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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Bullying no trabalho


Imagem: makemoneyinyourlife.com

1 – O que caracteriza o bullying no trabalho?

Em geral, o bullying é caracterizado por agressões intencionais, verbais ou físicas, que são feitas de maneira recorrente. No caso do bullying corporativo, as principais situações são a humilhação e a intimidação, que podem ser feitas por superiores ou colegas.

2 – Como identificar uma situação de bullying?

É difícil listar os indícios, porque cada caso de bullying é muito particular. Por essa razão, o ideal é que os gestores e a direção da empresa fiquem atentos para identificar os tipos de brincadeiras que acontecem dentro da companhia, se elas são de bom ou mau gosto. Porém, o que vai realmente determinar esse limite é quem está sofrendo com a situação.


3 – Quais danos o bullying no trabalho pode causar à vítima?

Assim como ocorre nas escolas, no ambiente corporativo estas situações, se não são resolvidas, podem levar ao isolamento do profissional, afetar sua produtividade e a integração com a equipe, e em casos mais intensos, desenvolver distúrbios ainda mais graves.


4 – Como os profissionais podem se proteger do bullying?

A principal recomendação é que o agredido se manifeste e deixe claro seu incômodo desde o primeiro momento, para tentar inibir o bullying. Essa comunicação pode ser feita diretamente ao agressor, ao gestor – caso o bullying não esteja sendo causado por ele – ou até mesmo ao departamento de RH da empresa.


5 – Qual deve ser o posicionamento da empresa com relação ao bullying?

Em caso de receber uma denúncia de bullying, o primeiro passo da empresa deve ser entender o cenário com as partes envolvidas de maneira franca, apontando caminhos para que a situação não se repita. Mas, independentemente de terem ciência de uma situação de bullying, é importante que as organizações reforcem sempre a importância do trabalho em grupo, não só no discurso, mas com treinamentos que enalteçam esse tipo de iniciativa, promovendo a participação de todos. Também é recomendado tratar o tema de forma aberta, deixando claro quais as políticas da empresa em relação ao tema, possíveis punições ao agressor e alternativas de comunicação das agressões por parte do agredido. É fundamental que se tenha lideranças com sensibilidade para identificar comportamentos que fogem do ideal para tomar as atitudes necessárias, antes que o problema se torne maior.

Daniela Ribeiro 
Gerente sênior de recrutamento da Robert Half

Fonte: http://www.dgabc.com.br/Noticia/2318697/bullying-no-trabalho

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Comum no ambiente escolar, bullying também afeta adultos em empresas

Comportamento compromete negativamente o desempenho no ambiente de trabalho, aponta estudo. Pessoas como deficientes, mulheres e LGBTs são os que mais sofrem com atitudes preconceituosas



A palavra bullying geralmente remete a crianças e adolescentes em fase escolar. Porém é um problema comum também no ambiente corporativo, muitas vezes partindo dos próprios colegas, por meio de violência verbal, piadas de mau gosto ou brincadeiras referentes a alguma fragilidade do outro.

Segundo estudo do site do CareerBuilder, as minorias costumam ser os alvos mais comuns do bullying nas empresas: 44% dos deficientes físicos, 34% das mulheres e 30% dos LGBTs já sofreram algum tipo de agressão no trabalho.

Alvo de piadas

A estudante de administração Pamela Carvalho, de 28 anos, conta que, por causa da sua sexualidade, era alvo de piadas e comentários preconceituosos em uma empresa onde estagiou. “No início não me importei, até levei na brincadeira, no bom humor. Não escondi que era transexual desde o primeiro dia, mas com o tempo o comportamento dos colegas com isso foi me deixando incomodada”, disse a universitária.

Ela relata que isso a afetou de tal maneira, que fez com que desistisse de trabalhar na empresa. “A direção via e não fazia nada, então, aos poucos fui me desmotivando, comecei a faltar bastante, até o dia que o contrato acabou e, mesmo a minha gerente querendo prorrogar, pois ela gostava do meu trabalho, preferi não continuar mais lá”, lembra Pamela.

