociais, disseminação de notícias falsas e até a polícia precisou ser chamada.

“O que eles [grupo da Unifesp] fazem é despertar a conscientização sobre a responsabilidade que os alunos tem que ter quando escrevem qualquer coisa no Facebook, por exemplo, e que tudo isso tem um retorno. É um processo muito lento, mas acredito que a base eles estão tendo e, depois disso, tem que ser desenvolvido aos poucos. Esperamos que a sementinha tenha sido plantada. Depois os professores e as famílias têm que fazer com que essa sementinha floresça e que essa responsabilidade e essa conscientização comece a aparecer no futuro”, disse a coordenadora.

Por Agência Brasil/ Camila Boehm e Amanda Cieglinski
02/12/2017 17h06 São Paulo
Link da matéria: aqui

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Lei Anti-Bullying e o cérebro dos adolescentes são temas do Cuca Legal da Unifesp, dia 06/12, 8h30, em São Paulo




A Lei Anti-Bullying é o tema que a advogada Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita expõe no encontro do Cuca Legal, dia 06/12, 8h30, Unifesp - PROESQ - Rua Machado Bitencourt, 222 - Vila Clementino/ SP. Com a participação de psiquiatras, psicólogos, professores e diretores de escolas, o encontro é gratuito e as inscrições podem ser feitas por sintiatasca@gmail.com . Ana Paula é sócia-fundadora da SLM Advogados, especialista em direito digital e tributário digital. Idealizadora do programa "Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying". Realiza trabalho de prevenção nas instituições de ensino para se protegerem juridicamente dos danos que o cyberbullying pode causar. Oferece educação jurídica digital para alunos, pais e instituições de ensino.

A segunda palestra da manhã será “O cérebro do adolescente: treinando a tomada de decisão”, por Adriana Foz, coordenadora do Projeto Cuca Legal da Psiquiatria UNIFESP e Diretora da NeuroConecte. Saiba mais aqui sobre
o projeto Cuca Legal da Unifesp. http://cucalegal.org.br/index.html

imagem: google imagens


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Nossos filhos precisam aprender tricô ou tecnologia?



Vetar eletrônicos realmente incentiva a criatividade e socialização? Ou pode abrir um gap em relação a um mundo cada vez mais tecnológico?






Criador de foguetes, carros elétricos, PayPal, entre outras inovações, Elon Musk criou também uma escola. Ele não gostava de onde seus filhos estudavam -- e nem das lembranças que tinha como aluno. Fundou, então, a Ad Astra (para as estrelas, em latim), na Califórnia. Considerada alternativa, recebe pouquíssimas crianças, que aprendem juntas (e não divididas por série), guiadas por seus interesses e aptidões (e não por grade curricular) e sob o lema de resolver problemas (não apenas absorvem teoria).



A escola “diferentona” não é uma extravagância do empresário que sonha em colonizar marte. Muitos executivos do Silicon Valley dão nota zero à educação convencional. Em se tratando do ensino da prole, nada de tecnologia – eles preferem a pedagogia Waldorf. Escolas dessa linha preconizam a formação holística de seres humanos (e não de alunos). E valorizam atividades como tricô, marcenaria, horta, dança e música tanto quanto outros conteúdos. Computador, internet e afins, nem pensar. São tão reprováveis quanto a velha decoreba.



Ao lado das abordagens analógicas por opção (e não por falta de dinheiro), há as escolas high tech. Elas ensinam programação de software desde cedo, oferecem dispositivos digitais de ponta e são orientadas pelos avanços tecnológicos. Entre esses dois universos, dúvidas não faltam. Quando e como uma criança deve ter contato com a tecnologia? Se ela demonstra talento especial na área, é bom estimular esse dom ou, ao contrário, equilibrá-lo com atividades diferentes (como trabalhos manuais e artísticos)? Vetar eletrônicos realmente incentiva a criatividade e socialização? Ou pode abrir um gap em relação a um mundo cada vez mais tecnológico?



É antiga a crítica ao uso das telas na educação, seja em casa ou na escola. Desde o início dos anos 2000 o professor Valdemar Setzer, docente do departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, condena computador, internet e TV na infância. Segundo ele, esses dispositivos impõem um raciocínio lógico e simbólico antes de a criança estar madura para tanto. Por isso, acabam produzindo massificação do pensamento, prejuízos à imaginação e atitude passiva. Um game, por exemplo. Por operar sob o registro da rapidez, recompensa e ranking, pode induzir a uma visão de mundo altamente competitiva. Além de ser uma atividade fast food, pronta para consumo.



O tema é complexo até para a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que coordena o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês). Por um lado, a recomendação é preparar os professores para serem tão ou mais digitais do que os alunos – hoje a situação é inversa. Por outro, uma pesquisa em 70 países, em 2015, mostrou que o uso de computadores, tablets e similares na escola não melhorou o rendimento dos estudantes. Saíram-se bem no Pisa justamente as instituições menos equipadas.



Em um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 2014, aparece uma outra vertente sobre o impacto do computador em casa. Crianças familiarizadas com esse aparato obtiveram melhores notas na Prova Brasil (avaliação da educação básica) do que as demais. Pelo visto, a questão do digital na educação é de múltipla escolha. Certo mesmo é que ainda temos muito a aprender sobre a matéria.



*CEO da Dentsu Aegis Network Brasil e Isobar Latam



Por Época Negócios/ Abel Reis
16/11/2017 - 11H45
Imagem: FOTO: SHUTTERSTOCK
Link da Matéria: aqui

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Lei do Bullying para famílias dos magistrados


 A especialista em direito digital e coordenadora do Programa Jurídico Educacional Proteja-se contra o Cyberbullying, Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita fala sobre a Lei do Bullying e seus efeitos sobre a família e a educação dos filhos nesta quarta, 14h, na sede social da Associação Paulista de Magistrados, Rua Dom Diniz, 29 Jardim Luzitânia, em São Paulo.

À frente de iniciativa que reúne quase 40 unidades escolares, ela relata que o advento da Internet, combinado com o uso irracional e ilegal de smartphones trouxe aos jovens, pais, educadores e administradores de empresas a problemática do cyberbullying. Serão apresentados comentários sobre a Lei nº 13.185/2015, bem como introduzir o conceito sociológico do bullying dentro da atual estrutura normativa.

A abordagem adotada será didática, atualizada e prática, contendo as mais recentes construções doutrinárias e jurisprudenciais sobre as formas de violência presencial e virtual.

Previamente, foram definidos os temas que participantes desejam ver abordados: O que é Bullying? O que é Cyberbullying? Quais são os deveres das escolas/clubes/agremiações? Quais são os deveres dos pais/responsáveis legais? O cyberbullying é pior que o bullying? Quais as formas de prevenção contra a violência virtual?


Certamente todos terão uma excelente sessão para discussões e perguntas sobre a polêmica do cyberbullying.

Para entrevistas, mais informações e confirmar cobertura do evento, por favor, contate:

Cleinaldo Simões, Carla Onaga, Lidiane Tanaka, Rebeca Torres e Ana Rocha

55 (11) 5585 3363 – 5585 0961 – 5585 2273
55 (11) 2638 8099
55 (11) 9 8192 0700 – 9 8192 0002
Skype: cleinaldo.simoes