A estudante universitária Suellem Freitas também possui relatos de humilhação no ambiente de trabalho. “No primeiro mês foi tudo bem, meu superior parecia ser uma boa pessoa. Um dia esse meu superior inventou que eu tinha o mandado calar a boca numa situação. A partir daí passou a não falar mais comigo, sorria sarcasticamente de mim, evitava me delegar funções ou me subestimava. Percebi que ele estava me perseguindo, tinha uma antipatia comigo, não sei por quê. Certo dia aconteceu uma situação em que eu fui dar minha opinião e ele simplesmente começou a gritar comigo, falou que eu era uma burra, uma incompetente, não sabia que estava falando, desde que fui pra lá só fazia besteira”, relatou.

Sequelas

A psicóloga e diretora de Educação Profissional do Centro Literatus (CEL), Rosselane Sandrini, explica que o bullying começa com uma brincadeira e aos poucos vai deixando sequelas. “Muitas vezes a vítima precisa de acompanhamento psicológico, tornando-se desmotivada, com medo de conhecer o novo e podendo também ficar agressiva, podendo torna-se uma pessoa fria e com o desejo de vingança”, ressalta.

O mais importante, diz ela, é que a pessoa que está sofrendo o problema reconheça que a culpa não é dela. “É preciso que tome uma atitude e faça uma denúncia para o setor responsável. Quem lida com isso possui medo de reagir e quem pratica não se dá conta do quanto é prejudicial, que isso causa danos ao desenvolvimento, a atuação e até o networking das vítimas”, frisou a diretora.

Além disso, Rosselane aponta que a postura da empresa é fundamental, por isso é importante ouvir seus colaboradores e se posicionar claramente pela diversidade e não aceitação de atitudes preconceituosas no seu quadro funcional. “Também é necessário investir em treinamentos e capacitar os gestores a terem habilidades capazes de identificar cada funcionário como um ser único e trabalhar suas deficiências e virtudes. É preciso levar a sério brincadeirinhas ou situações conflituosas, investigando e dando a devida importância ao problema”, apontou a psicóloga.

A coach de carreiras Eliana Pinheiro explica que o papel do líder é extremamente importante nesta situação. “Ele deve trabalhar positivamente tanto quem pratica quanto quem sofre o bullying”, orienta.

12/06/2016 às 16:54 - Atualizado em 12/06/2016 às 19:23

Fonte: http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/comum-no-ambiente-escolar-bullying-tambem-afeta-adultos-em-empresas

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Bullying no trabalho. Um antídoto para a falta de educação

A falta de educação no local de trabalho arruína o desempenho e cobra um preço pessoal a cada um. 


Quando eu tinha 22 anos, arranjei o que julgava ser o meu emprego de sonho. Mudei-me do gelado Midwest para a ensolarada Florida com um grupo de antigos colegas atletas, para ajudar uma marca global a lançar uma academia desportiva. Dois anos depois, tanto eu como muitos dos meus colegas tínhamos abandonado os empregos. Tínhamo-nos tornado vítimas de uma cultura de trabalho onde abundava o bullying, a grosseria e a falta de educação em geral, fomentada por um responsável ditatorial e alastrando daí a todos os escalões da organização. Os empregados estavam, na melhor das hipóteses, desmotivados; na pior, realizavam atos de sabotagem ou descarregavam a sua frustração em familiares e amigos. -

A experiência foi tão formativa que decidi passar a minha vida profissional a estudar a falta de educação no local de trabalho — e os seus custos e soluções. O comportamento grosseiro vai da maldade descarada e boicote intencional até ao simples facto de ignorar as opiniões dos outros e verificar o e-mail no decorrer de reuniões. A falta de educação no local de trabalho arruína o desempenho e cobra um preço pessoal a cada um. Em cenários de laboratório, apercebi-me de que, ainda que os sujeitos sejam meros observadores, as suas probabilidades de absorverem informação diminuem imenso. Ver ou experienciar comportamentos rudes prejudica a memória de curto prazo e, em consequência, a capacidade cognitiva. Provou-se que prejudica o sistema imunitário e exerce pressão sobre as famílias, além de outros efeitos negativos.

Infelizmente, a nossa resiliência em face da falta de educação está parcialmente fora do nosso controlo. As pesquisas demonstraram que respostas a ameaças, humilhação, perda ou derrota — todas geralmente associadas à falta de educação — são significativamente influenciadas pelo temperamento congénito. Assim, a maneira mais eficaz de reduzir os custos da má educação no local de trabalho, talvez seja construir uma cultura que a rejeita. Entretanto, como podem os indivíduos lidar com ela? A minha pesquisa desvendou algumas táticas que todos podem usar para minimizar a forma como a falta de educação afeta o desempenho e o bem-estar. 

AS RESPOSTAS HABITUAIS NORMALMENTE NÃO RESULTAM 

Muitas pessoas decidem lidar com a grosseria de frente — seja pela retaliação ou pela discussão. Outra resposta comum é tentar contornar o problema, evitando o ofensor o mais possível. Se bem que estas abordagens possam ter alguma utilidade, em geral não as recomendo.

Por vezes não temos alternativa e só nos resta colaborar com colegas mal-educados. O confronto pode ainda piorar a dinâmica. Confiar em soluções institucionais também raramente funciona. Poucas pessoas estão satisfeitas com a maneira como os seus chefes tratam a falta de educação mas, a verdade, é que as organizações muitas vezes não têm oportunidade de fazer nada: nas minhas pesquisas, mais de metade dos respondentes afirmam não comunicar as faltas de educação, normalmente por medo ou por acharem que não vale a pena. 

ABORDAGEM HOLÍSTICA 

Tal como a medicina está a mover o foco da cura da doença para a promoção da saúde, as pesquisas na minha área — comportamento organizacional — mostram que trabalhar para melhorar o bem-estar no escritório é o remédio mais eficaz para a falta de educação. Isto não significa que não se deva comunicar aos recursos humanos a má educação ou o bullying de um colega, ou tentar gerir o conflito diretamente. Mas uma forma mais sustentável de lidar com o mau comportamento é tornar-se imune ao mesmo. Para o concretizar, é bom fazer uma revisão daquilo que sabemos acerca do desenvolvimento pessoal — algo que, ao ser atingido, proporciona uma sensação de vitalidade e aperfeiçoamento que nos fortifica contra as vicissitudes da vida.

Na minha pesquisa, descobri que as pessoas desenvolvidas são mais saudáveis, mais resilientes e mais capazes de se concentrarem no trabalho. Têm amortecedores contra a distração, o stress e a negatividade. Se se encontra numa fase de desenvolvimento pessoal, é menos provável que se preocupe com uma ofensa ou que a leve a peito, e também estará mais imune às ondas de emoção que se seguem e mais concentrado em avançar rumo ao seu objetivo. Como podemos contribuir para o nosso desenvolvimento? Dando passos para prosperarmos a nível cognitivo, o que inclui crescimento, energia e aprendizagem contínua; e também para progredirmos afetivamente, mantendo-nos saudáveis e apaixonados na nossa vida pessoal e profissional. Estas duas táticas, muitas vezes, reforçam-se mutuamente — se tivermos energia, estaremos mais motivados para aprender, e a sensação de crescimento pessoal alimenta, por sua vez, a vitalidade. 

DESENVOLVER-SE COGNITIVAMENTE 

Se já lidou com um colega rude, sabe como pode ser difícil ultrapassar a situação. Os neurocientistas demonstraram que as memórias associadas a emoções fortes são mais fáceis de aceder e mais prováveis de ser revividas. Isto pode causar uma maior insegurança, menor autoestima e um maior sentimento de impotência. Incentivo as pessoas a, em vez disso, se concentrarem no crescimento cognitivo. O nosso cérebro consciente tem um limite de coisas sobre as quais pode pensar simultaneamente — e é bem melhor que se mantenha ocupado construindo conexões neurais e estabelecendo novas memórias. Podemos dar-nos permissão para nos sentirmos magoados ou indignados — mas apenas durante algum tempo. Identifique áreas para desenvolvimento e aproveite ativamente oportunidades de aprendizagem em cada uma delas. Estes esforços não têm de estar diretamente relacionados com o trabalho. Aprender uma nova capacidade, hobby ou desporto pode ter um efeito equivalente. O que acontece é que é mais difícil ser empurrado para baixo quando nos sentimos na mó de cima. Outra forma de promover o crescimento cognitivo é trabalhar de perto com um mentor. Estes conseguem ajudar os seus protegidos a desenvolver-se, desafiando-os e garantindo que não são apanhados no remoinho da improdutividade. 

DESENVOLVER-SE AFETIVAMENTE 

Pense no comportamento rude no local de trabalho como uma espécie de vírus. As suas defesas contra ele dependem de como conseguir gerir a sua energia. De facto, a minha investigação sugere que muitos dos fatores que ajudam a evitar doenças, como uma boa alimentação, sono e gestão do stress, também podem ajudar a manter-se imune aos efeitos nocivos da descortesia.

O exercício físico é outra maneira de nos protegermos das emoções negativas — raiva, medo e tristeza — que o comportamento rude provoca. Conservar a energia por outros meios, por exemplo, comendo saudavelmente, também nos ajudará a ficar em boa forma para responder tranquilamente a uma situação descortês.

Mas não é só do corpo que temos de tratar. O mindfulness — pensando bem nas coisas antes de ripostar — pode ajudar-nos a manter o equilíbrio num ambiente complicado. Ter uma sensação de propósito renovada acerca do nosso trabalho, também ajuda. Há provas de que as pessoas que estão empenhadas num trabalho que consideram significativo são mais produtivas em equipas descorteses do que os seus colegas. 

A falta de educação cobra um preço alto. Em casos extremos, poderá ser necessário mudar de empresa ou de secção para evitar o esgotamento e manter o bem-estar. Revendo a minha situação, sei que fiz bem em abandonar aquela academia desportiva na Florida. Contudo, se fosse hoje, teria uma melhor preparação para contrariar os efeitos da falta de educação. 

Se escolher o confronto: 

Se está a pensar em confrontar um colega que foi mal-educado, coloque a si próprio três perguntas: Sente-se seguro ao falar com essa pessoa? O comportamento foi intencional? Este comportamento só aconteceu dessa vez? 

Se respondeu não a alguma das perguntas, não discuta o incidente. Concentre-se na sua própria eficácia e, em confrontos futuros, seja Breve, Informativo, Amigável e Firme. 

Se respondeu sim às três perguntas, pense na hipótese de explicar ao ofensor como o comportamento dele o fez sentir. Algumas coisas que deve ter em mente: 

Prepare-se para a discussão. Escolha um bom momento e um ambiente seguro em que ambos estejam confortáveis. Considere se deve convidar outras pessoas para servirem de testemunhas ou mediadores. 

Ensaie as suas ideias com alguém que lhe dê um feedback honesto. Peça a essa pessoa que desempenhe o papel do ofensor. 

Esteja consciente da sua comunicação não-verbal. Isto inclui postura, expressões faciais, gestos, ritmo, timing e, especialmente, tom de voz. As pessoas praticam aquilo que querem dizer muito mais do que admitem. Há, porém, provas de que as palavras transmitem muito menos significado do que a maneira como são ditas. 

Concentre-se no objetivo do ganho mútuo. Durante a discussão, concentre-se no problema (não no indivíduo) e em como o comportamento específico prejudica o desempenho. Prepare-se para uma reação emocional. Se o “acusado” começar a ripostar, tente ser tolerante: talvez consigam chegar a um ponto mais produtivo. Use expressões como “Estou a perceber” ou “Compreendo”. Admitir culpas quando for apropriado, também pode ser útil. 

Seja um ouvinte ativo. Parafraseie aquilo que ouvir e repita-o. As pessoas ganham credibilidade e são mais apreciadas quando fazem perguntas com humildade. 

Concentre-se em estabelecer normas de cortesia para o futuro. De que maneira vão interagir para que ninguém veja o seu desempenho prejudicado à medida que avança?